domingo, 21 de outubro de 2007

DocLisboa 2007 – Frames soltas

Pausa forçada na maratona doc do DocLisboa 2007. Com sorte, hoje, vou por a escrita em dia. Algumas notas soltas…

1. No 31 acompanha-se directas partidárias. No Blasfémias acompanha-se congressos de partidos políticos. No Corta-fitas acompanha-se semanas de moda. Nós somos muito mais cool, acompanhamos festivais de cinema (o Daniel não conta porque é de esquerda).

2. Por falar em Daniel. Afinal é mesmo verdade; o homem está acampado no festival. É rara a vez que não me tenho cruzado com ele. Na sexta-feira à tarde surpreendi-o e pedi-lhe lume, na esperança de levar uma facada sua. Felizmente não me reconheceu. Como amigo dos pobres que é lá ofereceu educadamente lume a este porco capitalista e liberal que nunca comprou um isqueiro na vida (juro!).

3. Ontem, numa pausa entre sessões, uma jovem com ar limpinho, sensual mas ligeiramente snob cruzou o seu olhar com o meu um par de vezes. Fazia o mesmo com os demais que por ali se espalhavam no foyer do Londres. Aquela jovem, muito normalizada e com ar de francesinha parisiense afinal era Clarisse Hahn, realizadora que passou um ano da sua vida junto de Karima e da comunidade fetishista da cidade Luz. No olhar de Clarisse, era fácil descobrir a sua curiosidade natural. Afinal, quem seriam estes lisboetas que numa noite quente de Outubro estavam dispostos a durante hora e meia saborear o sofrimento alheio?

4. Por falar em natureza humana…, este festival (pelo menos o que tenho visto dele, e só posso escrever do que vejo) remete-nos com violência para as cordas daquilo que pensamos ser o humanamente suportável. Ao longo destes dias, tenho me questionado amiúde, porque é que nos oferecemos a passar algumas das nossa horas vagas a sentir “desgraças”.

5. Ainda nesse sentido…, dizem que a filosofia terá nascido do espanto e do ócio. Digo eu que sem ócio não pode haver espanto. Ainda bem que há ócio. Tendo a encaixar muita coisa nestas e noutras categorias. Como na categoria “natureza humana” ou “dignidade humana”. É por certo de-formação. O DocLisboa 2007 tem tido o condão de me fazer rever tudo isto. O que parecendo difícil, não é nada fácil

6. Até onde poderá chegar a natureza humana? Haverá limite, na dor, no sofrimento, no prazer, no ódio, no amor, na paixão, na necessidade do Homem? E nós, será que conhecemos os nossos limites? Porque não os exploramos? Um dia será por certo tarde. Será?

7. Falando de coisas mais simples. É uma alegria das grandes quando encontramos (ou conhecemos) almas cinematograficamente gémeas. É sempre bom pensar: Porra, afinal não sou o único…

8. Porreiro pá!

Adenda: Perdoe-me senhor Deus eu pequei: então não é que quando cheguei à bilheteira da culturgest para ver “Zoo” a sessão estava esgotada…

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