segunda-feira, 9 de maio de 2005

Nós Falamos!!!



Podia ser o slogan de um anúncio dos animais de G. Orwell, ou de papagaios, ou mesmo de políticos, qui ça... mas não é. O título ocorreu-me a propósito da leitura de uma notícia da ANACOM, a entidade reguladora das comunicações electrónicas, a informar que até ao final do ano passado, havia 9,96 milhões de assinantes registados, entre planos de assinatura e cartões pré-pagos!

Diz ainda a notícia que a taxa de penetração (conceito fálico este!) dos telemóveis em Portugal encontra-se nos 95´%, acima da média europeia que se situa nos 88%.

Conclusão: a lábia não é política, é portugesa! Ou melhor, é política portuguesa!

NCR

sexta-feira, 6 de maio de 2005

A direita contra-ataca

"Paulo Portas quer criar uma fundação para a Direita. Um espaço de afirmação de liberais e conservadores contra a hegemonia da Esquerda. Nos EUA, recolhe apoios para o seu novo projecto político. Donald Rumsfeld, Frank Carlucci e John Palmer estão entre os apoiantes do futuro ‘think tank’ da Direita portuguesa".

Esta é hoje a manchete d' O Independente.
O jornal já não trazia uma noticia tão boa desde o primeiro numero, quando nasceu.
Não é apenas por ser um ‘think tank’ de direita conservadora e liberal, é essencialmente por ser um ‘think tank’.

Quem explica bem a necessidade da direita parar para pensar é Henrique Raposo no Acidental: "(...) é preciso um combate cultural. Mostrar às pessoas que o "sublime" foi entendido por Burke e destruído pelos pós-modernos. É preciso gritar: "não, arte e cultura não são património das esquerdas". Iniciativas? Exemplo: É preciso colocar Lisboa no mapa das exposições dos pintores clássicos. Isto, meus caros, também é fazer política. Quem não entende isto, percebe tanto de política como um esquimó percebe de bronzeadores."

Enfim, esperemos que não seja mais uma manchete "à independente" e que na verdade Portugal deixe de estar apenas na rota das grandes competições desportivas, para passar também a estar na vanguarda das ideias e das políticas.

PSL

Não há quadros negros...







...quando os dias rebentam fendas de cor




NCR

A Perfeição não existe...



...apenas a sua feição.

NCR

quinta-feira, 5 de maio de 2005

A festa

O Abrupto faz amanhã dois anos, e...está em festa.
Por vezes até podemos não gostar, mas o blogue que mudou a face da blogosfera lusa merece uma enorme salva de palmas.
Parabéns, ainda que adiantados.

PSL

|| (IV)





PSL

quarta-feira, 4 de maio de 2005

Número três da Al Qaeda detido no Paquistão



Saber mais.

PSL

Pedro Santana Lopes

Não vi na totalidade a entrevista à SIC, apenas excertos.
Do pouco que vi, facilmente deduzo que Santana se mantém inteligente e irónico qb. Lançando farpas em todos os sentidos, Santana não se coibiu de falar do passado, presente e futuro, lançando presentes envenenados em todos os vectores do espectro político.
O homem que um dia ameaçou deixar a política por causa de um humorista rasca, deixou bem claro que em política o que hoje é verdade, amanhã poderá ser mentira.

"Vou voltar a exercer advocacia, que é a minha profissão, vou dar umas aulas e vou trabalhar para um grupo financeiro na área internacional. Um ex-primeiro-ministro conhece muita gente, em África, na Europa, na América Latina"

Ora, nem mais!
Tudo isto me leva a dizer.
Santana pode ir embora não faz falta à Nação.
Opps, queria dizer...
Santana pode ir embora? Não, faz falta à Nação!
Nem que seja para animar as hostes.

