sexta-feira, 7 de setembro de 2007

ArcádiaQuiz V

Segundo João Salgueiro (presidente da Associação Portuguesa de Bancos), os bancos actualmente têm menos dinheiro em caixa do que:
  1. os supermercados;
  2. a mala do António Preto;
  3. os parquímetros.

Caruso e Pavarotti

Além do (incontornável desde os 3 Tenores do "Itália '90") "Nessun Dorma", esta é a minha canção favorita de Pavarotti:
Senhoras e Senhoras, apresento-vos "Caruso":



Caruso Lyrics

Alguém faz o obsequio de me explicar…

...o que é e o que faz um:
Tecnólogo Educativo;
Ecónomo;
Equitador;
Soprador de Artigos de Laboratório.
Estas e outras (muitas outras) “coisas” estranhíssimas podem ser conhecidas aqui (link). E depois não queriam uma profunda remodelação das carreiras profissionais da função pública.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Interpretar o intérprete

Até quando o tema parte do futebol, Miguel Poiares Maduro, ensina-nos alguma coisa. As "lições" do futebol…, a não perder no excelente Geração de 60.

Hélder Rodrigues




O piloto português sofreu na terça-feira um acidente grave no Rali Patagónia-Atacama e, em consequência, foi operado.

Nessa operação foi-lhe retirado o baço.

Ele agora está mais nítido.

A natureza da ciência

Volta e meia a Ciência manifesta-se para nos dizer o que é a Verdade. E é mesmo a Ciência que surge, apesar de falar através dos seus profetas, os cientistas, que têm sempre a Certeza na boca, pese embora digam sempre (raramente acerca dos seus próprios domínios...) que é verdade absoluta não haver verdades absolutas. Vem este post a propósito de um dos "best-sellers" do ano, o livro "O Segredo". Trata-se de um livro de auto-ajuda que pretende apresentar, de forma organizada, uma "lei da atracção" segundo a qual os pensamentos gerarão consequências físicas. Parece que no livro (que não ainda li), há cientistas que defendem a validade dessa lei, e que se baseiam na mecânica quântica (coisa de que percebo tanto como o Fernando Santos de tácticas de futebol), e aí está o crime, sempre que aparece um cientista desalinhado, a censura corporativa cai-lhe em cima com estrepitosa potência:
«Pode até haver um dois cientistas confundidos e que gostam de confundir os outros, mas duas ou três andorinhas não fazem a Primavera. Um grupo de dois ou três cientistas não formam a comunidade científica. Alguns cientistas também "se passam" e, nesse caso, as habilitações anteriores não lhes servem de nada...»
Mais, a Ciência (que não gosta que se se sentir apalpada), também é uma óptima conselheira literária, e neste momento a Ciência diz-lhe para não ler obras de ficção mágica (lá terão "Os Lusíadas" de ser retirados dos programas escolares...):
«Neste momento quase toda a gente em quase todo o mundo está a comprar "O Segredo" e o "Harry Potter". (...) Mas julgo que só há uma maneira de o contrariar: incrementar a cultura científica, o que passa por mais e melhor ciência na escola. A escola - que deveria transmitir uma atitude científica - é fundamental para não nos deixarmos iludir.»
Enfim, é Ciência que nos dá a Verdade, tudo o resto é erro e opróbrio:
«Muitos cientistas pertencem a organizações que defendem o cepticismo e a razão, que estão subjacentes à ciência e que são os meios mais eficazes para nos confrontarmos com a realidade.»
Fico à espero de ler no De Rerum Natura uma análise científica com o mesmo nível de desassombramento sobre um livro e sobre uma ideia:
Em primeiro lugar, a Bíblia (que sob o ponto de vista que descortinamos no De Rerum Natura também não passa de um livro de auto-ajuda cheio de ficções mágicas);
Em segundo lugar, a ideia de Deus. É que, se é por ser «necessária uma base empírica sólida e o consenso da comunidade científica», que o «"princípio de atracção" pura e simplesmente não existe na física quântica», então o De Rerum Natura está em condições de anunciar ao mundo que Deus não existe?

