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segunda-feira, 14 de junho de 2010

O boato, essa velhinha especialidade tuga


A Crise de 1383-1385. Quem não se lembra de estuda-la no velhinho secundário?

A Crise de 1383-1385 é dos episódios mais ricos da História de Portugal. Obviamente o livro que temos vindo a ler (link) trata-a com o devido cuidado.

“A avaliar pelo relato de Fernão Lopes na Crónica de D. João I, a morte do conde Andeiro foi o resultado de uma conspiração que envolveu diversas figuras da nobreza que se lhe opunham. E de tal maneira o plano foi bem urdido que logo se lançou a ideia, rapidamente espalhada por Lisboa, de que era o mestre de Aviz que corria perigo de vida. O eficaz boato, lançado pelos que apoiavam o executor do conde galego, fez de imediato acorrer às ruas uma multidão de populares que expressou de maneira clara o seu ódio a amante da rainha”

Esclarecedor!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O Sócrates que vem de longe

Prosseguindo nesta aventura (link)…

Ao contraio do que possamos cogitar, o permanente sonho do legislador de moldar a sociedade “à sua medida” não é de hoje. É, sim (o sonho, claro), velho, barbudo, carunchoso e caduco. Tal como o problema da ineficácia das Leis.

Vejamos: “A produção legislativa procurava abarcar todas as áreas da vida em sociedade. O caso mais significativo, a este respeito, é o da chamada Pragmática de 1340 [link], saída das Cortes de Santarém desse ano. (…) O que a Pragmática pretendia fixar era, verdadeiramente, uma estrita regulamentação social. O afã legislativo procurou moldar a vida material, neste caso sem sucesso prático" (pag. 121).

É caso para indagar: teremos aprendido alguma coisa nos últimos 700(!) anos? Onde é que nós, recentemente, vimos disto?

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Bifes em troca de porco preto

Há muito que me comprometi a escrevinhar umas notas (link) sobre a magnífica leitura de "História de Portugal" de Rui Ramos, Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro. Vejamos se é desta.

Tal como ler por ler, ou estudar porque sim, não tem qualquer valor (muito menos Valor nenhum), a História (tal como outros saberes como a Filosofia ou o Direito) não tem de ser uma coisa aborrecida e entediante. E muitas vezes cabe a quem faz a leitura torna-la (ainda) mais saborosa. Querem ver?

Sabiam que: “(…) Afonso X, o Sábio [rei de Castela e Leão de 1252 a 1284 - link], renunciou à posse do Algarve, recebendo em troca Aroche e Aracena, com o Guadiana a constituir a linha de fronteira entre os dois reinos (…). Consumou-se assim, a incorporação do “reino do Algarve” na Coroa portuguesa” (p.108).

D. Afonso III de Portugal (na imagem), O Bolonhês (link), não o sabia à data da troca, em 1267; mas, em bom rigor, mais não estava a fazer do que trocar a região fundamental do porco ibérico por uma indústria que vive essencialmente de bifes.

Agora mais a sério. O que seria hoje o turismo português sem aquela troca com cerca de 750 anos? Como seria hoje um Portugal cercado de Norte a Sul por Espanha? E um Algarve espanhol? Seria melhor ou pior?

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Portugal


Para além da frase que o Paulo Pinto Mascarenhas destaca aqui (link), eu também sublinho esta:
"(...)População diversa, povo plural, território heterogéneo, mas poder central e unitário, concentrado, com reduzida negociação, desde o Condado Portucalense. Neste paradoxo, a singularidade portuguesa(...)."

Falamos deste (link) texto de António Barreto que o i pública hoje sobre a "História de Portugal" de Rui Ramos, Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro.
Um livro magnifico, digo-o já; que comigo foi (e veio) aos antípodas. Um livro que dá tanto prazer quanto trabalho a ler. Um livro que todos, sem excepção, deveriam ler. Espero a ele voltar