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quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010

Até amanhã camaradas

terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

Obrigado João Pereira

Não fora os nossos rapazes terem começado a brincar demasiado cedo e o resultado poderia ter sido mais proporcional à diferença entre as equipas...

1-4 em Alvalade é pouco mais que a Académica fez :-)

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Todos (?) pela Liberdade? Por que não assino

Por princípio assinaria toda e qualquer petição intitulada "todos pela liberdade". Porém, seguindo o link que o Pedro fez para o respectivo texto, concluo que se misturou liberdade de expressão com a mera luta político partidária.
O texto começa por enunciar que «O primeiro-ministro de Portugal tem sérias dificuldades em lidar com a diferença de opinião», o que é um mau começo para a petição porque formula um juízo de opinião, subjectivo, e que até assenta como uma luva noutros primeiros-ministros portugueses, como Aníbal Cavaco Silva que agora é o Presidente da República e que disse (não me recordo das palavras exactas) "duas pessoas na posse dos mesmos factos, se estiverem de boa fé chegarão à mesma conclusão".
O texto prossegue com considerações e processos de intenções, dizendo que «É para nós claro que o primeiro-ministro não pode continuar a recusar-se a explicar a sua concreta intervenção em cada um dos sucessivos casos que o envolvem», mas - pese embora esteja a pedir explicações - o redactor do texto já formulou uma conclusão: Sócrates é culpado como nunca outro primeiro-ministro o foi.
Se José Sócrates deve clarificar a motivação da sua intervenção no negócio Ongoing/Media Capital? Parece-me evidente que sim.
Se essa situação se encadeia numa "sucessão de episódios" em que se pode colocar o almoço-que-tinha-pessoas-à-escuta-e-a-"twittar"-o-que-ouviam? Parece-me demais.
Por isso não assino.
Até porque, no que respeita à Liberdade de Imprensa, alguns dos promotores desta petição são os mesmos que aplaudiram Cavaco quando vetou o diploma que impedia a excessiva concentração dos meios de comunicação social...

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segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Todos pela Liberdade

(...)
É para nós claro que o primeiro-ministro não pode continuar a recusar-se a explicar a sua concreta intervenção em cada um dos sucessivos casos que o envolvem.

É para nós claro que o Presidente da República, a Assembleia da República e o poder judicial também não podem continuar a fingir que nada se passa.

É para nós claro que um Estado de Direito democrático não pode conviver com um primeiro-ministro que insiste em esconder-se e com órgãos de soberania que não assumem as suas competências.

É para nós claro que este silêncio generalizado constitui um evidente sinal de degradação da vida democrática, colocando em causa o regular funcionamento das instituições.

(...)

Já assinei. Assine também (link).

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ETA em Portugal (II)

Os media insistem em morder o isco; a populaça, essa, não só morde como morre.
Em Espanha diz-se que foi tonelada e meia, a quantidade de explosivos encontrada na casa de Óbidos – já agora, bonito local, são terroristas de bom gosto. Em Portugal, não. Não foi tonelada e meia mas sim cerca de metade.
O Governo de lá diz uma coisa o de cá outra e ambos dizem que afinal quiseram dizer a mesma coisa.
No meio de tamanho circo mediático apenas uma voz – começa a ser comum – teve coragem para afastar o cenário infernal: Associação dos Investigadores da PJ recusa ideia de «fábrica de bombas». Faz bem, muito bem, a Policia Judiciária em afastar-se de tanta paranóica palhaçada junta.
Neste como noutros assuntos da actualidade, a verdade ameaça cada vez mais ser tudo aquilo de que não se fala.

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domingo, 7 de Fevereiro de 2010

Bonfim

É curioso como ainda tiveste a clarividência suficiente para escrever este (link) excelente texto ainda ontem. Eu preferi deixar para hoje algumas, parcas, palavras.

De facto, a nossa tarde e inicio de noite de ontem mereciam a correspondente resposta por parte dos jogadores do nosso Querido Clube. Mereciam ser coroadas com uma boa exibição, golos e a consequente vitória sem espinhas e deliciosa, tal como a petiscada a Sul.
Eles assim não o entenderam e entraram em campo com uma soberba que há muito não se lhes conhecia.

Foi um jogo estranho, frio, atípico e até as bancadas compostas mas muito longe da enchente esperada, parecem não ter ajudado por ai além.
No final Jorge Jesus veio defender o grupo sustentando algum desgaste da equipa. Compreende-se, mas não cola para nós apaixonados mas vigilantes.