Para ti Pavarotti - Una Furtiva Lagrima

Uma das minhas árias preferidas cantada por Pavarotti.



«Una furtiva lagrima
Negli occhi suoi spuntò...
quelle festose giovani.
Invidiar sembrò...
Che più cercano io vò?
M'ama si, m'ama, lo vedo, lo vedo
Un solo istante i palpiti
Del suo bel cor sentir!...
I miei sospir confondere
Per poco a' suoi sospir!...
I palpiti, i palpiti sentir!
Confondere i miei con suoi sospir.
Cielo, si può morir,
Di più non chiedo, non chiedo.
Cielo, si può, si può morir;
Di più non chiedo,
Si può morire,
Si può morir d'amor.»


Compositor: Gaetano Donizetti (1797-1848)
Libreto: Felice Romani(1788-1865), depois E. Scribe
Título original da ópera: "L'elisir d'amore"


Para mim, a dificuldade da interpretação nota-se bem no facto de já ter ouvido e cantado esta música algumas dezenas de vezes e não conseguir nunca acompanhar o tenor. Falta de talento...sole mio. Mas naturalmente não é esse o parâmetro do grande talento de Pavarotti. O parâmetro pavarottiano é a sua dimensão democrático-humanista. Democrática, porque por causa dele, e com ele, muita gente chegou à ópera, outrora a música dos pobres e dos sem gosto, hoje música predominantemente de elites, mas elites culturais, digamos assim, que é o mesmo que dizer, de acesso social indiscriminatório. Humanista, porque nunca se tinha visto um tenor tão ligado às causas sociais e de solidariedade antes dele, estando sempre pronto e tendo inciiativas de ajuda ao próximo e aos seus amigos.
Pavarotti ultrapassou os palcos, a ópera, a fama, com os seus talentos e defeitos, como qualquer personagem fascinante e de grandeza mundial.

Morreu Pavarotti

O tenor italiano Luciano Pavarotti, 71 anos, morreu hoje de madrugada em sua casa, na cidade de Modena, Itália, em consequência de um cancro no pâncreas. (Público)
Pavarotti foi o tenor que conseguiu levar de forma eficaz a ópera (e as músicas napolitanas, uma espécie de fado, por serem música urbana) ao "grande público", num esforço que começou muito antes do "blockbuster" Três Tenores.
Por isso Luciano Pavarotti nunca foi bem quisto pela corporação lírica (ainda por cima, consta que era musicalmente semi-analfabeto), que sempre desdenhou o seu sucesso e o seu desempenho.
Pelos sons que me deu antes de todos os outros, e pela música que, se não fosse ele nunca teria ouvido, muito obrigado Luciano, descansa em paz!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

As micro ondas que o áudio tem

Dizem que é uma espécie de electrónica indie e chegam da minha terra. Foram precisos mais de cinco anos para os escutar com atenção. É do melhor, ao por do sol, acompanhado com um Bombay Sapphire tónico muito gelado. Num dia quente assim. Só para pessoas de (extremo) bom gosto.

Campo Contra Campo (LXXXV)

Tenham medo, tenham muito medo. A moda dos festivais de cinema pariu um Festival Internacional de Cinema de Terror em Lisboa. Começa hoje e até o próximo dia 9 exibe cerca de quarenta películas em seis diferentes secções. Apre, que é de fugir…

ArcádiaQuiz IV

Pedro Santana Lopes é o responsável, em Lisboa, por que inacabado túnel:
  1. do Rossio (ferroviário);
  2. do Terreiro do Paço (metropolitano); ou
  3. do Marquês de Pombal (rodoviário)?

A resposta pode ser enviada directamente para José Sá Fernandes...

Das coisas que odeio*

Estar em lugares estranhos e desconfortáveis como o purgatório e o limbo.

