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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Meu Brasil brasileiro

O papai ia “morrendo”. Varias vezes. Mas ainda não foi desta.

Finaram-se as férias no Brasil. Sim férias, pois de viagem este tempo pouco teve – não sei se me faço entender…

Com todas as suas idiossincrasias. Com todos os seus paladares, cheiros e vincados contrastes, qualquer passeio ao Brasil daria um mês de pequenos posts. Foram umas férias cheias, por vezes fascinantes outras nem tanto assim. O que importa é que no final tudo deu certo. E se algumas coisas não deram foi porque o final ainda não chegou. 

Tomem lá disto…

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Um novo rumo

Este é o momento de mobilizar os cidadãos de esquerda que se revêem na justiça social e no aprofundamento democrático como forma de combater a crise.
Não podemos assistir impávidos à escalada da anarquia financeira internacional e ao desmantelamento dos estados que colocam em causa a sobrevivência da União Europeia.
A UE acordou tarde para a resolução da crise monetária, financeira e política em que está mergulhada. Porém, sem a resolução política dos problemas europeus, dificilmente Portugal e os outros Estados retomarão o caminho de progresso e coesão social. É preciso encontrar um novo paradigma para a UE.
As correntes trabalhistas, socialistas e sociais-democratas adeptas da 3ª via, bem como a democracia cristã, foram colonizadas na viragem do século pelo situacionismo neo-liberal.
Num momento tão grave como este, é decisivo promover a reconciliação dos cidadãos com a política, clarificar o papel dos poderes públicos e do Estado que deverá estar ao serviço exclusivo do interesse geral.
Os obscuros jogos do capital podem fazer desaparecer a própria democracia, como reconheceu a Igreja. Com efeito, a destruição e o caos que os mercados financeiros mundiais têm produzido nos últimos tempos são inquietantes para a liberdade e a democracia. O recente recurso a governos tecnocratas na Grécia e na Itália exemplifica os perigos que alguns regimes democráticos podem correr na actual emergência. Ora a UE só se pode fazer e refazer assente na legitimidade e na força da soberania popular e do regular funcionamento das instituições democráticas.
Não podemos saudar democraticamente a chamada “rua árabe” e temer as nossas próprias ruas e praças. Até porque há muita gente aflita entre nós: os desempregados desamparados, a velhice digna ameaçada, os trabalhadores cada vez mais precários, a juventude sem perspectivas e empurrada para emigrar. Toda essa multidão de aflitos e de indignados espera uma alternativa inovadora que só a esquerda democrática pode oferecer.
Em termos mais concretos, temos de denunciar a imposição da política de privatizações a efectuar num calendário adverso e que não percebe que certas empresas públicas têm uma importância estratégica fundamental para a soberania. Da mesma maneira, o recuo civilizacional na prestação de serviços públicos essenciais, em particular na saúde, educação, protecção social e dignidade no trabalho é inaceitável. Pugnamos ainda pela defesa do ambiente que tanto tem sido descurado.
Os signatários opõem-se a políticas de austeridade que acrescentem desemprego e recessão, sufocando a recuperação da economia.
Nesse sentido, apelamos à participação política e cívica dos cidadãos que se revêem nestes ideais, e à sua mobilização na construção de um novo paradigma.
Manifesto "Um novo Rumo"

sábado, 5 de novembro de 2011

Da soberba

O João Miranda do Blasfémias diz que «Há quem diga que existe um conflito entre a democracia e os mercados. Os gregos, coitados, querem fazer coisas mas os mercados não apostam na dívida grega. É uma opressão e uma chantagem. Mas não são só os mercados que oprimem a democracia. Experimentem referendar a gravidade. Vão ver que como a física oprime a democracia».

Pese embora seja surpreendente que já se diga em voz alta que a Democracia é um empecilho para o funcionamento "dos mercados", não é a primeira vez que pensamento como este domina a vida económica, em que uma corrente da Economia e as Finanças se torna Deus ex Machinna, e em que as pessoas deixam de ter voz: foi este um dos ingredientes que conduziu Hitler ao poder.

É que demonstra um estudo académico espanhol:

«Quanto mais corto nos benefícios sociais, mais agitação social tenho. O nível expectável de agitação aumenta maciçamente à medida que cai a despesa do Estado. (...)

Se tudo desabar na agitação social, haverá um segundo ciclo em que nos vamos deparar com menos crescimento e receitas fiscais ainda mais baixas. Depois tem que se cortar outra vez e vamos acabar numa espiral, vamos acabar por destruir grande parte do tecido social e político que mantém a estabilidade na Europa. (...)

É o que os alemães viveram no início da década de 1930. A cada ano, o governo tomava novas medidas orçamentais, reduzia os salários da função pública, tentava equilibrar o orçamento e sempre que fazia isto a economia contraía ainda mais, as receitas fiscais era ainda mais baixas, o governo tinha de cortar mais e, no final, destruiu a democracia alemã. Repetir este erro é completamente imperdoável, em 2011.»

E como hoje é 5 de Novembro, nada como olhar de frente para a soberba e dizer: "lembrem-se, lembrem-se", porque nós lembramo-nos!

domingo, 26 de junho de 2011

O plano não funciona? Mantemo-nos no plano!

