sexta-feira, 5 de maio de 2006
Mysteries
A vida é um mistério. E dá-nos tantas surpresas. O que seria a vida sem as coisas que nos acontecem que não controlamos? Sem necessidade de alinhamentos com gurus de excelência e do bom comportamento. Sem os planeamentos, os objectivos e todas as demais coisas que na vida interior não são mais do que fugas para a frente? Umas boas, outras más. As boas só são mais e melhores, quando consideramos que as más vêm por bem. É um bom caminho pensar-se assim. Reflecte-se no comportamento e no nosso aperfeiçoamento. É mais uma escada.
NCR
quinta-feira, 4 de maio de 2006
PALETA DE PALAVRAS XLIII
«Ninguém pode viver no mundo dos seus sonhos,
esse lugar de sonhos e de desejos onde o limite é o próprio mundo
um mundo que fosse o reflexo de si próprio, claustro da temperança,
um mundo de honra pela palavra e de dignidade pela humanidade
um mundo melhor do que aquele que desejamos para os nossos filhos
um mundo de bem-estar, de assertividade, com personalidade
um mundo de aperfeiçoamento e de excelência
um mundo de segurança
um mundo de comunicação, de mãos dadas, sem medos alheios
um mundo de envolvimento harmonioso e de solidariedade
um mundo infinito de créditos e de meios
um mundo cheio de nós
um mundo cheio de Nós.
Nada há que possa não existir
no mundo que queremos construir.»
@ Miguel Pessoa Campomaior, in “Poesias Urbanas”
esse lugar de sonhos e de desejos onde o limite é o próprio mundo
um mundo que fosse o reflexo de si próprio, claustro da temperança,
um mundo de honra pela palavra e de dignidade pela humanidade
um mundo melhor do que aquele que desejamos para os nossos filhos
um mundo de bem-estar, de assertividade, com personalidade
um mundo de aperfeiçoamento e de excelência
um mundo de segurança
um mundo de comunicação, de mãos dadas, sem medos alheios
um mundo de envolvimento harmonioso e de solidariedade
um mundo infinito de créditos e de meios
um mundo cheio de nós
um mundo cheio de Nós.
Nada há que possa não existir
no mundo que queremos construir.»
@ Miguel Pessoa Campomaior, in “Poesias Urbanas”
N PERGUNTAS XVII
Dilema ético:
Se com o assassínio de uma pessoa salvassem cinco pessoas, faziam-no?
Outros dilemas, aqui.
NCR
Se com o assassínio de uma pessoa salvassem cinco pessoas, faziam-no?
Outros dilemas, aqui.
NCR
Cultura da diferença na Eurásia — Passado e presente no diálogo da civilização
Foi este o tema de um seminário que juntou os maiores pensadores, filósofos e sociólogos do planeta em Baku no Azerbeijão por ocasião da 13ª Conferência da Academia da Latinidade
Soube da coisa enquanto estive do lado de lá do Atlântico pelas excelente coluna de Merval Pereira n’ O Globo.
[…não é por acaso que hoje já é a segunda vez que falo no matutino carioca…, gostei muito da forma, do estilo e do conteúdo…, uma imprensa seria e activa como não vejo em Lisboa. Basta fazer um registo no sitio do jornal para aceder gratuitamente a todos os conteúdos do jornal – mais um aspecto de vanguarda!]
De regresso à conferencia de Baku…
…procurei…, procurei…, e a única coisa que achei sobre o assunto escrito em Português de Portugal foi esta (link) paupérrima (ainda que louvável) referência de Maria José Nogueira Pinto no DN.
No nosso discurso velho não cabe, hoje, quase nada do que realmente importa. Só a título de exemplo, em Baku discutiu-se esta semana, no âmbito do Seminário da Academia da Latinidade, a revolução verdadeiramente antropológica que o mundo está a viver. Algo muito diferente da mera revolução histórica. A obsolescência do Homem ante a máquina é uma revolução que, segundo Jean Baudrillard, pode marcar o fim da História e um novo tempo "da inauguração do mundo sem o homem".
