segunda-feira, 28 de março de 2005

On tour... (IV)

Eu a querer fugir da modernidade e com um pc ligado à net, à porta do quarto...
Foram tres (teclado em italiano...) dias verdadeiramente surpreendentes e totalmente deslumbrantes em Florença.
Muito haveria a escrever, mas a visita de hoje à Cappella Brancacci excedeu todas as expectativas!
A ma noticia: Vamos embora amanha. A boa noticia: Vamos para Siena e Arezzo (dois dias) e depois..., Veneza.

PSL

On tour... (III)

Cappella Brancacci


Adao e Eva Expulsos do Paraiso por Masaccio.



Sao Pedro Ressuscita o Filho do Imperador por Masaccio e Lippi, pormenor.

PSL

sábado, 26 de março de 2005

Férias



O Pedro foi para Oriente, eu vou para Ocidente de Portugal. Durante uma semana não vou poder escrever aqui no Arcadia. Ficam também os leitores de férias, dos meus posts melhor dito. Até ao meu regresso.

NCR

Sobre o comentário

Não sou contra o comentário feito por jornalistas, todavia, é essa a razão que me leva a escrever este post, pois começa a ser um caso sério de não pluralismo dos líderes de opinião pública e de falta de opinião habilitada o facto de a maioria dos comentadores provier da carreira jornalística. Não tem tanto que ver com as habilitações académicas ou a experiência do labor, o problema principal é que supostamente os jornalistas são aqueles que dão as notícias e não aqueles que, cumulativamente, as fazem e as comentam, ex officio, baseados em pressupostos subjectivos e pessoais sob pena de colisão com a liberdade de expressão e de separação de funções/competências nos meios de comunicação social.

Os jornalistas não devem ser comentadores no artigo da notícia que escrevem. Acho uma perversão da informação. Os jornalistas podem comentar notícias sim, mas não quando são os próprios que as escrevem. Doutra forma, chega-se ao cúmulo de não poder distinguir-se a notícia do comentário. Como poderá ser permitido ou legítimo, a um juiz, numa sentença, alterar os factos alegados pelas partes num processo judicial?! É curioso como chega a comentar-se os factos, antes de a notícia passar. Não roçarão estes casos, situações de manipulação ou influência (directa) na percepção e compreensão do espectador? Mutatis mutandis, imaginem um juiz a dar uma opinião sobre um caso concreto antes de outro juiz o julgar?

Os comentadores devem ser produtores de ideias analíticas, precursores nas análises reflexivas, confirmadores da memória histórica dos factos, renovadores na fórmula comunicativa de descrição dos assuntos objecto de comentário e análise. Mas poucos, raríssimos, o são.

Como acréscimo, os comentadores devem também ser cultos, independentes, heterodoxos, analíticos, intelectualmente honestos e, de preferência, claros na comunicação. Não se trata de possuírem ou criarem ideias novas, antes tentarem recriar, comprovar ou deconstruir ideias ou factos que visam comentar, depois de eles serem dados a conhecer ao público e desde que não sejam os próprios a tratarem jornalisticamente a notícia. Mais do que narradores, os comentadores devem ser explicadores e lembrar também as pré-compreensões da matéria comentada. Como pudessem fazer o cubo de Rubik de uma outra forma, ou mesmo terminá-lo, mas sem deixar de dizer que o cubo é um cubo e que é de Rubik!

Julgo que um dos maiores problemas que levanta esta temática é saber distinguir os limites e a diferença entre a figura do comentador (na quase totalidade são jornalistas) e a de articulista (maioritariamente jornalistas ou ex-jornalistas). Como as fronteiras estão nubladas, é natural que surjam problemas de pluralismo e de liberdade na transmissão da opinião.

A protagonização crescente dos comentadores nos meios de comunicação social não deixa de ter os seus perigos e inconvenientes, porquanto levada à (quase) exclusividade convida à preguiça do raciocínio, à limitação dos enquadramentos, à fixação de compreensões típicas de um olhar ‘jornalístico’ que, por natureza, não é criativo, inovador ou, mesmo, analítico, e muito menos com responsabilidades maiores na transmissão de saberes e de aprendizagens. Esta, pelo menos, não é a sua vocação. A vocação do jornalismo é, segundo a primeira norma do código deontológico do jornalista consagrado na 2.ª edição do “Livro de Estilo” do Jornal Público:

«1. O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público

A protagonização dos comentadores-jornalistas acresce a ex officio limitação da deontologia profissional e do vínculo laboral, para além de não promover a opinião especializada ou académica. Sem esquecer que um comentário é uma opinião, todavia deve ser uma opinião habilitada, responsável, individualmente independente, imparcial e eticamente irrepreensível (sobretudo quando se trata de um jornalista!).

