quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Libertem os Pais Natais, por favor

De vez em quando há que abastecer a adega. E como o hipermercado da esquina tem muita escolha e bons preços lá fui sujeito ao primeiro “jingle bells” da época – um som vagamente irritante cuspido de umas colunas afónicas. Há pouco no Atrium Saldanha, o belo piano que nos aquece os ouvidos e o coração ao fim da tarde também não resistiu ao momento e lá tive de levar com o primeiro “white christmas” da season.
As montras já há muito que estão engalanadas, as ruas mais ou menos iluminadas e as vias saturadas de automóveis. Os Pais Natais, desde, pelo menos, o São Martinho, já estão pendurados às janelas, presos e bem presos (como o de uma das minhas vizinhas que podem conhecer na foto). Aproximam-se os jantares “das empresas” e dos variados grupos de amigos que acabam invariavelmente em mais um whisky na discoteca da moda ou numa qualquer casa de putas manhosa – pois neste país de merda nem as putas escapam, fugindo do “cantinho à beira mar plantado” como o Diabo foge da cruz).
É assim o Natal pós-moderno, minha gente. E confesso que a “este natal” mundano adiro sem reservas. Não é dele que me queixo. Queixo-me que a tudo isto valia a pena juntar uma pitada, uma pitadinha vá, de sentido e valor. Que se corra freneticamente pela posta de bacalhau mais desejada do ano, mas que não se corra apenas pela dita cuja.
Por esta se muitas outras que não vêem agora ao caso fartei-me da época que se avizinha vai para um par de anos. Assim, pelo segundo ano consecutivo, preparo-me para me pôr a andar daqui para fora (rapidamente e em força) para não ter de aturar o oco “espírito da época” – Indochina meu amor, não partas agora que eu estou quase a chegar.
Deixo apenas um desejo: libertem os Pais Natais, por favor!

2 comentários:

Rita disse...

LOL são giros vê-los pendurados e tal!

Pois, esperemos que n esgotem n!

Volta smp

Pedro Soares Lourenço disse...

Olá Rita…, tens a certeza que esse comentário era para este post ;)
É que aqui não se fala em escassez nenhuma, mas sim em abundância…, e tal ;)