Aconselha-se, pois, umas consultas na net, para saber mais sobre o que se passou durante cerca de quinze dias nessa longínqua Baku, sendo que também nestas coisas o Rio de Janeiro parece mais perto do primeiro Mundo do que Lisboa.
PSL
Soube da coisa enquanto estive do lado de lá do Atlântico pelas excelente coluna de Merval Pereira n’ O Globo.
[…não é por acaso que hoje já é a segunda vez que falo no matutino carioca…, gostei muito da forma, do estilo e do conteúdo…, uma imprensa seria e activa como não vejo em Lisboa. Basta fazer um registo no sitio do jornal para aceder gratuitamente a todos os conteúdos do jornal – mais um aspecto de vanguarda!]
De regresso à conferencia de Baku…
…procurei…, procurei…, e a única coisa que achei sobre o assunto escrito em Português de Portugal foi esta (link) paupérrima (ainda que louvável) referência de Maria José Nogueira Pinto no DN.
No nosso discurso velho não cabe, hoje, quase nada do que realmente importa. Só a título de exemplo, em Baku discutiu-se esta semana, no âmbito do Seminário da Academia da Latinidade, a revolução verdadeiramente antropológica que o mundo está a viver. Algo muito diferente da mera revolução histórica. A obsolescência do Homem ante a máquina é uma revolução que, segundo Jean Baudrillard, pode marcar o fim da História e um novo tempo "da inauguração do mundo sem o homem".
Aconselha-se, pois, umas consultas na net, para saber mais sobre o que se passou durante cerca de quinze dias nessa longínqua Baku, sendo que também nestas coisas o Rio de Janeiro parece mais perto do primeiro Mundo do que Lisboa.
PSL
quarta-feira, 3 de maio de 2006
Não sei, não quero saber e tenho raiva a quem sabe...
Um estudo da TSN Portugal, líder mundial em estudos de mercado sobre o consumidor, revela que a maioria dos portugueses residentes no Continente não se interessa pelo país, declara-se infeliz e é pessimista quanto ao futuro.
...mas estou muito triste e acho que isto vai de mal a pior!
PSL
...mas estou muito triste e acho que isto vai de mal a pior!
PSL
Não terão sido trezentas e dezassete mil oitocentos e cinquenta e uma doses?
terça-feira, 2 de maio de 2006
Os três F´s é que mais ordenam!
Aproveitei o regresso e o dia de ontem para fazer o necessário upgrade informativo que a fervilhante (!?) opinião pública e publicada portuguesa produz. Lidas as referencias na comunicação social de fim-de-semana espantado fiquei com um espanto: O discurso de Cavaco em São Bento faz hoje uma semana.
Espantado pelo espanto porque das duas uma, ou não se passou mais nada de relevante neste pais entre a balda dos deputados na quinta feira santa e o discurso do dia da liberdade ou os nosso cronistas são um bando de pardais porque “estão cá mas não andam cá” e não conhecem Cavaco de lado nenhum.
Alias, bem me parece que o discurso do “Portugal dos Desgraçadinhos” está de novo em alta se bem atendermos a múltiplos pequenos pormenores.
Como devem imaginar, as saudades da Lusa pátria inundaram o meu espírito nestas ferias. Assim, de volta à espantosa Pátria amada a minha vontade é vos deixar um Fadinho bem alfacinha (e bem revelador desse espirito desresponsabilizador do “Portugal dos Desgraçadinhos” ) para juntar ao Futebol que ai vem em doses industriais, e à Fátima que vela por nós.
