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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Mundo Maravilhoso

Ontem o despertador tocou às 5:40AM. A boleia chegou cerca de quinze minutos atrasada o que não impediu uma entrada no mar pelas 6:30AM. Ainda a noite perguntava ao dia – como o faz há milhões de anos - vamos brincar aos crepúsculos épicos?

Esta não era uma manhã qualquer. Julho, quase a gosto. Agosto quase agora. E uma rara ondulação suficiente pujante para lamber uns fundos de areia suficientemente resilientes ao tradicional flat estival. É favor juntar a ausência de vento, mega glass, diz-se em surfês e cá está: condições ideais para retirar a prancha do armário e colocar um ponto final – parágrafo, assim se quer – na ausência da arte possível do deslize aquático unicamente propulsionado por energia salgada.

Chega de poemas eventuais. Aliado ao improvável – pelo menos há alguns breves meses a esta parte – fator humano, assim se passou pouco mais de hora e meia num tão delicioso como temido Mundo Maravilhoso.

 


[Post devidamente adaptado, previamente publicado aqui (link)]

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Este blogue acaba aqui…

Confesso. Sempre quis escrever um post assim intitulado. Mas ainda não é hoje que escrevo…, este é só a reinar. 

Pedimos desculpa pelo ar vagamente decrepito que este blogue apresenta mas a vida é mesmo assim. Os meus camaradas lá andam na deles e eu na minha. Trabalhei todo o santo fim-de-semana passado e quando assim é o médico diz que devo ficar uma semana deitado. Ora nas ondas do mar, ora na areia da praia. E eu não gosto nada de contrariar o Senhor Doutor. 

Depois…, vou viajar. Depois não, muito em breve. E já se sabe como é nestas ocasiões. Há mais vida para lá da Rede em geral e da Blogos em particular – cheira-me que o ar decrepito que por aqui paira deixará de ser apenas vago… 

Todavia não queria acabar os “intas” sem escrever mais qualquer coisinha…, e não foram poucas, nada poucas, as palavras escritas e ditas ao longo desta longa mas fulminante década. Já lá vai, esta e outras - décadas. 

Por isso mesmo urge (cada vez mais) a prática da escrita livre e critica – nem sempre apreciada, é certo. A tal que pode ser (é!) a arte da política da vida – passados estes anos todos continua a achar que é uma frase enorme, Nuno; estavas inspirado… 

Tudo isto para dizer nada. Ou não. Os blogues são mesmo assim, não sabiam? 

Bem…, vou andando que se faz tarde. Venham mais quarenta, com saúde. Depois, basta!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Férias das férias

Há quanto tempo não rasuro meia dúzia de linhas arcadianas?

A resposta a esta simples questão constitui um belo barómetro do prazer. De facto, nestes anos todos, raramente tenho sido tão sucinto em palavras.

E, de certa forma, isso só pode ser bom. De férias desde o inicio do mês, e até ao fim do mesmo, tenho aproveitado da melhor forma o incrível tardio verão tropical que se instalou aqui no rectângulo.

Já nos últimos dias rumei a Oeste. E tive oportunidade de assistir àquele que devia ser um manifesto momento de puro orgulho nacional. À terceira vez que Peniche recebe uma prova do Campeonato Mundial de Surf já ninguém “no Circo” duvida. Portugal tem, efectivamente as melhores ondas da Europa. O Sudoeste francês é passado e…, o outrora afamado litoral do País Basco já nem sequer é mencionado.

Tugas…, querem emoção e orgulho no vosso cantinho? Esquecei o Ronaldo, o Mourinho e demais ricos bimbos (e bimbos ricos), Para o ano façam como algumas dezenas de milhar e em Outubro dêem um salto a Peniche – mas, por favor, deixem a vossa imundice em casa e limpem o lixo que fizeram na praia, ok?.

Tanta agitação (marítima) deixou-me particularmente enjoado. Que é como quem diz, estou engripado. E todos sabemos como são os homens, ainda que vagamente, doentes. Vi pois a “placa BOX”. Tempo de pôr correio e outras obrigações em dia. Mas primeiro vou ali comprar “A Bola”. Pois “é o Benfica que aqui vai, deixó passar, deixó passar… (…)”.

Volto já.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Em Outubro, tem Carnaval

As férias inter-continentais encontram-se suspensas até “ordem em contrário”.

No entanto…, trinta graus à sombra. Outros vinte e um, pelo menos, dentro de água. Um areal dourado a perder de vista, praticamente deserto. Azul infinito no céu e no horizonte.

Caraíbas? Gold Coast Australiana? Nordeste Braisleiro?
Nada disso…, sem mosquitos, nem alforrecas venenosas e muito menos tubarões. Simplesmente, Costa da Caparica…, nesta altura do ano a pouco mais de quinze minutos do centro de uma das mais belas capitais europeias. Falta a aventura e os coqueiros. Sobra o tempo; sobram as boas leituras. E o perfeito “dolce fare niente”.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Uma manhã de ondas assim


Há manhãs de ondas assim. Primeiro, começamos por ficar simplesmente sem palavras. Depois lá conseguimos balbuciar algo elementar como um “puro stoke”.