PSL

Pessoalização



Há pouco mais de três meses escrevi: «Um dos maiores erros do entendimento humano actual, na senda do empirismo de Locke que relevou a análise e a observação na formação do conhecimento, é cada vez mais discutirmos os conceitos e as ideias pela bitola da personalização. Ou seja, é crescente a incapacidade de se discutir e analisar os problemas que afectam a sociedade política ou as questões às quais se deve dar resposta com o necessário divisor comum que é a abstracção

Apesar de não querer falar especificamente sobre a personalização da discussão, vem todavia a propósito, porque se insere numa problemática semelhante que é a da pessoalização da acção política.

Parece que a conselho de um dos mais bem sucedidos estrategas de campanha política australiana, Lynton Crosby (que levou o conservador John Howard - actual primeiro-ministro - à vitória das eleições de 1996 e de 2001, sobretudo através de um ataque pessoal ao trabalhista Paul keating), Michael Howard, candidato conservador a primeiro-ministro britânico, mudou de táctica e a sua acção política passa sobretudo pelo ataque pessoal, ou seja, parece que o objectivo principal da sua campanha é Blair, e não as suas políticas, as suas posições e respectivas ideias e programa. tories.

Se Howard for tão bem sucedido como o seu homónimo australiano, podem as eleições, e a política no seu todo, tornarem-se num laboratório redutor e básico de novas formas de fazer política e da própria governação, pois os instrumentos e os argumentos utilizados têm impactos deveras fortuitos e imprevistos. Apesar de útil como ferramenta de marketing e de conquista de poder, a pessoalização da discussão política é no entanto uma ferramenta perigosa a vários níveis: pedagógico, cultural, democrático, social, ou seja, do bem comum.

Para além disso, contribui para o afastamento das pessoas da política e para o esvaziamento cultural das elites políticas, tornando-as (ou mantendo-as) mesquinhas, desconfiadas, egocêntricas, prejudicando dessa forma a abertura, a tolerância e a confiança democráticas, valores que devem estar quer na classe política, quer, o mais possível, em toda a classe popular.

Esse quadro de juízos é bem ilustrado por uma sondagem encomendada pela SkyNews que mostrou que 62% não confia em Blair e 66% não confia em Howard! Ou seja, o próximo primeiro-ministro não terá a confiança da maioria (absoluta) do eleitorado (nos termos da amostra)!

Desconfiança ou esconjuração?

NCR

terça-feira, 3 de maio de 2005

PALETA DE PALAVRAS VIII

ESPERANÇA FÍSICA

«Sei que há mil sonhos por cumprir,
sei que há mil sorrisos por abrir,
não sei quanto chão há por aí,
mas espero que haja muito sol para ti e para mim.

Sei que há vida por aqui,
sei também que ainda não a vivi,
não sei se ela procura ou para onde vai,
mas o que ela tem de mim está em ti.

Sei que há uma corrente de mar,
sei que o céu pode desesperar,
não sei se todos os ventos brandi,
mas lutei contra todos os que vi.

A morte pode abraçar-me devagar,
depressa, suave, ficar ou abalar,
porque sei o fim que já senti,
e saberei dizer sim, não percorri!
O tempo e o espaço conheci,
resta contrariar a energia deste fado solar
com a mesma massa e força que o escrevi.»

© Miguel Pessoa Campomaior, in "Poesias Urbanas".

ESPUMAS V

«Caí num copo de água. Felizmente, não tinha água. Se tivesse, diluía-me nela, espraiando-me como um átomo num buraco negro. Cair num copo de água é mesmo assim: ser uma estrela cadente a caminho da felicidade de algum céu de boca. E o copo, pobre coitado, ainda me disse:
- Não gosto de aspirinas e elas também não devem gostar de mim. Sou como uma cadeira eléctrica para um condenado à morte, quando entra nela já não sai, vivo. Treme, esperneia e a sua vida desaparece. E tudo para bem da nação do corpo e do governo da mente. A aspirina é a minha pena de prisão. E morre, para mal do meu cúbico sentido.
Cúbico sentido?! Então e eu?! E vem este agora falar-me em cúbicos, quando estou no ‘corredor da morte’ à espera de um tsunami torneiral? Toda a gente se queixa neste país, safa!»

Miguel Pessoa Campomaior

Porque, também eu sou “um” conservador...