MALDITO FADO
Autor: Raúl Ferrão
Ele era um bom rapaz trabalhador
Um operário leal cumprindo bem
Vinte anos de ilusão brotando em flor
E uma eterna afeição por sua mãe
Mas um dia fatal os companheiros
Levaram-no a uma taberna onde parava
A malta de vadios desordeiros
Dos quais um à guitarra assim cantava
ESTRIBILHO
Um fadinho a soluçar
Faz de nós afugentar
A ideia da própria morte
Mata a dor mata a tristeza
O fado é bendita reza
Dos desgraçados sem sorte
Tem tal choro e mágoa tanta
Quando canta na garganta
De quem canta amargurado
Que o refúgio preferido
Para quem viver dolorido
Está na doçura do fado
Esta triste canção foi mau agoiro
Que a vida lhe viesse transtornar
Tomou gosto à taberna ao matadoiro
E em breve até deixou de trabalhar
Uma ideia tenaz e doentia
Trazia-lhe a cabeça transtornada
Chorar fazia a mãe quando o via
Já ébrio ao regressar de madrugada
Deixando a mãe sem forças para lutar
Vendo a fome do seu lar não se importou
E um dia sem razão sem vacilar
Abriu uma navalha e a assassinou
Para onde se vai sem mais voltar
Condenado ao degredo ele partiu
E quando a mãe tombava sobre o cais
Ao longe a voz dele ainda se ouvia
ESTRIBILHO
fonte: fados de lisboa
Espantado pelo espanto porque das duas uma, ou não se passou mais nada de relevante neste pais entre a balda dos deputados na quinta feira santa e o discurso do dia da liberdade ou os nosso cronistas são um bando de pardais porque “estão cá mas não andam cá” e não conhecem Cavaco de lado nenhum.
Alias, bem me parece que o discurso do “Portugal dos Desgraçadinhos” está de novo em alta se bem atendermos a múltiplos pequenos pormenores.
Como devem imaginar, as saudades da Lusa pátria inundaram o meu espírito nestas ferias. Assim, de volta à espantosa Pátria amada a minha vontade é vos deixar um Fadinho bem alfacinha (e bem revelador desse espirito desresponsabilizador do “Portugal dos Desgraçadinhos” ) para juntar ao Futebol que ai vem em doses industriais, e à Fátima que vela por nós.
MALDITO FADO
Autor: Raúl Ferrão
Ele era um bom rapaz trabalhador
Um operário leal cumprindo bem
Vinte anos de ilusão brotando em flor
E uma eterna afeição por sua mãe
Mas um dia fatal os companheiros
Levaram-no a uma taberna onde parava
A malta de vadios desordeiros
Dos quais um à guitarra assim cantava
ESTRIBILHO
Um fadinho a soluçar
Faz de nós afugentar
A ideia da própria morte
Mata a dor mata a tristeza
O fado é bendita reza
Dos desgraçados sem sorte
Tem tal choro e mágoa tanta
Quando canta na garganta
De quem canta amargurado
Que o refúgio preferido
Para quem viver dolorido
Está na doçura do fado
Esta triste canção foi mau agoiro
Que a vida lhe viesse transtornar
Tomou gosto à taberna ao matadoiro
E em breve até deixou de trabalhar
Uma ideia tenaz e doentia
Trazia-lhe a cabeça transtornada
Chorar fazia a mãe quando o via
Já ébrio ao regressar de madrugada
Deixando a mãe sem forças para lutar
Vendo a fome do seu lar não se importou
E um dia sem razão sem vacilar
Abriu uma navalha e a assassinou
Para onde se vai sem mais voltar
Condenado ao degredo ele partiu
E quando a mãe tombava sobre o cais
Ao longe a voz dele ainda se ouvia
ESTRIBILHO
fonte: fados de lisboa
PSL
Regresso...

Ready?
Nem pouco, mais ou menos!
PSL
quinta-feira, 27 de abril de 2006
quarta-feira, 26 de abril de 2006
Para um país que se preze, naturalmente.