Nada está perdido. Continuamos a depender apenas de nós e desejamos ardentemente que a lição seja aprendida e recordada. Não vale mais a pena chorar pelo leite derramado. A vida continua e o Benfica é parte integrante dela. Por isso, se ontem te dizia no curto mas penoso regresso que não tinha vontadinha nenhuma de ir na próxima terça-feira ao WC, hoje já só espero encontrar o almejado ingresso.

Chutemos os fantasmas com a mesma força apalermada com que o Cardozo chutou para a barra do Bonfim, e continuemos a torcer para que este se concretize mesmo.

Vamos, BENFICA!

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sábado, 6 de Fevereiro de 2010

Por vezes paixão é mesmo só sofrimento

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Contra o autocarro do "chofer" Manuel Fernandes era preciso mais determinação...

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Queirós agride jornalista

Paradoxos

A divulgação de escutas telefónicas consideradas ilegais pelas autoridades judiciais é reprovável?
Não, depende do escutado.
Se for o líder de uma quadrilha criminosa, é um atentado grave ao estado de direito via youtube.
Se for o primeiro-ministro, é um exercício da liberdade de imprensa.
A relação entre a política e a imprensa é saudável?
Mais uma vez depende da perspectiva.
Se for um Governo eleito a tentar controlar os media, é um atentado grave ao estado de direito.
Se forem os media a tentar controlar o Governo, é um exercício da liberdade de imprensa.
As conversas privadas com amigos são sagradas e não podem ser usadas por terceiros?
Lá está, depende da perspectiva.
Se for na taberna, podemos falar mal do Governo, da Oposição, dos jornalistas com "agenda escondida", etc.
Se for num restaurante de hotel, temos de ter juizinho e falar baixo porque nunca se sabe quem pode estar à escuta.
Em conclusão:
há que deixar assentar a poeira, para perceber "quanto" do que é revelado nas escutas a José Sócrates é efectivamente verdade e pode corresponder a um plano tenebroso de controlo do país, e quanto é construção mediática e conclusões desonestas.
E depois, devem-se extrair as necessárias consequências.

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sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

ETA em Portugal

“ETA em Portugal” escrevem as televisões, todas contentes, nos rodapés dos noticiários, enquanto um repórter que está em frente a um portão onde nada se passa debita vacuidades durante "horas".
“ETA em Portugal”!
É impressão minha ou sempre que o país se encontra mergulhado em profunda crise politica, em desespero económico e financeiro, em caos social com o povo nas ruas, e agora, também, à beira da ruína e da falência, a Polícia Judiciária “descobre” pano para mangas?
É impressão minha? Ora essa, claro que é impressão minha!

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Three weeks later

Haiti (link).

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quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Uma semana de Raça, Amor e Paixão...





...que ainda não terminou (o bilhete para Setúbal já está no bolso).

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n músicas lxxxvii

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quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

Estação: Outono/Inverno 09/10 (XII)

Não é por acaso que têm sido premiados um pouco por toda a parte. Estes, talvez para variar, merecem-no, pois a espantosa, limpa e brilhante voz de Florence Welch casa na perfeição com “a máquina”.
Esta é definitivamente uma das canções da estação.

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Afinal era só sexo...

segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Mário Crespo: 75% de honestidade

A crónica de opinião de Mário Crespo que deveria ter sido publicada hoje no JN saiu apenas no sítio do Instituto Sá Carneiro. Mário Crespo podia ter divulgado a sua crónica em qualquer plataforma gratuita na internet, mas escolheu um Instituto ligado ao PSD para fazê-lo.
Aí reside o primeiro pecado da crónica. Mas este pecado releva-se, afinal, nem toda a gente é obrigada a conhecer o Blogger, o Wordpress ou os Blogs do Sapo.
Fica porém a ideia de, caso a crónica batesse tanto em Sócrates como em Ferreira Leite, não sairia nem no JN nem ISC...
O segundo pecado é mais grave. Mário Crespo fala de um almoço em que foi difamado, sendo que havia quatro comensais: José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e um Executivo de Televisão. Mário Crespo identifica apenas 75% dos conjurados, o que reduz a honestidade da sua crónica em 25%.
É pena, porque se não há corrupção sem corruptor e corrompido, também não há pressão sem pressionante e pressionado.
E se a história fica incompleta, a crónica perde a relevância política que se lhe quer dar: tudo não terá passado de um almoço em que Sócrates devolve a Crespo os mimos com que este o tem presenteado?