A Nau dos Insensatos por Jeroen van Aeken, aka Hieronymus Bosch

[*Odeio: verbo que não me lembro de ter escrito num blogue na primeira pessoa do presente do indicativo]

Regionalização

Como é que se pode sequer voltar a pensar em regionalização se os grandes defensores da dita conseguem ser capazes de pérolas como esta (Manuel Serrão, sobre o Red Bull Air Race, que decorreu no Porto e em Gaia):

«Não vale a pena dar ouvidos aos "velhos do Restelo" (já devíamos ter arranjado uma expressão regionalizada que substituísse o Restelo por uma coisa mais nossa...) que nestas ocasiões gostam de vir dizer que ainda há casas degradadas e outros focos de miséria».

Polícias e ladrões

Continuo a ver nos polícias os “bons” e nos ladrões os “maus”. Por isso acho chocante que polícias, envergando as suas fardas, se prestem a agredir pessoas que não estão a praticar qualquer crime. Por isso acho chocante que polícias, envergando as suas fardas, formem uma espécie de guarda pretoriana de protecção a algumas claques de futebol e a bandos de seguranças privados.
Por outro lado, acho ridículo que qualquer excesso policial seja imediatamente rotulado de “crime” e que qualquer roubo, agressão, destruição de património, violação ou homicídio realizado por um tipo que more num bairro difícil seja somente a consequência do seu desenraizamento social.
Por isso concordo com Ferreira Fernandes (Diário de Notícias) quando reprova a propaganda “cop-killer” da Cova da Moura (onde parece que se fazem visitas turísticas a “monumentos” a crimes de ódio!...), e com Helena Matos (Público) quando se insurge contra a desigualdade na reacção ao crime, consoante o mesmo seja contra um banco ou contra uma pessoa:

«Igualmente perturbante, pelo menos para mim, é também o alarme social gerado pelos assaltos aos bancos, sobretudo quando se compara esse alarme com o resignado fatalismo que se exige aos não banqueiros, ou seja, a maioria de nós, caso sejamos assaltados ou agredidos. Os portugueses não têm apenas uma justiça cara e ineficaz. Vivem rodeados duma concepção elitista da segurança e do crime: quando se assalta um banco é inequívoco que se tratou de um roubo. Quando o assaltado ou agredido é um qualquer cidadão a quem roubaram o dinheiro que acabou de levantar no multibanco entra--se no domínio do problema social. E é suposto que a vítima seja a primeira a desistir de falar em justiça e a perceber que teve azar.»

Interpretação dourada

O país futebolístico que não torce pelas cores do F.C.Porto e não recebe desta agremiação qualquer ceia composta por fruta e café com leite, conseguiu ver que (no jogo FCP vs SCP)Anderson Polga cortou uma bola, em desequilíbrio, e que a mesma foi em direcção ao seu guarda-redes (não sei o nome, mas é qualquer coisa como "Morettovic"), o qual a segurou com as mãos.
Acto contínuo, o árbitro (talvez com um ratinho no estômago, e a salivar por uma peça de fruta que lhe restabelecesse os açúcares) descortinou ali um passe e marcou livre indirecto a favor da equipa room-service, do qual resultou o único golo da partida.
Agora, veio a Comissão de Arbitragem "esclarecer" que, onde o International Football Association Board diz se «um defesa entra em tackle por detrás sobre um adversário que conduz a bola, conseguindo desarmar o adversário, indo a bola na direcção do guarda-redes, competirá ao árbitro decidir se a bola foi atirada deliberadamente em direcção ao guarda-redes para que este a possa agarrar e punir se o fizer», afinal o "dolo específico", a intenção (de onde vem o advérbio "deliberadamente") é irrelevante.
Vítor Pereira apenas poderá ser um bom chefe de árbitros se não se prestar a fretes e a interpretações abrogantes das leis do jogo. E depois admiram-se que os árbitros portugueses andem sempre na berlinda...