Portugal é um país de alegres amadores. Até a revolução foi amadora. Somos amadores sobretudo nos grandes feitos. E fazemos questão de ser assim, é sinal de que não nos envolvemos muito nas coisas, o que dá muito jeito caso essas mesmas coisas corram mal. Nem há convicção, nem há desprezo. São as meias-tintas, as sopas do ‘nim’. Somos um país de grande coragem nas multidões. Poucos restam para a história de actos que inscrevem realmente os respectivos predicados. Salgueiro Maia e Otelo Saraiva de Carvalho são um bom exemplo disso. Independentemente da sua ideologia e da ilusão (sobretudo de Otelo, um utópico da demagogia no seu sentido literal), são homens que inscrevem, como diria José Gil. Outros houve, poucos, aos quais libertaram-se da pequenez e mesquinha política salazarenta. Mas foram muito poucos. Os outros já saíram depois do 25 de Abril, quando a parte militar da ‘revolução’ estava concluída. O povo português é pequeno e, consequentemente, mesquinho. Nunca deixou de o ser. A mesquinhez traz a censura social dos grandes líderes. Não admira que em Portugal se prefiram as lideranças colectivas (No 25 de Abril quem liderava?), prefere-se que ninguém sobressaia, sim, essa vil arrogância de pensar que se é mais do que os outros. Portugal abomina os líderes, as grandes ideias, as diferenças dos visionários, os riscos do empreendorismo, excepto depois do seu sucesso.. E não me venham falar dos Descobrimentos, estes não passaram de uma grande evasão monárquico-nacional. Descobrir é fácil, basta chegar lá com uma certa mistura de esperteza técnica e de ingenuidade heróica. Difícil é manter e cuidar o que se descobre.
O povo português é pequeno, sim, mas é bom. Somos uma boa nação, um bom país, com ‘bons homens’, como nos relembram sempre os populares de um velório. Somos grandes por dentro, convencemo-nos disso, e anões por fora. De uma forma geral, vale-nos o que é sempre fácil de fazer: falar. Não há nada que não possamos falar, mesmo do que não sabemos. E do 8 vai-se para o 80, ou seja, daqueles que quando sabem alguma coisa, julgam que já sabem tudo. Aqueles que estiverem a ler este post devem estar a cair nos preconceitos comuns da diferença, por exemplo, o negativismo, o dizer mal, a desvalorização do bom, etc. nada mais de errado. Fingir que está tudo bem, alinhar com os populismos maioritários, acomodar-se às benesses, utilizar as liberdades para proveito exclusivamente próprio, isso sim é destruir o país. Não há progresso sem refutação das premissas anteriores (Popper). Ora se as nossas premissas ainda são as do tempo do PREC, onde se incluem naturalmente as salazaristas, como havemos de atingir as metas de Abril?
Não há liberdade sem verdade. Temos que assumir o que somos para sermos melhor e acreditarmos é a força do sucesso. A actualidade não está para amadorismos e não serve (não deve servir) comodistas. É mesmo fazer algo mais do que ler posts pela blogosfera. Fazer algo mais do que escrever posts no mundo digital. Confesso que sei pouco sobre tudo e não há nada que saiba muito. Mas se há lição maior que retiro do 25 de Abril, é que ele foi feito com uma grande vontade de liberdade. E verdadeiramente foi a única coisa que ele trouxe. Sobretudo, liberdade cívica e liberdade democrática. E depois, o que fizeram as gerações dessa liberdade? O que fizemos nós, a maioria, com a liberdade? A passividade. A maioria move-se na passividade, seja ela cívica, política, social ou solidária, entre outros. Os portugueses ainda não encontraram um verdadeiro sentido para a liberdade. A era dos deveres (Bobbio) e da responsabilidade (H. Jonas) ainda não passou pelo povo português. Suspeito que somente com uma grande crise, como a actual, poderá voltar a pauta do nosso comportamento por essas virtudes públicas (Aristóteles).
O que é Portugal, numa das suas essencialidades, hoje? Cada um quer saber de si, cuida dos seus, com prejuízo pelo sentido de comunidade e de bem comum. Este é o retrato de Abril de 2006. As grandes obras do Guiness, os grandes escândalos, as garrafais notícias, as faltas dos políticos, os bem-escritos planos nacionais são espumas deste país onde nada se inscreve. Adoramos andar entretidos com ela. É uma boa desculpa para não pensarmos no futuro. Mas, como escreveu Paul Valéry, o futuro é já amanhã. Mesmo para uma imensa minoria, que o somado anuário do 25 de Abril sirva ao menos para isso: para pensarmos sobre o nosso futuro. E essa imensa minoria sabe que nunca a História trouxe sucesso a um futuro de um povo ou nação sem uma estratégia. Uma estratégia nacional implica apostar numa coisa em detrimento de outra, e apostar forte. Não favorece consensos ou meias-tintas, tentando agradar a todos, dstribuindo o mal por todos as aldeias (mais uma vez aqui a bendita pequenez popular). Uma estratégia nacional sem amadorismos e comodismos, com liderança. Talvez tenhamos que mudar de mentalidade, mas antes mudar de mentalidade que de nacionalidade. Para um país que se preze, naturalmente.