Outra finalidade do comentador no que respeita ao público, para além das narrativas opinativas e explicativas, é interrogar. Interrogar sobre aquilo que pensamos que sabemos e sobre aquilo que não pensamos, nem sabemos. É pouco, mas já seria excelente. Sócrates dizia que o saber provinha da pergunta, mas só depois dela ficaríamos a saber, ou seja, não há respostas sem perguntas e o conhecimento está na resposta, mesmo que seja negativa sobre o saber. Este entendimento tem toda a actualidade no mundo em que vivemos, pois cada vez mais conhecem-se as respostas sem ter havido qualquer esforço interrogativo de reflexão, isto é, não conhecemos a causa e o pincípio do que julgamos saber. O desnorte do nosso sentido de viver talvez resida aqui. Como dizia Pessoa, Pensar incomoda como andar à chuva. E aquele que pensa, ainda se arrisca a ser acusado de ter a mania que pensa. Eis o nosso admirável mundo novo.

NCR

sexta-feira, 25 de março de 2005

quinta-feira, 24 de março de 2005

A minha mota

Durante alguns anos colaborei com a revista MOTOCILISMO, publicação mensal especializada. Numa primeira fase fiz reportagem sobre eventos mototuristicos. Depois corri o pais de “Lés a Lés” escrevendo alguns roteiros de fim de semana, apresentados na revista como sugestões de viagem. Esse tempo passou, pelo menos por ora.
O curioso de tudo isto, é que a blogar, muito raramente tenho escrito sobre uma das minhas maiores paixões: As duas rodas motorizadas.
Tudo isto porque ligam me esses velhos amigos, à guisa de um trabalho que realizam para a revista do mês de Abril.

Os jornalistas têm algumas ideias estranhas. Pedem me um texto para “ontem” com quinhentos caracteres.
Para os que pensam que blogar é inútil, hoje tive uma das mais eficazes respostas. O texto infra surgiu assim..., em cinco minutos..., mas, sem os quinhentos caracteres que me foram pedidos.
A síntese é que ainda precisa (e muito) de ser desenvolvida.

O BLOG ARCADIA, orgulha se assim, de dar à estampa a sua primeira pré publicação. Um humilde texto sobre a minha mota, que será dentro de alguns dias publicado na revista MOTOCICLISMO.



Haverá algo que ainda não tenha sido escrito ou dito sobre a ST1100?
Devo dizer que a minha experiência com a clássica da casa da asa dourada, se materializa em cerca de uma centena de milhar de quilómetros percorridos desde 1998 com a versão sem ABS. A moto tem se revelado uma fidelíssima companheira, quer o terreno sejam espaços abertos, quer as acanhadas ruas de Lisboa.
Não me lembro de ter queixas assinaláveis. De Viena a Edimburgo de Marraquexe a Lisboa, do Pulo do Lobo a Praga. Do deserto às Higlands Escocesas. De casa para o trabalho.
A ST1100 tem se revelado “pau para toda a obra” sem nunca ter traído o seu dono!
Pontos fracos? Sim, a travagem podia ser melhor. Sim, o comportamento a solo podia ser melhor. Pontos fortes? Economia, eficácia, conforto, estilo, classe, dinâmica, mesmo numa mota com mais de trezentos quilos.
Haverá algo que ainda não tenha sido escrito ou dito sobre a ST1100?
Claro que sim. Cada proprietário, terá as suas historias para contar..., que não devem ser poucas. Mas de certo sempre muito agradáveis.



PSL

Indo eu, indo eu...







PSL

quarta-feira, 23 de março de 2005

Porque é que a blogosfera tem de ser assim?

O país relativo, o blogue, acabou.

PSL

Campo Contra Campo (VIII)

MILLION DOLLAR BABY *****

Podia estar um dia inteiro a escrever sobre o filme de Eastwood.
O que foi para si Million Dollar Baby?
Ainda não viu?
Não perca mais tempo a ler este post. Vá ver.
Para mim?
Bom, para mim, Million Dollar Baby é um filme sobre nós: os humanos.
De que somos feitos? Porque somos assim? Qual a nossa verdadeira natureza?
Aborrecemo-nos, zangamo-nos com coisinhas. Com o vento que sopra de sudeste e nos invade a cidade com o fedor que vem das chaminés do Barreiro. Com o Professor porque fala muito depressa. Com o chefe, que é um chato, com a vizinha porque o cão ladra, com o vizinho que nos acorda com o berbequim. Porque o mar não se enquadrou comigo. Com a vida, com os outros, connosco. Porque sim!
Porque sim!
Tenham juízo.
A vida é bela, basta saber vive-la.
Porque de um momento para o outro estamos ali, presos, imóveis, onde já não resta nada. Nada…!
Talvez por o meu meio de transporte ser um veiculo com duas rodas - há tantos anos que ando de mota… - talvez porque já perdi amigos que não se souberam defender. Tal como Mary M. não se soube defender.
Talvez, porque, sei lá, tenho medo, muito medo, de um dia ficar assim. Ali, como a rapariga do milhão de dólares…
Onde está a dignidade humana numa vida que nunca mais poderá ser vida?
De resto. Eastwood é enorme. Pelo que filma, mas essencialmente pelo que não filma. Não é a luz que pauta a realidade, mas sim a sua ausência.
Eastwood está na galeria dos mágicos, e assim entendo, porque tenho uma cassete de VHS religiosamente guardada com "Imperdoável", que ando há mais de três anos para arranjar tempo de ver.