Há manhãs de ondas assim. Onde ultrapassados que estejam os medos e receios vislumbramos que afinal a evolução está latente e patente em cada linha que é rasgada nessa superfície liquida da cor do céu.

Há manhãs de ondas assim. Em que curva após curva vamos ficando presos na memória das palavras da eterna Sophia: “puro espaço, lúcida unidade” no local onde “o tempo apaixonadamente, encontra a própria liberdade”.

Há manhãs de ondas assim. Onde por um par de horas tudo parece fazer sentido. Onde o mundo, afinal, parece ser um lugar deslumbrante e perfeito.

Há manhãs de ondas assim. Onde agradecemos à álea nos ter colocado no caminho aqueles que um dia nos disseram: “vá anda dai…, vamos fazer umas ondas…”. E a eles, uma vez mais, ficamos eternamente reconhecidos.

Manhãs de ondas maiores que palavras e ideias. Manhãs de ondas que no fim terminam com uma forte exclamação: Deus existe! Pois apenas desta forma é possível compreender a realidade daqueles instantes.

Hoje foi uma manhã de ondas assim.

PS: imagem de Jon Frank (link) dolosamente sacada deste extraordinário blogue (link)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

De regresso

Foram três semanas magníficas. Sinceramente, cada vez gosto mais de gozar férias naquele espaço de tempo a que habitualmente chamam “fora de época”.

Primeiro, duas em Marrocos. Com esta foi a quarta vez por aquelas bandas. Podia ficar aqui o resto da tarde a relatar as aventuras e desventuras marroquinas. Quedo-me apenas por uma frase vagamente xenófoba mas que faz todo o sentido. Marrocos sem os marroquinos seria extraordinariamente espectacular. Assim é apenas simplesmente espectacular.

Depois, uma semana num secret spot perfeito. Sempre que para lá vou questiono-me o que é que tanto milhar de tugas vai fazer para as Caraíbas em doentios “Tudo Incluído” quando temos aqui, a apenas algumas dezenas de quilómetros de casa, aquele que ainda hoje está considerado como o ultimo troço de praia selvagem da Europa. E mais não digo…

De regresso. Agora segue-se o verão. Em Lisboa, que se deseja o mais deserta possível. Depois, em Outubro…, haverá mais do “bem bom”.

De regresso, sim. E com vontade de dizer muita coisa. Pois os tempos não estão para silêncios.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Cinco? Apenas cinco?

Mudando de assunto…
Algures por esta Rede fora, num dia assim, alguém me desafiava a indicar as cinco cidades que mais gosto ou que mais me encantam ou…, coisa do género.
Cá ficam elas…, também aqui.

Lisboa, porque é a minha e é eterna;
Rio de Janeiro, porque é simplesmente maravilhosa;
Florença, porque é centenária mas permanece bela;
Sydney, porque se pudesse apanhava já o primeiro voo para nunca mais voltar;
Bangkok, porque.., xiiuuu…, é melhor não dizer…, pode estar alguém a ler.

Mais cinco…?

Buenos Aires, porque tem o Tango, o Boca e tudo;
Fez, porque é já ali além mas será sempre uma viagem no tempo;
Londres, acho que não é necessário dizer porquê;
Chiang Mai, porque é tropical mas também fresca e encantadora;
Coolangatta, simplesmente porque a amo.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O ocaso de uma década

1. Mais do que um ano, termina hoje uma década. Do fundamental ponto de vista do crescimento económico, uma década que será rapidamente apelidada pelos cientistas sociais como “a década perdida”. Os inelutáveis números estão ai: em Portugal, nesta década que agora finda, praticamente não crescemos.

2. Neste ocaso, o gueto a que chamamos Portugal é cada vez mais controlado e dirigido por gangs: Partido Socialista – o gang maior, um verdadeiro polvo – Maçonaria, Opus Dei. A estes juntam-se grupos menores, como as diferentes corporações que vão ajudando a esticar a cada vez mais esfarrapada manta social.

3. Setenta, oitenta, noventa e agora esta para a qual não tenho nome. Tempos diferentes, idades diversas, formas distintas de ver o Mundo em que estamos e que nos rodeia. Termina a quarta década que atravesso.

4. Não sou dado a grandes balanços, muito menos dado a ganhar balanço. Mas é impossível reparar que esta, pessoalmente, foi uma década plena. Trabalhei muito, estudei muitíssimo. Obtive a minha licenciatura, uma pós-graduação e vou deixando uma tese de mestrado a meio caminho. Voltei a fazer bodyboard – algo que me confere um prazer imensurável. Ganhei e perdi inúmeras vezes. Como qualquer pessoa ri e chorei, as vezes de alegria. Conheci amigos para a vida e também conheci alguns que, hoje, dou graças por estarem bem longe. O meu Querido Clube não ganhou tantas vezes quanto gostaria e…, vou me abster de fazer comentários mais íntimos ou familiares pois esta casa não é uma revista cor-de-rosa.

5. Temos ainda isto. A Internet, os blogues e agora as Redes Sociais, que, para mim, aproximam muito mais do que afastam.

