Um dia…, existiu um subgénero de pop-rock a que alguém terá chamado Rock FM. Tão bom…, tão bom (ou nem por isso…) que nem o chefe Google sabe o que isso foi. Algures entre o Rock e o Hard Rock, o Rock FM estava ali num limbo delicioso; e fazia as delícias de jovens motociclistas mais ou menos suburbanos – a discoteca Rock Line diz-vos alguma coisa?
Pois…, recordar é viver, baby…, e quem não gosta é um ovo podre!
“An Awesome Wave”, álbum de estreia do quarteto Britânico denominado Alt-J (∆). Não sei se partilho do chavão. Mas sei que estamos perante um som refrescante e estimulante num ano musical que até prometia muito mas que até agora…
Olha.., o ano a chegar ao fim; isto passa depressa…, demasiadamente depressa…, cada vez mais e mais depressa. Bela merda.
Apetece-me repetir o exercício do ano passado (link). E volto a chegar à mesma conclusão do ano transacto…, tenho de prestar mais atenção à boa musica.
Coisinhas boas de 2011 são – sem qualquer ordem específica:
Anna Calvi - Anna Calvi; Metronomy - The English Riviera; The Black Keys - El Camino, que conseguem a proeza de figurar nesta “diz que é uma espécie de lista” dois anos consecutivos.
Mais. O premio “mais vale tarde que nunca por isso Pedro continua a ouvi-los em 2011” vai, ex aequo, para: Destroyer – Kaputt; St Vincent - Strange Mercy; Fleet Foxes - Helplessness Blues
E já agora tomem lá mais três.
Prémio “fraquinho…, estava à espera de muito melhor”: Komba - Buraka Som Sistema Prémio “…e 2012 começa aqui”: Lana Del Rey. Prémio “demora muito?”: o novo dos The XX, anunciado para a primavera.
Não sou muito de fazer – como, algum dos mais cépticos leitores, poderão confirmar nos arquivos deste blogue – listas e tops, mas este ano deu-me para isto; muito provavelmente pelo arrependimento, tardio, de não ter prestado a atenção devida a um ano musical que, acabando por não ser o sonho que se anunciava, foi, ainda assim, muito bom.
Aqui fica uma short list - sem qualquer ordem especifica - não do que mais gostei nem do que mais ouvi, mas sim do que de melhor ouvi:
Arcade Fire - The Suburbs Hot Chip - One Life Stand LCD Soundsystem - This Is Happening Beach House - Teen Dream The Black Keys - Brothers Vampire Weekend - Contra The Drums - The Drums Best Coast - Crazy For You The Walkmen - Lisbon
Ah…, quase me esquecia. E a (enorme!) desilusão do ano foi: MGMT - Congratulations
Sejamos claros: neste tema sou insuspeito! Nunca vi Ídolos, nem Operação Triunfo nem, rigorosamente, nada do género. Graças à caixinha magica do MEO, comecei a gravar desde o início esta edição do Ídolos, com o intuito meramente voyeurista e vagamente cínico de ver as figurinhas dos “cromos”. Como aquilo dura uma eternidade, reduzo-a a meros sessenta minutos quando não me apetece fazer rigorosamente nada.
Quando acabou a fase da “cromice” pensei em abandonar o programa mas ai…, já estava "infectado". Há alguns, poucos, concorrentes, verdadeiramente fora de série. E, lá está, graças à box consigo reduzir aquelas intermináveis três horas a cerca de sessenta minutos.
Não vou aqui discutir nem o meu gosto, nem sequer o gosto dos outros. Mas é impossível ficar indiferente a este momento, simplesmente, perfeito, em que a Carolina interpreta Damien Rice. Para ver, mas sobretudo ouvir a partir do minuto 3:30…, o resto são cantigas…, podem ignorar.
Dez canções pujantes, vibrantes, plenas de alegria; transbordando de joie de vivre. “Contra” é o novo (e muito aguardado) disco dos Vampire Weekend. Disco que só está à venda na próxima segunda-feira mas que eu (criminoso, me confesso) já tenho aqui a rodar nesta máquina de onde vos escrevo. Em poucas palavras: objectivamente, os Vampire Weekend são uma tempestade borbulhante de boa música (e boa disposição); subjectivamente, apenas ao segundo disco são já uma das minhas bandas preferidas de todo o sempre – e olhem que este “sempre” já vai mandando peso (e reumático também). “Contra”…, comprem-no, roubem-no ou, simplesmente, oiçam-no aqui (link).
Por vezes mantemo-nos demasiado tempo distraídos. Outras simplesmente deixamo-nos abraçar pelo bafo quente da preguiça e não queremos saber. É difícil dizer muito em poucas palavras. Falta-nos tempo para pensar. Viver. Sentir. A melhor prova da morte do Rock é a sua sazonal ressurreição. Ora como fantasma atormentador de sonhos. Ora como anjo que embala com asas de morfeu. A música para ser boa não tem necessariamente de ser diferente. E nem toda a música diferente é necessariamente boa. Começo, apenas agora, a descobrir as sonoridades impares dos Arcade Fire. Um colectivo canadiano interdisciplinar que nos surpreende pela audácia, diferença e qualidade. Este power out que vos convido a ver e ouvir para alem de ser uma animação extraordinária de inspiração Burtoniana é um exemplo vivo de ressurreição; de guitarras aguçadas e melódicas como no tempo dos New Order e cordas adocicadamente acústicas a embalar os sentidos. Tudo numa dança explosiva de morte. Metáfora da vida?