PSL

Soup - Surf Culture Magazine



A SOUP surf culture magazine é uma revista interessante para quem tem uma ligação marítima com a vida. Uma revista de bom gosto, de toque refinado e com excelência e criteriosa escolha de conteúdos. Uma metro-revista arriscava-me a chamá-la.
Em baixo podem ler o editorial da revista e clicar nas capas para ver os filmes promocionais dos números da revista já´publicados. In (joy):

«Soup é...
... as cores de um fim de tarde, a sensação de andar descalço na areia molhada, o prazer de conhecer novos sítios, as aventuras e desventuras, as imagens que não se esquecem... as caras que marcam... as vidas daqueles que sentem, vivem e sonham... as ondas.

A Soup também é...
... uma fogueira na praia, uma noite de verão, uma viagem à montanha, uma guitarra... um copo de vinho, uma boa piada, uma longa viagem de carro... uma praia deserta... uma praia de inverno... o calor do verão, o sal no corpo... um bom filme, a boa música, uma boa conversa... uma forma de expressão... a mulher, o homem... o corpo, a cara... a alma... o bom que é viver...a natureza, o mar... o surf



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NCR

terça-feira, 22 de março de 2005

Links liberais

A propósito de um arrumação nos links, gostava de destacar estes três:
Levantai hoje de novo
Liberal Libertário Libertino
Speakers Corner Liberal Social
Este ultimo, o blog do neófito Movimento Liberal Social (link).
Já agora muitas felicidades e longa vida são os meus votos para este movimento que agora nasce...

PSL

Voyeurismo cínico

Nunca tal me tinha acontecido!
Esta noite decidi ir ao Alvalaxia espreitar aquele jogo de futebol a que chamam clássico.
Eu, Benfiquista ferrenho, na casa do maior rival cinicamente a assistir à queda dos do Norte.
Porquê? Como dizia um dos muitos comentadores da SPORT TV antes do jogo, era uma partida em que "o Benfica só tinha a ganhar, muito a ganhar". Portanto, se o Benfica ganharia sempre, eu fui lá. Obvio.

O lado negro da força, desceu em mim, e qual Darth Vader, invadi os terrenos do adversário. A miséria deste instigou os sentidos e uma palavra define o que vi e vivi: Mediocridade.
É a segunda vez que vou ao Alvalaxia para ver bola, desta feita para o piso superior. Ainda é pior que o piso térreo. Aquele campo de bola está para a nova Luz como a pensão estrelinha para o Hotel da Lapa.

O ambiente: Ridículo. Casa meio cheia, muita cadeira sem rabo.
As claques: Para mim o futebol vive tanto do jogo com dos adeptos. Adoro o fenómeno Ultra, no seu aspecto positivo. Gritar, incentivar, cantar e apoiar…A Norte o Directivo apresenta uma "coreo" ridícula, onde pontificava um emblema do clube enorme mas às tiras. A Sul confirmei a minha ideia, a Juve vive moribunda. A um canto menos de mil do Colectivo e dos Super. O apoio vocal destes não existiu, dos da casa pouco se ouviu.
O jogo: Paupérrimo. Os das riscas verticais parecem m grupo de excursionistas que se juntaram meio hora antes do jogo para dar uns pontapés numa bola antes do "piquenic". Os das riscas horizontais fizeram o que puderam, a jogar em superioridade numérica quase uma hora e contra nove, quase meia hora. De certo que há jogos da terceira divisão mais emotivos

O novo mito urbano diz que o Benfica joga pouco para tão grande vantagem. Uma mentira do tamanho do mundo. O Benfica joga mais que eles, por isso leva vantagem de seis pontos de todos os adversários ao titulo.
Temos tudo, tudo, tudo para ganhar o Campeonato.
Não, ainda não ganhámos!
Sim, estamos eufóricos. E merecemos!

PSL

segunda-feira, 21 de março de 2005

PALETA DE PALAVRAS V

«Mais importante, a própria Europa divide os europeus, pois a "questão nacional" surge em cada um dos países europeus. É um caso de valores, inspirado pelo receio. As pessoas querem saber aonde é que pertencem e nesse processo viram-se contra os EUA e para a Europa ou contra a Europa e para o seu país. De qualquer das formas, deixamos a política e entramos do domício dos símbolos e dos mitos.
Este é, de qualquer forma, o principal risco que os países democráticos enfrentam, pois a política dos valores é um desenvolvimento perigoso. Reintroduz divisões fundamentais em sociedades cuja maior conquista democrática foi precisamente banir o fundamentalismo da política. O debate público esclarecido deve ser uma disputa sobre política contida por uma comunidade de valores. Insistir nisto é portanto um objectivo primário da política da liberdade.»

Ralph Dahrendorf no Público de hoje.