NCR
O povo português é pequeno, sim, mas é bom. Somos uma boa nação, um bom país, com ‘bons homens’, como nos relembram sempre os populares de um velório. Somos grandes por dentro, convencemo-nos disso, e anões por fora. De uma forma geral, vale-nos o que é sempre fácil de fazer: falar. Não há nada que não possamos falar, mesmo do que não sabemos. E do 8 vai-se para o 80, ou seja, daqueles que quando sabem alguma coisa, julgam que já sabem tudo. Aqueles que estiverem a ler este post devem estar a cair nos preconceitos comuns da diferença, por exemplo, o negativismo, o dizer mal, a desvalorização do bom, etc. nada mais de errado. Fingir que está tudo bem, alinhar com os populismos maioritários, acomodar-se às benesses, utilizar as liberdades para proveito exclusivamente próprio, isso sim é destruir o país. Não há progresso sem refutação das premissas anteriores (Popper). Ora se as nossas premissas ainda são as do tempo do PREC, onde se incluem naturalmente as salazaristas, como havemos de atingir as metas de Abril?
Não há liberdade sem verdade. Temos que assumir o que somos para sermos melhor e acreditarmos é a força do sucesso. A actualidade não está para amadorismos e não serve (não deve servir) comodistas. É mesmo fazer algo mais do que ler posts pela blogosfera. Fazer algo mais do que escrever posts no mundo digital. Confesso que sei pouco sobre tudo e não há nada que saiba muito. Mas se há lição maior que retiro do 25 de Abril, é que ele foi feito com uma grande vontade de liberdade. E verdadeiramente foi a única coisa que ele trouxe. Sobretudo, liberdade cívica e liberdade democrática. E depois, o que fizeram as gerações dessa liberdade? O que fizemos nós, a maioria, com a liberdade? A passividade. A maioria move-se na passividade, seja ela cívica, política, social ou solidária, entre outros. Os portugueses ainda não encontraram um verdadeiro sentido para a liberdade. A era dos deveres (Bobbio) e da responsabilidade (H. Jonas) ainda não passou pelo povo português. Suspeito que somente com uma grande crise, como a actual, poderá voltar a pauta do nosso comportamento por essas virtudes públicas (Aristóteles).
O que é Portugal, numa das suas essencialidades, hoje? Cada um quer saber de si, cuida dos seus, com prejuízo pelo sentido de comunidade e de bem comum. Este é o retrato de Abril de 2006. As grandes obras do Guiness, os grandes escândalos, as garrafais notícias, as faltas dos políticos, os bem-escritos planos nacionais são espumas deste país onde nada se inscreve. Adoramos andar entretidos com ela. É uma boa desculpa para não pensarmos no futuro. Mas, como escreveu Paul Valéry, o futuro é já amanhã. Mesmo para uma imensa minoria, que o somado anuário do 25 de Abril sirva ao menos para isso: para pensarmos sobre o nosso futuro. E essa imensa minoria sabe que nunca a História trouxe sucesso a um futuro de um povo ou nação sem uma estratégia. Uma estratégia nacional implica apostar numa coisa em detrimento de outra, e apostar forte. Não favorece consensos ou meias-tintas, tentando agradar a todos, dstribuindo o mal por todos as aldeias (mais uma vez aqui a bendita pequenez popular). Uma estratégia nacional sem amadorismos e comodismos, com liderança. Talvez tenhamos que mudar de mentalidade, mas antes mudar de mentalidade que de nacionalidade. Para um país que se preze, naturalmente.
NCR
terça-feira, 25 de abril de 2006
psl@rica.vida.br (III)
Tenho alguns posts manuscritos mas acho que vou deixa/los para mais tarde, quando regressar, sob pena de blogar mais a nove mil quilometros de distancia do que o NCR ( ;) ).
