quinta-feira, 30 de abril de 2009

A Crise e o Trabalho

A Crise económica actual resulta, como sabemos, da crise financeira e da desregulamentação promovida pelos financeiristas. Sendo um dos sintomas da Crise a subida do desemprego, os governos europeus estão a reagir propondo a flexibilização dos horários de trabalho.
Ora, a flexibilização dos horários de trabalho parece ser, não uma solução para o problema, mas um contributo para a sua agudização:
Quanto mais tempo trabalharem os funcionários das empresas, além das 40 horas semanais, menos funcionários carecerão estas, mantendo no desemprego muita gente, com as implicações óbvias na Economia, pela redução na procura e consumo internos.
Assim, será que a flexibilização dos horários é um bom caminho?...

Proibição de espectáculos

Sintra aprovou a proibição de touradas e circos com animais no "seu" território. Assim, de uma penada, consegue limpar o que restava das festas do Espírito Santo que ainda sobreviveriam (e que têm sempre touros), e que constituíam património cultural do concelho.
Se a regra do politicamente correcto é para ser aplicada, proponho então as seguintes proibições no concelho de Sintra:
  1. Proibição da utilização de charretes de tracção animal para efeitos meramente turísticos e lúdicos, fenómeno que ocorre em plena luz do dia, à vista de todos;
  2. Proibição do apoio camarário a associações que promovam o racismo, como as que difundem o rap, o hip-hop e estilos musicais afins;
  3. Proibição da utilização dos sinos das Igrejas que estejam inseridas em áreas habitacionais;
  4. Proibição da apanha do caracol selvagem para confecção nos cafés e tascas do concelho;
  5. Proibição da instalação de aparelhos de electrocução de moscas nos cafés.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Muito obrigado, senhores

Venho por este singelo meio agradecer a todos os Primeiro Ministros, Ministros, Secretários de Estado e demais corte que os acompanha(ou), terem sabido tão bem orientar e governar este país, nomeadamente nos últimos anos.

Portugal deverá cair este ano para a 33ª e última posição no "ranking" de riqueza criada por habitante das economias avançadas, revelam as últimas previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI). Entre 2000 e 2008, Portugal recuou da 18ª para a 32ª posição. Este ano, arrastado pela crise, tocará no fundo, ultrapassado pela Eslováquia, destina o Fundo.

Profundamente emocionado por estes brilhantes resultados, o meu muito obrigado, senhores.
[Depois, ficam alguns muito zangados quando lhes digo estar a considerar nunca mais colocar o meu pé numa sala de voto]

terça-feira, 28 de abril de 2009

Da bestialização do homem

A progressiva proibição de touradas merece mais do que simples palavras iradas.
Ao abrigo de uma putativa superioridade moral e civilizacional, alguns grupos de defesa dos direitos dos animais tem conseguido fazer valer as suas posições perante autarcas frágeis, vendidos, e, sobretudo, ignorantes.

Desde logo, tais associações são uma espécie de anacronismo, pois defendem uma coisa que em bom rigor não existe. De facto, os animais por si só não são detentores de direitos; os homens é que têm deveres para com os animais. Atribuir direitos aos animais (e defende-los, às vezes com violência verbal e mesmo física) mais não é do que um brutal acto de bestialização do humano que apenas pode ser compreendido com recurso ao foro psiquiátrico.

A própria progressiva proibição das touradas, que remeterá no futuro os seus amantes para pequenos redutos (pequenas “aldeias gaulesas” ceradas por modernos “romanos” que no fundo mais não são do que os pós-modernos bárbaros) – um gueto é um gueto é um gueto, mais não é do que uma clara manifestação da presente bestialização do homem emoldurada por ciência da mais actual.

Aos aficionados (e eu nem sequer me considero como tal) apenas restará uma atitude: resistir e lutar pela dignificação do Homem enquanto Valor. Ao faze-lo estarão ainda a lutar pela nossa saúde mental enquanto nos fazem um enorme favor.