...leiam, por favor.
Sim, por favor.
Este brilhante, lúcido, genial, magnifico, inteligentíssimo, portentoso, escrito (link) de Miguel Esteves Cardoso, como só Miguel Esteves Cardoso sabe escrever.
Obrigado.

Apenas para levantar um pouco o véu: “Os conservadores amam a tranquilidade - regras estabelecidas e conhecidas por todos; padrões colectivamente aceites; tradições comprovadíssimas que não só não custam como apetecem - mas odeiam "ordens".
São individualistas ferozes - mas colectivos na aplicação dessa exigência. Cada um é senhor e cada uma é senhora do seu nariz. Ou, conservadoramente falando, do nariz dele e do dela. Mandar é coisa feia. É atroz. Já basta o que manda em nós, por virtude ou desgraça de sermos humanos e termos de viver em sociedade.”


PSL

Sol e sombra

Assim como se anunciam os de toiros, Sócrates, já aqui tínhamos escrito, anunciou “6 medidas 6” para combater a dilação da Justiça.
Como eu percebo pouco da coisa, praticamente limitei me a fazer copy-paste do discurso de Sócrates.
Mas ainda bem que a iuris-blogosfera anda atenta...
"Seis = Medidas = Seis" a ler aqui (link) ou aqui (link).

Com a devida vénia se copia um excerto: "Em suma - Não serão significativos os impactos destas seis-medidas-seis. Trata-se de um primeiro pacote, é certo. Mas o que não se pode é deixar de constatar uma clamorosa contradição de princípio: o engenheiro Sócrates queixou-se de que o sistema judicial prejudicava a eficácia (ou eficiência? Acho que ninguém sabe!) do tecido económico e empresarial. Mais uma providencial descoberta para justificar sucessivos erros de políticas económicas e fiscais, para não falar da falta de modernização dos empresários (continua a ser a única categoria profissional sem exigência de um mínimo de qualificações) e das empresas, mas enfim, o que é preciso são apoios do Estado e fundos da U.E., para não se entrar em colapso económico, tudo por culpa do sistema judicial"

PSL

Eu é que sou o neo-con "tuga"

"Amanhã, no Pentágono: Paulo Portas vai ser condecorado por Donald Rumsfeld".

PSL

segunda-feira, 2 de maio de 2005

O estranho triângulo (IV)

Para ter uma palavra activa no Sec. XXI a União Europeia terá de se transformar na Europa Unida.
Os Estados que enformam a UE terão de abdicar um pouco mais das suas políticas unilaterais e da sua soberania, no sentido de enfrentar os novos desafios transcontinentais. Será necessário criar um espirito de unidade e coesão únicos.
Aqui chegados mais do que certezas, tenho duvidas.
A veia atlântica terá de ser mitigada. Os EUA tem de passar a ser encarados como parceiros que dão jeito. Só isso. Não podemos seguir o “cherne” para todo o lado. Mas tal terá de ser feito com ritmo e não a espaços.
Sobretudo o que falta para uma verdadeira Europa Unida é estratégia. Uma estratégia ambiciosa assente em políticas económicas vanguardistas mas também proteccionistas. Será sempre necessário evoluir economicamente mas também manter a liderança nos direitos humanos, sociais, económicos e culturais.
Uma Europa rica não só no aspecto económico mas também em todos os outros que conformam a vida humana.
Serão ainda necessárias políticas no âmbito demográfico. Mais do que políticas coesas de imigração é fundamental aumentar a natalidade no espaço da União. Isso só será possível com políticas que apoiem a família de forma eficaz. Portugal é um exemplo a não seguir....
Os últimos dados revelam que caso a Europa não reaja rapidamente e de forma muito seria, em poucas anos, talvez décadas ficará na cauda das civilizações.
O assunto é serio e não está a ser debatido ao mais alto nível.
Não gostaria de viver num espaço comunitário, onde a única solução fosse ir a reboque dos diktat de Washington.
Este é um desafio imenso. É o desafio.
Será que a geração política que conduz os destinos da União Europeia se encontra ao seu nível?

PSL