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Túneis & Media

Por que razão os órgãos de comunicação social pertencentes ao grupo Media Capital (TVI, Mais Futebol, Rádio Clube) não fazem referência, nas primeiras páginas dos seus sítios de internet, às mais recentes imagens do Benfica-Porto?

Note-se que O Jogo (jornal desportivo organicamente ligado ao FCP), não relata os factos: apenas ataca uma manchete d'A Bola!

Note-se que a TSF (também propriedade do "amigo Joaquim"), conseguiu no jornal de desporto desta manhã passar ao lado das imagens difundidas ontem à noite pela SIC, não tendo na primeira página do seu sítio na internet qualquer referência a este assunto.

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Campo Contra Campo (CXLI)

Up in the Air, Nas Nuvens, **

Arrastado por uma onda de criticas positivas fui ver o novo filme de Jason Reitman (que conhecemos de "Obrigado por Fumar" (2005) e "Juno" (2008). Não me arrependi, mas quase.
Up in the Air é apenas mais uma história “da carochinha” travestida de melodrama denso, a espaços bem filmada noutros entediante e as vezes aborrecida. Reitman sabe usar o campo-contracampo, mas até os clássicos sabiam que precisavam de algo mais para fazer um filme digno desse nome. Depois há um soberbo George Clooney que pauta toda a acção. Mas..., no final o que fica?

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domingo, 31 de Janeiro de 2010

República?

É só de mim, ou não deixa de ser estranho que, na cerimónia que marca o início das comemorações do centenário da República, o “povo”, os “criados” e os militares estivessem à chuva enquanto a “nobreza” estava acoitada sob um toldo?

Por que razão, numa comemoração da República, havia um lacaio a acompanhar os dignitários do toldo para o púlpito com um chapéu de chuva?

Já agora, por que raio associou José Sócrates a presidência da Comissão por Artur Santos Silva ao facto de ser «descendente de uma ilustre família portuense de republicanos»?

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O país de sonho dos liberais

Para um liberal, um país de sonho é aquele em que:
  1. O Estado não existe ou está reduzido à insignificância;
  2. Os mais aptos acedem mais facilmente aos bens económicos;
  3. O preço dos bens económicos resultam - de forma pura - da oferta e da procura.
Esse país existe: é o Haiti.

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A minha filha mais velha...

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... com dois anos, além de sócia é Ultra...

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Almoço de família

Na impossibilidade de juntar seis milhões de Portugal e outros tantos espalhados por esse mundo fora, cerca de vinte primos e primas benfiquistas juntaram-se ontem à volta da mesma mesa durante umas horas valentes. Contaram-se episódios, contos diversos, recordaram-se outras tardes e noites; dissesse mal de meio mundo e desejaram-se ardentes e gloriosas paginas para o futuro.

Por outras palavras..., foi uma tarde do caraças, familiar e divertida. Consequência imediata: não me recordo de ver o Benfica tão etilizado na vida. Etilizado eu, não o Benfica, claro. Assim, como ontem jogámos não com onze mas pelo menos com uns trinta e três (era essa a quantidade de camisolas encarnadas que eu vi no relvado quando me sentei no lugar habitual), não foi difícil de bater aqueles selvagens galegos apesar do ilhéu Elmano se ter esforçado valentemente para que o resultado não tivesse sido o que foi.

A todos os convivas, muito obrigado; venha o próximo!

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sábado, 30 de Janeiro de 2010

Arcadia Quiz 2010

O que fica melhor nos escritórios da Moody's, da Fitch e da Standard&Poor's?
  1. TNT;
  2. C4; ou
  3. Pinto da Costa depois de uma feijoada?

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Mais uma do Salazar de saias

“Aquilo que o país precisa neste momento não é de políticos, é de estadistas”
Manuela Ferreira Leite, ontem no debate quinzenal na Assembleia da República, depois de ter dito que viabilizava o Orçamento porque o futuro do país não deve depender de votos, mas daquilo que é o interesse nacional.

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Peço desculpa mas hoje vou estar ocupado

sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Se me permites...




...Pedro (link), a essa excelente lista, falta um que embora eu ainda não tenha lido está no topo da minha lista de espera. O aclamadíssimo pela critica “O Dia D – A Batalha da Normandia” de Antony Beevor.

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Afinal há petróleo!