Cada vez mais ao avesso

Somos obrigados a assistir diariamente na comunicação social ao triste, decadente e pornográfico teatro da política à portuguesa mas não podemos ver uma bela toirada.
Somos obrigados a ver os símios dos fundamentalistas a “procriarem-se” e espalharem-se como uma praga, mas não podemos ir ver um macaquinho ao circo.
Portugal é a cada dia que passa um pior local para se estar. Mete nojo, asco.

domingo, 26 de abril de 2009

26 de Abril

Vivemos na era 25 de Abril. A falta de liberdade já não atormenta o cidadão comum, a mulher é tão igual quanto o homem perante todos os poderes e direitos fundamentais da sociedade e abandonámos o modelo económico de pobreza colectiva e de contenção pessoal e social. O tempo evoluiu, o mundo modernizou-se, como acontece com qualquer revolução social, para o bem ou para o mal. E o 25 de Abril também. Os adultos ganharam o exercício de uma, duas, três profissões, as crianças já não têm o dever de trabalhar assim que ganham corpo ou músculo, nenhum adulto tem de pedir autorização estatal ou conjugal para sair do país, os resultados das empresas podem depender apenas de si e da sua (boa) gestão, as uniões matrimoniais ganharam novos contornos jurídicos, sem efeitos restritivos da liberdade dos parceiros conjugais, sobretudo à mulher que, separada ou divorciada, e com filhos, já consegue livremente uma casa para arrendar ou uma escola para inscrever o seu filho. Por tudo isto e por tudo o que falta, atingimos o 25 de Abril, atingimos a liberdade, o caminho da criatividade, da publicidade, da comunicação. Parte de uma geração antiga fez o 25 de Abril e doou-o, democraticamente, com suficiente convicção, às elites do poder político. Portugal, num curtíssimo lapso histórico venceu no 25 de Abril. A desqualificada e enorme maioria dos portugueses desejavam-no, apoiaram-no e descobriu o mundo da liberdade, como nunca conheceu ao longo dos seus nove séculos de história. Um país infantil, portanto, na perspectiva da maturação cronológica democrática. Um país que resistiu, revoltou-se e apoderou-se do papel e das canetas que iriam reescrever um novo modo de viver e de crescer a nação. O 25 de Abril foi escrito, e já ninguém o pode apagar dos anais desta pátria lusitana. Vivemos o 25 de Abril diariamente, depois dessa grande vitória transgeracional. É um dia que é de todos e serve cada um como cada qual, sem excepções. É um dia de sonho na história curta e constante de uma vida humana. Dia que também colocou Portugal na História das nações que fizeram revoluções históricas e que contribuíram para mudar o mundo com novas vagas democráticas e vislumbradoras dos caminhos da liberdade.
Todos os dias sente-se o 25 de Abril. Do acordar ao deitar, pode encontrar-se alterações na rotina quotidiana, na forma e no conteúdo, em resultado do 25 de Abril. Basta nem sair de casa, é suficiente, por exemplo, ligar um rádio, ou uma televisão. E, realmente, o país está outro. Tal como nós próprios a cada dia que passa. Mas, caros concidadãos, há um dia que não passa, deveras. Há um “dia” que parece não querer emancipar-se, soltar-se da esperança paterna, dar o salto da verdadeira maturidade, ou fazer a travessia transformadora de que falava Pessoa para, de vez, «abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo» e não nos deixam crescer e prosperar. Parece ser mais difícil que fazer o 25 de Abril, mas não passamos desse dia. Não chegamos ao 26 de Abril!
Não conseguimos dar o passo seguinte, construir o seu futuro desenvolvimento, criar espaços éticos de poder e de participação, instrumentos de confiança no talento e na potencialidade do saber e capacidade individual e do trabalho colectivo, da positividade da responsabilidade e da criação de valor comunitário acrescentado ao país, à comunidade, à região, localidade, ao bairro, à vizinhança, à família, à pessoa, ao indivíduo, ao ser humano. Não conseguimos acordar num dia 26 de Abril. Não estamos a resistir às tentações do "sucesso" individual, da materialidade, dos grandes feitos e das mega-obras, dos génios ou salvadores, da economia informal, da riqueza moderna (tecnológica) dos pequenos objectos quotidianos, do não ter tempo e do tempo que é tudo e tudo nele é, do (aparente) bem-estar individual, da mentalidade da generalizada e universal comparabilidade, entre os familiares, os vizinhos, os amigos, os colegas, os conhecidos de ocasião ou do mero social. O 26 de Abril, apesar de estarmos a 26 de Abril de 2009, registe-se, ainda não chegou... nem se espera tão cedo, sejamos ingénuos apenas na visão. Ninguém acredita que hoje os cidadãos passam a participar e a co-responsabilizar-se por tudo o que os indigna, reivindicam ou se opõem convictamente; assim como ninguém acredita que de repente a quase totalidade dos políticos e da política se pautam exclusivamente pela ética, o bem comum, a prática (curricular) exemplar, e pela defesa e promoção das boas práticas de governação, de oposição ou de construção de uma nação que dá oportunidades a todos, mas que não dá esmolas a nenhum cidadão que não queira e/ou possa trabalhar e lutar. De certa forma, é também uma questão de definição do país, pós-25 de Abril. Portugal é um país grande na informalidade, como demonstra um recente estudo da OCDE. Aqui, ainda estamos no 24 de Abril. Mas pior é essa informalidade ser mais abrangente, ir além da economia nacional, pois é que ela também rege, infelizmente, a política, os media, a opinião pública, os cidadãos. Tudo está, se desbloqueia ou conserta nas entrelinhas, nos favores recíprocos, nas opiniões silenciosas, no conhecimento oportuno, no facto desconhecido, no jeito especializado, entre outras más práticas colectivas nacionais. Nem tudo muda para ficar na mesma. Há coisas que mudam para ficarem diferentes. E conseguiu-se. Mas as necessidades públicas, dos cidadãos, exigem que sejam melhores diferentes, mas melhores, na forma e no conteúdo. Diferente, foi o 25 de Abril. Melhor, será o dia seguinte, o tal amanhã com que os transformadores de Abril sonhavam. Hoje é dia 26 de Abril de 2009. E é um bom dia livre para se constatar que é, mau grado, somente mais um dia do calendário.

