segunda-feira, 8 de agosto de 2005

Belém

Todos os fins-de-semana Lisboa junta-os ao largo da mesma água, sobre a mesma erva dura de poucas sombras sob o sol capital sem luz igual para além das suas fronteiras. Junta seres, idades, etnias, línguas, gostos, feitios, forças, sonhos e viveres, todos eles diferentes, por razões semelhantes. Nacionais e estrangeiros, desportistas e comodistas, profissionais e amadores, conformados e espirituosos, mirones e pescadores, namorados e casados, pais e filhos, avós e netos, padrastos e madrastas, todos eles ou passeando, ou jogando, ou correndo, ou comendo. Tudo se move, a par do sol e do vento, contrastando com a velocidade das bolas que insinuam descaminho. Várias câmaras fotográficas confrontam a paisagem e a beleza de quem a mira. Ela acompanha quem quer esperar e cheirar a brisa avulsamente desassossegada pelo vaivém viário, sobretudo ferroviário. Lisboa, ao fim-de-semana ou ao final do dia, em Belém, junta as pessoas com a natureza biológica da cidade. É uma grande reunião. Sobretudo com nós próprios. Ajuda-nos a lembrar como fomos e como podemos melhorar. A biodiversidade que visitamos separa-nos da adversidade. E a fronteira está lá desenhada com forma de linha de comboio. Esse sentimento adensa-se com o nosso regresso, através da necessidade de não descarrilarmos a nossa vivência. Ou sobrevivência.

NCR

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

Effígie (I)



Maldivas, Paradise Island, Setembro de 2003. Poente iluminado por um Gordon´s tónico.

Volto, em breve.

PSL

A ultima esperança

“(...) o que está em causa nas próximas eleições presidenciais é não somente a estabilidade governativa, mas também a própria estabilidade do regime.(...)”.

Exactamente. As palavras são do “nosso colega blogger” Vital Moreira no Público de terça feira passada - que já pode e deve ser lido aqui (link) no aba da causa - e merecem, tal como todo o seu artigo, uma grande reflexão.
Vital Moreira facilmente compreendeu que nas presidenciais do inicio do ano que vem, muito mais está em jogo do que uma luta “histórica” entre duas visões do Mundo, personificados nos mais que putativos candidatos Soares e Cavaco.

Sejamos claros, e indo ao encontro das palavras de Vital Moreira, o que está em causa em Janeiro ou Fevereiro próximo “será a continuidade e estabilidade do nosso regime político vigente”. Nem mais.

Mas nem tudo são rosas no discurso de Vital Moreira. O que está na rua, e a muitos custa (muito) a ver é que somos chegamos ao fim da linha. O sistema de “rotatividade” gizado pelos nossos “founding fathers” na Constituinte termina aqui.
Assim resta ao candidato vencedor demitir este primeiro ministro e o seu (des)governo, avançar com um governo de salvação nacional. Despido de fungos e vírus partidários. Um governo feito de gente que trabalha e não gente que vegeta em torno dos partidos. O futuro imediato pede um governo da e para a Sociedade Civil, seguido de uma profunda reflexão sobre o presente e o futuro do nosso país. Reflexão, que se impoem, não fique apenas no limbo.. Esta a ultima esperança.

Contudo, isto não deve ser encarado como uma rotura com o regime ou um novo regime em perspectiva. Tal deve sim, ser encarado como a salvação deste regime, uma ultima oportunidade, a ultima esperança. A flexiva Lei Fundamental confere espaço a uma solução do género consubstanciada em “mais” presidencialismo.
Tal não deve ainda ser confundido com figuras “endeusadas” de “salvadores da pátria” ou de um qualquer iluminado que caminha sobre as aguas. Simplesmente tal deve ser encarado com naturalidade democrática e institucional. Afinal, as instituições são coisas dinâmicas, que devem obedecer aos ditames do tempo e encontrar respostas para as necessidades de um povo.

Obviamente só um homem tem condições para comandar tal empresa: Aníbal Cavaco Silva.
A continuidade e estabilidade do nosso regime político vigente assim o ditam.