Escutando Passos Coelho anunciar que apresentará um "PEC V" composto por medidas de austeridade adicionais ao plano da troika, lembrei-me destas palavras que há três meses Cavaco Silva proferiu no seu discurso de tomada de posse e que deram abertura para o assalto final ao "pote": «há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos». Aguardemos portanto o "spin" da guarda pretoriana mediática de Cavaco que nos explicará que o PEC IV era mau e que o PEC V, um "plus ultra" ao memorando de entendimento, é o melhor que nos poderá acontecer.
Não nos iludamos: os integristas de mercado que, à semelhança dos estalinistas, olham para as pessoas como "ratinhos brancos" do seu laboratório de experimentalismo socio-económico, não se deterão nem perante a realidade.
Como diz a Economist nesta semana: «the European Union seems to have adopted a new rule: if a plan is not working, stick to it». Nem que esse plano nos esteja a empurrar esgoto abaixo...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Fartar vilanagem

Ao mesmo tempo que as Euribor sobem, apertando mais o garrote sobre as famílias com casa própria, ao mesmo tempo que os salários reais e nominais descem, ao mesmo tempo que os bancos anunciam que vão reforçar os seus capitais com o dinheiro cujos juros são pagos pelos contribuintes que pagam impostos, ao mesmo tempo que isto tudo acontece, o Banco de "Portugal" dá carta branca aos bancos para alterarem unilateralmente as regras dos contratos de crédito para assim poderem cobrar spreads mais altos.

Deve ser isto o liberalismo económico: os contratos só se cumprem na medida do interesse da parte mais forte...

terça-feira, 3 de maio de 2011

Sócrates 1 - 0 Troika CCC.

A troika Cavaco/Catroga/Coelho vai demorar a descalçar a bota da boa notícia que é o facto de o acordo com a UE/FMI ser mais favorável que o esperado...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Alívio

Foi com algum alívio que vi o Pedro Soares Lourenço no Facebook dizer que já não estava no café Argana, em Marraquexe, no momento do atentado.
Ainda assim, sendo um destino frequente para os portugueses, convém manter alguma atenção aos relatórios de segurança que forem sendo emitidos pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros.

sábado, 2 de abril de 2011

Da usura

O que São Basílio Magno (séc. IV) escreveu sobre a usura é temível: "Os cães, quando recebem algo, ficam mansos; mas o usurário, quando embolsa o seu dinheiro, irrita-se tremendamente. Não cessa de ladrar, pedindo sempre mais... Mal recebeu o dinheiro e já está a pedir o dinheiro do mês em curso. E este dinheiro emprestado gera mal atrás de mal, e assim até ao infinito." Por isso, o Concílio de Latrão, em 1179, proibiu aceitar esmolas dos usurários, admiti-los à comunhão e dar--lhes sepultura cristã.

Hoje a isto chama-se os mercados financeiros, com a sua lógica devoradoramente insaciável. Portugal sabe-o por experiência. Quem não viu veja e quem viu reveja Inside Job.

Anselmo Borge, Diário de Notícias

quarta-feira, 2 de março de 2011

A cor dos bandidos

Quando os bandidos (ou alegados bandidos) são socialistas, esta condição é sempre recordada, nunca esquecida, e repetida à exaustão.
Quando os bandidos (ou alegados bandidos) são social-democratas ou democratas cristãos... são tratados como empresários...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Espanto e horror

É por coisas destas:
Que cada vez mais se assiste a isto:
Teremos de esperar que morra o último babyboomer para pegar neste país?

Até quando?

Todos os meses somos brindados com as mesmas notícias que nos relatam mais "reformas douradas" na Administração Pública. Falassem as notícias de "reformas prateadas" e os números seriam ainda mais... assustadores!
Assustadores porquê?
Porque na Administração Pública o valor das pensões de reforma não se extrai da carreira contributiva. Muitas que estão a ser pagas reflectem o último vencimento sendo que agora reflectem os dois ou três últimos anos. Que normalmente são os melhores em termos de vencimento.
O que significa que temos gente a ganhar a título de pensão de reforma valores muito superiores ao que efectivamente ganharam durante a sua carreira, pensões de um nível para o qual não descontaram se não durante uns poucos meses.
Os que trabalham vêem os seus salários cortados. Os que não... não!
Até quando?...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Parecer sobre a constitucionalidade dos cortes salariais na Administração Pública

As perguntas que ninguém fez ainda ao Governo e a Jorge Miranda:
1- Quando foi encomendado o parecer?
2- Quando foi entregue o parecer?
3- Quanto custou o parecer?
4- É possível conhecer o parecer completo?
Já fiz uma busca no Base e no Transparência não encontrei nada.

sábado, 16 de outubro de 2010

O corte salarial afinal não é só para 2011...

Depois de uma leitura rápida do texto do orçamento de estado, verifico que o art.º 17.º n.º 1 enuncia que «A 1 de Janeiro de 2011 são reduzidas as remunerações totais ilíquidas mensais das
pessoas e entidades a que se refere o n.º 9, de valor superior a € 1 500, nos seguintes
termos» e não (por exemplo) «no ano de 2011 são reduzidas as remunerações...».
Isso faz toda a diferença.
Isso permite que o corte salarial dos trabalhadores da administração pública seja permanente...
OE, aqui