E por este puto ninguém põe a bandeirinha à janela?


Pela primeira vez a bandeira portuguesa subiu mais alto numa prova do Campeonato Mundial de Motocross (MX2). Foi há pouco no Grande Prémio do Benelux em Vankenswaard; pelo guiador de Rui Gonçalves.

sábado, 25 de abril de 2009

N PUBLICIDADE XIX

Pela cidade

-
Na edição deste fim de semana do Semanário Sol, que saiu ontem, está entrevista a alguns membros do Fórum Cidadania Lisboa, entre os quais eu próprio.

À escuta

-
Hoje às 16:30 estarei no Rádio Clube Português, comentando o novo Regulamento das Custas Processuais. 
Na semana passada não me lembrei de deixar aqui o alerta, pelo que, quem quiser, pode ouvir o podcast aqui.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A descer

Há uns dias os consultores & economistas do costume salivaram de prazer ao ver que a Euribor parara de descer e subira um pouco. No dia 17 de Abril, a Euribor a 6 meses estava em 1,595%, no dia 20 subiu para 1,599%, e no dia 21 subiu para 1,6% onde ficou até ontem. Hoje voltou a descer, e ficou nos 1,593%, o valor mais baixo de sempre. 
Os bancos, que se comportam como empresas petrolíferas, compensam a descida dos juros (que pagam nos seus créditos interbancários) com a subida dos spreads (que cobram aos seus clientes), aumentando a sua margem de lucro em tempo de crise. 
Os mesmos bancos que beneficiaram do aval do Estado...

terça-feira, 21 de abril de 2009

Se o ridículo matasse a Segurança Social estava salva!

A pirataria na Internet ajuda a financiar grupos terroristas e está ligado com o crime organizado. O alerta parte do MAPiNET (Movimento Cívico contra a Pirataria na Internet), recentemente criado.
Ui... Sacar à borla filmes e séries que estão a ser transmitidas na televisão... É só dinheiro a entrar nas contas em offshores...
MI5, FBI, atenção: venham aprender com quem sabe!
Fecharam 80% dos videoclubes em Portugal por haver malta que saca da net filmes que ainda não estrearam...
O melhor mesmo era nem haver internet, como nos bons velhos tempos, ou então impôr limites de downloads baixinhos...
Valha-nos Deus...