PSL

quinta-feira, 4 de agosto de 2005

Pois é

A ler a nota Stanley Ho empurra aeroporto para a Ota, aqui, no Bloguitica.
E a reflectir na nota Ota, transparência e "silly season", aqui, no Ciberjus.

PSL

Indo eu, indo eu...

Primeiro a beijar os Alpes...





...depois mais para Sul, a molhar os pés no Adriático...





...a seguir, a aventura...





...pela magia do "Oriente"...

>



...de regresso ao mare nostrum...





...e a todo o seu esplendor.





Falta (muito) pouco!

PSL

Magníficos Dias Atlânticos (XIII)

Ontem, o melhor.
Com direito a um por do sol tão magnifico e atlântico como o dia. E com palmas no fim. Como no anuncio.
E as ferias ao virar da esquina...

PSL

quarta-feira, 3 de agosto de 2005

ESPUMAS XI

Uma boa companhia nem sempre é uma companhia que nos quer bem, simplesmente maravilhamo-nos a observá-la. Uma companhia de amor é uma companhia que nos acompanhará para sempre. E para o bem, apesar de não o reconhecermos de imediato. Pode estar perto ou muito longe, mas está lá, sempre que é possível estar. Se é de amor, está lá. É a nossa companhia constante, mesmo na ausência, que não está verdadeiramente porque está connosco. É uma companhia que cerca e apraz a nossa auto-estima. É uma coisa de dentro, sem ser uma coisa porque são milhares delas. É tudo aquilo que não podemos ter sozinhos, no prazer e no pavor, no sonho e na saudade. Não é às vezes, não é sempre, mas é a nossa vida toda, a melhor companhia do homem é a última companhia que se tem. Não admira assim que o amor seja uma corrida contra o tempo e contra nós próprios. O tempo obriga-nos a superar o receio de não termos tempo para esse amor. Permanentemente sentimos que claudicamos com a falta desse tempo e que essa falta impluda em ardor todo o nosso amor. Nos tempos que correm - cá está o nosso medo do tempo e da sua corrida - é arriscado falar de tempo ou de amor. Com a vida que levamos, falar deles é tão passageiro como a vida que se leva. Mas quero acreditar em várias coisas. Na vida, com tempo. Na companhia, como um dos sentidos da vida com amor. No amor das pequenas coisas, tal como a nossa atómica dimensão. Quero acreditar que o tempo não é nosso inimigo, pelo menos necessariamente. O tempo é apenas nosso adversário. E a companhia é a prova em como, apesar de não o superarmos, o tempo pode ser vencido no seu próprio terreno. É possível ele estar ao nosso lado. A companhia é mesmo a maior vitória que o tempo nos pode dar. Uma vitória de amor. E como em todas as lutas, é o tempo que declara os vencedores. Nesta corrida, o toque de alvorada só pode ser dado por nós.

Bom Dia!

NCR

Noticia do dia

Mais de 300 pessoas sobrevivem a queda de Airbus A340 da Air France no Canadá.







PSL

Magníficos Dias Atlânticos (XII)

Enfim. Parecem estar de volta. Hoje manhã cedo, o sol rompia no horizonte..., e uma brisa quente soprava de Leste. Mesmo de mota e de manga curta já se sentia o calor. Vai fazer muito calor nos próximos dias ..., até porque as férias vêem a caminho.

PSL

terça-feira, 2 de agosto de 2005

Porque se move Mário Soares?

In veritate, a razão é de dupla ordem: porque detesta a ideia de ver Cavaco Silva presidente da República (com todas as consequências daí decorrentes) e porque toda a sua personalidade se eleva na adrenalina de um exercício político, seja ele uma eleição, um mandato ou um desafio de ideias.

Jocandi causa, outras razões plausíveis:

- porque gosta tanto de Manuel Alegre que não quer que ele perca as eleições;
- porque está com saudades de ver o seu retrato na galeria dos presidentes no Palácio de Belém;
- porque a Maria Barroso ameaçou-o: «ou Belém ou desdém?»;
- porque Mário Soares quer apagar a derrota do filho em Sintra;
- porque quer controlar a medida de cicuta a oferecer a Sócrates;
- porque já não cabem mais livros em Nafarros e na Praia do Vau;
- porque está farto de pagar as suas viagens do seu bolso;
- porque já tem saudades de vetar umas leizinhas;
- porque quer ser o último presidente da República, antes de isto se tornar Jardim de Portugal;
- porque quer vingar a morte de Cunhal e fazer com que os comunistas votem sem um olho fechado.