6. No dia 31 de Dezembro de 2000, há dez anos, não imaginaria sequer estar aqui onde estou a escrever este texto e estar aqui onde estou a publica-lo. É esta a magia da vida: a eterna capacidade para nos surpreender.

7. O que será de mim, o que serei, o que será de nós, o que seremos no dia 31 de Dezembro de 2020, daqui por dez anos?

8. Feliz Ano Novo, Feliz Década Nova. Que sigamos, todos, vivendo e aprendendo.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Vai-se andando, obrigado

Agosto segue quase a gosto. Demasiado rápido, como (quase) sempre.
Já não me recordo qual o último ano em que gozei férias em Agosto.
Por estes dias a cidade atinge o auge do abandono – hoje a menina da mercearia lá da rua, disse-me que ontem foi o dia “mais calmo” do ano – e eu gosto.

Na semana passada, aproveitei umas folgas laborais, e fui ao Algarve ter com os amigos. De mota, pela Nacional 2. Um gozo difícil de traduzir por palavras.
O Algarve estava verdadeiramente tropical e eu gostei. Como gostei das idas à Caparica no início desta semana durante as pausas do trabalho. Uma Caparica no seu melhor, este ano, estranhamente mais calma a sul “da Vila”.

Também já não me recordo do último dia em que cheguei ao sofá da sala e disse para mim próprio: “é agora que vou ver televisão”. Definitivamente, tenho de cancelar a Sport Tv.
Não tenho ido ao cinema. Da última vez fui ver “Vão-me Buscar Alecrim”. Decepcionante. Se aquilo foi o melhor do IndieLisboa deste ano, então, não perdi rigorosamente nada.

Gosto muito dos gelados do Santini. Gostava de lá ir mais vezes.
Quando posso pego numa Black Morangoska XXL dos Fieis e vou beber para São Pedro de Alcântara. Também gosto muito.

Há anos que estou para fazer um curso de escrita criativa. Quando arranjo tempo para escrever um post assim, acho que não preciso assim tanto desse curso (presunção e agua benta…), mas sim de me disciplinar no tempo para me dedicar mais à escrita.

Quero ir quanto antes ao MUDE ver “Lá vai Ela, Formosa e Segura”, ao La Paparrucha deliciar-me com um Bife de Chorizo e ao Borda d’Água comer uma magnifica feijoada à brasileira.

Tinha outras coisas para vos contar mas agora não posso.
No mais: vai-se andando, obrigado.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Quase tão bom como sexo

Daqui a umas horas parto para Peniche. E por lá ficarei durante vários dias a fazer algumas das coisas que mais me iluminam os sentidos.

Uma delas é viver na praia; por lá ficar até me cansar ou o corpo pedir um qualquer outro suplemento. Ficar por ali horas sem fim, simplesmente a olhar o mar; e sentir uns rapazes e raparigas a desenhar linhas impossíveis nas vagas que beijam a costa. Meninos e meninas mais ou menos crescidos, tão felizes como eu por estarem a fazer aquilo que mais gostam.

Quando me cansar de o mar olhar e assim que licença me conferir, terei o prazer de também nele penetrar. E com ele farei amor. À minha maneira, da forma que a vida me ensinou a ama-lo.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Gosto de ti, porra!

É verdade; já não é primeira vez que por aqui passam os MGMT. Aliás é a segunda vez que a banda norte americana por aqui passa com Kids (link). Porquê? É pá…, simplesmente adoro esta música; aquela linha tripla de sintetizadores com que a musica arranca mergulha-me numa onda de inspiração e momentânea alegria como poucas musicas o fizeram até hoje. Tem-me acompanhado diariamente por opção própria. Mas há pouco, ligo o rádio, sintonizo a Radar e…, lá está ela.
Simplesmente adoro-a e partilho-a. Uma vez mais.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Abanar a anca cinco minutos por dia nem sabe o bem que lhe fazia (VI)

Por momentos somos livres. Livres, tão livres que só nos apetece gritar. Não só pelo momento em si, mas também por mais e mais e muito mais momentos assim. Pois a felicidade deve ser uma coisinha assim parecida. Não há muito a acrescentar ao que já foi dito anteriormente. Porque Deus não é DJ. Definitivamente, Deus é bodyboarder.

Faithless - "God Is A DJ"

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Esta primavera sem fim

Reparei ontem num jacarandá. Um dos muitos que tentam beijar as varandas de Lisboa. Estava a florir de novo, como se de primavera estivéssemos a falar. Dizem os especialistas que por vezes no tempo das castanhas os jacarandás voltam a florir. Eu cá não percebo nada de botânica. Mas este vento leste traz-nos manhãs frescas e limpas; tardes amenas e belas. Cheira a primavera, há um travo a primavera mas não é primavera. É uma nostálgica primavera. Nostálgica porque impossível.

Com Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, Marisa Monte ajuda a colorir com palavras e sons estes estranhos tempos. Oiçam este infinito particular e digam-me se tenho ou não razão. Porque a Marisa toca no ponto G desta questão. O grande problema é quando nos perdemos a entrar.