Depois de Pinto da Costa ter despertado mais umas gargalhadas alarves aos seus adeptos (sim, porque há adeptos do Porto - gente séria - e adeptos de Pinto da Costa) ao dizer que só em Lisboa é que há petróleo e que o FCP não precisaria de se reforçar no Inverno porque preside a um clube organizado e que preparou convenientemente a época, eis que o Porto acaba de gastar 12,5 milhões de euros em duas contratações: Rúben Micael (3 milhões) e Kleber (5,5 milhões por metade do passe, mais Ernesto Farias - o melhor ponta-de-lança do clube - comprado por 4 milhões de euros).
O Sporting, cujos adeptos funcionam como caixa de ressonância do clube de Pinto da Costa e que por isso andaram uns dias com o "petróleo na boca", acaba de gastar 11,5 milhões de euros em três contratações: Pongolle (6,5 milhões), João Pereira (3 milhões) e Pedro Mendes (2 milhões).
Lá está: se às vezes se diz que o que é verdade hoje, é mentira amanhã, parece que nos clubes das risquinhas o que é dizem ser mentira hoje, amanhã se mostra uma lídima verdade...

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Estação: Outono/Inverno 09/10 (XI)

Regresso à dream pop com os fantásticos Beach House que com “Teen Dream” chegam ao terceiro longa duração - acho que esta expressão já não se usa mas cai que nem ginjas numa banda assim -, muito aplaudido até pela mais exigente crítica.
Dizem que o disco não tem uma faixa má. Pois, eu cá não sei nem quero saber: simplesmente acho a musica destes dois (cada vez mais) soberba.

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quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

O JN, a EPUL, e tal

O Jornal de Notícias, que é de uma isenção ao nível da RTP, SportTV e programa "Alô Presidente", vem hoje entrar no campeonato de futebol ao lado do clube seu dono de facto. Pretende o JN (será verdade? será uma "tanga" como as de Tavares Teles?) que o Benfica foi beneficiado de forma escura pela Câmara Municipal de Lisboa. A verdade é que o próprio JN enuncia que «nenhuma irregularidade detectada nas facturas do Benfica foi valorizada, para efeitos de responsabilização criminal dos dirigentes do clube».
Será que um dia o JN investigará em que termos é que o Centro de Estágio do Olival, em Gaia, foi concedido ao FC Porto?...

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Este não é um post sobre o livro de Alain de Botton

De repente deu me uma fúria e desatei a “matar” livros que ando a ler…, há anos. Não é exagero. E só me apercebo que são anos e não meses porque tenho o hábito de rabiscar algumas notas (que nada têm a ver com o livro) nos marcadores – coisas estranhas como a hora de um voo, a marca e modelo de um avião, uma pequena lista de compras ou o endereço de correio electrónico da simpática italiana que vai a viagem quase toda a dormitar com a cabeça no nosso ombro (apenas sonhei com esta ultima, obviamente).

“Quando considero…o pequeno espaço que ocupo e que vejo, devorado pela imensidão infinita dos espaços que ignoro e que me ignoram, enche-me de terror e espanto achar-me aqui e não ali, porque não há razão alguma para estar aqui e não ali, agora e não outrora. Quem me pôs aqui?”

De repente deu me uma fúria, disse eu.
Compartilho inteiramente este dilema com Pascal (que ao que me contam morreu louco) citado por Alain de Botton no seu magnífico “A Arte de Viajar”. Quem me pôs aqui, neste tempo e lugar questiono eu tantas vezes. Porque não tivémos a sorte de nascer na Gold Coast australiana ou o azar de nascer em Port-au-Prince? Por que razão não tivémos a sorte de nascer agora? Por que diabo não tivémos o azar de nascer há dois mil anos? [vês Nuno, nunca mais me esqueci desta (link) lição].

De repente deu me uma fúria, disse eu.
“Toda a infelicidade dos homens tem por única origem não saberem ficar sossegados nos seus aposentos”. Botton recorda-nos também este axioma de Pascal. É tão bom estar aqui e agora a escrever este texto que sei de antemão não será lido por ninguém e muito menos citado ou comentado ou sequer vilipendiado. É uma espécie de masturbação intelectual. No fundo, no fundo, a felicidade absoluta é termos os nossos quinze minutos de fama. Não para o mundo ou sequer para quinze pessoas; mas sim quinze minutos de fama para nós mesmos. Olha para mim aqui a escrever este post. Olha para mim Pedro Manuel e vê como sou famoso.

Eu bem avisei que de repente me deu uma fúria.
Enche-me de terror e espanto “A Arte de Viajar”; é um livro delicioso – deve ter sido por isso que levei tanto tempo a termina-lo. Ah, saborear.

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