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Um partido positivo (construtivo), por favor! (1.ª parte)

Como é normal acontecer na comunicação política, nenhuma das palavras do título é unívoca ou involuntária, nem transmite autenticamente o que verdadeiramente se lê. Quando digo partido, quero dizer militantes, pois que são eles que "fazem" esta associação privada de fins públicos. Mas, ainda assim, não chega: não são todos os membros partidários que realmente são abrangidos, é a elite que se pretende atingir, visto que, naturalmente, é quem "define" o funcionamento e o rumo do partido, directamente ou indirectamente, pelo seu currículo ou posição partidários assumidos na respectiva organização. É um conjunto de pessoas, poucas, que determinam a percepção pública dos discursos, e dos ideais, representativos do partido. Assim, por antonomásia inversa, é isto que significa "partido" no sobredito título.
Depois de explicada a primeira expressão, passo à segunda: na palavra "positivo", melhor definindo, trata-se de questionar, não sobre uma organização política que defende apenas números e mundos bons e onde todos gostariam de viver, sempre vagos, gastos e universais no discurso é certo, pelo certo nenhum partido discursa o contrário; o que se questiona é, principalmente, a natureza, objecto e finalidade dessas positividade, quer aquela que é dita, quer a que não é feita, por quem tem o poder de a fazer. A apologia de positividade que se pretende marcar é a positividade do falar e agir verdade e transparente na própria vontade que lhes estão prévias, ou seja, mais do que, quando se comunica à opinião pública, dizer a verdade, exige-se actualmente a pré-compreensão de que a vontade e o objecto do comunicar é concebida no âmbito da honestidade, abertura e constância da mensagem. Mais, um partido político positivo também será um partido cujos líderes (ou melhor, "chefes", entre eles há uma grande diferença) apreciem pública e criticamente, a acção e as ideias da oposição, que avaliem e reconheçam o mérito das suas propostas pelo estrito critério do interesse público ou do geral, quando exista, mas sem pudor ou linguagem codificada, sem disfarces ou desvios malabaristas que desvalorizem o próprio elogio eventualmente produzido, atingindo negativamente, por estas vias, a adjectivação do próprio discurso.
Quanto ao "por favor", obviamente é uma ironia. Na verdade, é por dever, dos partidos. Um dever consagrado em lei, cuja previsão de certas obrigações, como a contribuição para a formação cívica e política da sociedade, não passa de letra morta em programas repetidos de "direcções renovadas". Poderão existir alguns moicanos, admito-o, mas não passam disso mesmo, de uma minoria pouco representativa, emersa num agrupamento sistémico, claustrofóbico, interesseiro e virtual (aqui, no seu verdadeiro sentido, como sinónimo de real).
É certo que a democracia de partidos é bem vantajosa do que a de partido único ou de sem partidos. Mas começa a ser e a saber a pouco num mundo comunicacional cada vez menos estratificado ao nível do conhecimento geral dos direitos e deveres de cada um. Neste ponto, direi mesmo que, em seu resultado, a corrosão política por contágio da sociedade civil é cada vez mais evidente. A insatisfação é generalizada, daí que baste haver um motivo maior para a decisiva acção que contribuirá para a mudança de paradigma do modo como se faz política. Obama já deu o mote. E estou convencido, convirja-se ou divirja-se da pessoa e do político, nada será como dantes nas campanhas e programas políticos dos países desenvolvidos ocidentais. Somente um cínico o poderá negar. Todavia, nas democracias representativas, a política começa nos partidos; e a portuguesa, infelizmente, é (quase) exclusivo dos militantes ou "personalidades" da política. Logo, há dois deveres incontornáveis indispensáveis para a reforma da política, e dos partidos, e para qualquer sociedade que se preze: pelo lado dos políticos, a reforma tem de ser assimilada no interior dos partidos; pelo lado dos cidadãos, há que pensar seriamente em integrar um, algum pelo qual nutre maior simpatia ou afinidade ideológica. O mito de que um militante partidário defende o seu partido a todo o custo ou tem de dizer Ámen a todas as suas ideias e políticas é algo que tem de ser desmascarado. Um partido político não é um clube de futebol ou um grupo musical; nestes, qualquer apologia é despida de racionalidade ou de "bem comum" objectivo e sustentado.
(continua)

domingo, 19 de abril de 2009

Com um olho no burro e outro no cigano


Mais uma rica tarde para ler...

...ouvir e ver o Sound + Vision de Nuno Galopim e João Lopes (link);
Casablanca: amor e liberdade um post magnifico de Pedro Correia no Delito de Opinião (link);
Espessura de Henrique Raposo no Clube das Repúblicas Mortas (link);

[ao rever este post reparo como é excelente a blogosfera portuguesa…, ainda se tudo fosse como ela neste nosso Portugal...]