...

Na verdade, e fora de brincadeiras, a razão principal da sua putativa candidatura, se que é que há alguma, é que a Mário Soares não lhe chega ser Mário Soares.

NCR

A sucessão na casa real Saudita...

......é um assunto muito mais importante do que pode parecer..
Para ler aqui:



A influência mundial da Arábia Saudita baseia-se em dois pilares: por um lado, é a guardiã dos lugares santos do Islão – Meca e Medina – desde a década de 1920; por outro, detém as maiores reservas mundiais conhecidas de petróleo, com base nas jazidas do Leste do reino. Os acontecimentos do 11 de Setembro de 2001 nos EUA colocaram a Arábia Saudita no centro das atenções mundiais por outra razão: 15 dos 19 suicidas que se lançaram contra as Torres Gémeas e o Pentágono eram sauditas, e saudita é também Osama bin Laden, o chefe da Al-Qaida. Este último facto submeteu a histórica aliança entre Washington e Riad a uma tensão inédita. A Arábia Saudita encontra-se pois numa encruzilhada e essa é uma razão para conhecermos melhor as regras e os jogos de influência que irão determinar a sucessão na Casa de Saud.

Quem assim escreve é José Félix Ribeiro, num texto de leitura obrigatória para compreender o que esta em causa na sucessão da casa real Saudita, com a morte do Rei Fahd.

Aqui (link) um perfil do novo Rei.



PSL

Magníficos Dias Atlânticos (XI)

Olhe que não, olhe que não...
Nada me irrita tanto quanto o vento.
O vento só serve para alguma coisa a cerca de 3000 quilómetros a Noroeste ou Sudoeste da costa Português..., nem será preciso dizer porquê.
O vento no Inverno congela. De verão, se é de Norte esfria se é de Leste queima. De Sul também de nada serve e de Oeste nem comento.
O vento estraga-me as plantas do terraço e pior que tudo torna bastante mais complicada a condução do meu motociclo.
Torna a praia um inferno e faz-nos suspirar em pleno verão por um calmo dia de primavera.
Estes dias, que mais cedo ou mais tarde em todos os verões acabam por chegar fazem-me sempre recordar a “única coisa boa” que o vento pariu, e que ainda hoje merece respeito: um filme no mínimo grandioso. “The Wind” é um clássico dos dourados anos do mudo em Hollywood.



A diva da foto chama-se Lillian Gish. E neste filme passa o tempo todo a fugir de um insuportável vento que lhe invade vida e alma.
Se nunca viram “The Wind”, não o perca. Como todos os grandes filmes é uma enorme metáfora da vida.



PSL

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

DIA-MENTOS V



Todos os dias
nasce um dia
que não quer nascer,

é como a criança
que faz birra
para não sofrer.

Mas a vida é uma fonte
de lágrimas e euforia,
e esconde-se calada e fria
nos vales urbanos do nosso monte.

Todos os dias
eles agarram-nos para o reposto aprender:
quando tocamos as pequenas coisas
não morre o que está para morrer.

Miguel Pessoa Campomaior

Magníficos Dias Atlânticos (X)

Há uns anos cantavam os Xutos...

É amanha dia 1º de Agosto
E tudo em mim é um fogo posto
Sacola ás costas, cantante na mão
Enterro os pés no calor do chão
É tanto o sol pelo caminho
Que vendo um, não me sinto sozinho
Todos os anos, em praias diferentes
Se buscam corpos sedosos e quentes

Adoro ver a praia dourada
O estranho brilho da areia molhada
Mergulho verde nas ondas do mar
Procuro o fundo pra lhe tocar
Estendido ao sol, sem nada dizer
Sorriso aberto de puro prazer


letra: Tim

PSL

Magníficos Dias Atlânticos (IX)

"1º de Agosto, 1º de Inverno" - ditado popular.

PSL