Este vai escrito de Porto Galinhas, praia agradavel, gente boa, bom marisco...
...a rica vida segue dentro de momentos ja em Fernando de Noronha, apos a passagem por Recife e Olinda.
Abraços e beijos transatlanticos.
PSL
Este vai escrito de Porto Galinhas, praia agradavel, gente boa, bom marisco...
...a rica vida segue dentro de momentos ja em Fernando de Noronha, apos a passagem por Recife e Olinda.
Abraços e beijos transatlanticos.
PSL
sexta-feira, 21 de abril de 2006
A questão dos deputados e a evasão nacional
A mais recente motivação 'popular' para a reprovação do comportamento dos 'seus' deputados é tão apoiável, quanto a urgência da reforma do sistema político, incluindo aqui naturalmente a instituição e práticas parlamentares.
Todavia, seguir-se o caminho do encavalitanço desmesurado da censura à Política e aos políticos, como se estivesemos todos incluidos numa manada de bois, não só é uma atitude demagógica, como ingénua.
Com este post, e não quero ser extenso, pretendo apenas expressar que há 10 premissas que julgo serem incontornáveis para qualquer discussão que vise o aperfeiçoamento da ética e do direito políticos e regentes do povo e dos representantes dos mesmos em Portugal.
1. Portugal não gosta de si próprio
2. O Povo não gosta de Política.
3. Os deputados comportam-se como titulares da Política.
4. Os deputados pertencem ao povo, mas este considera-os fora dele.
5. O povo respeita pouco os políticos.
6. Os excelentes deputados perdem votos e terreno para os outros.
7. Os deputados, em geral, são de fraca qualidade humanista, sabedora e estratégica.
8. O povo exige aos outros a máxima responsabilidade, mas para si apenas a máxima liberdade e satisfação individual - deputados incluídos.
9. Quando não há lideres fortes e carismáticos e a cultura cívica é incipiente, não há sustentado progresso, nem verdadeira Política.
10. Portugal é um país pequeno, no tamanho e no saber. Crescentemente.
Apesar de tudo, chamem-me masoquista, acredito em Portugal e na natureza excepcional e criadora humana. E não excluo os portugueses.
Todavia, seguir-se o caminho do encavalitanço desmesurado da censura à Política e aos políticos, como se estivesemos todos incluidos numa manada de bois, não só é uma atitude demagógica, como ingénua.
Com este post, e não quero ser extenso, pretendo apenas expressar que há 10 premissas que julgo serem incontornáveis para qualquer discussão que vise o aperfeiçoamento da ética e do direito políticos e regentes do povo e dos representantes dos mesmos em Portugal.
1. Portugal não gosta de si próprio
2. O Povo não gosta de Política.
3. Os deputados comportam-se como titulares da Política.
4. Os deputados pertencem ao povo, mas este considera-os fora dele.
5. O povo respeita pouco os políticos.
6. Os excelentes deputados perdem votos e terreno para os outros.
7. Os deputados, em geral, são de fraca qualidade humanista, sabedora e estratégica.
8. O povo exige aos outros a máxima responsabilidade, mas para si apenas a máxima liberdade e satisfação individual - deputados incluídos.
9. Quando não há lideres fortes e carismáticos e a cultura cívica é incipiente, não há sustentado progresso, nem verdadeira Política.
10. Portugal é um país pequeno, no tamanho e no saber. Crescentemente.
Apesar de tudo, chamem-me masoquista, acredito em Portugal e na natureza excepcional e criadora humana. E não excluo os portugueses.
quarta-feira, 19 de abril de 2006
psl@rica.vida.br (II)
O tempo passa a correr...
Há coisas que detesto no Rio. A inseguranca vem no topo da piramide. A poluicão..., sonora, paisagistica, atmosférica. E tambem (alguns) Brasileiros..., sempre a tentar extorquir mais algum real. Depois JPP devia de visitar o Brasil e fazer um pouco de zaapping na tv, ou simplesmente passar os olhos pelo jornal. Por certo deixaria de apelidar Portugal de futebolandia..., ou então passaria a chamar o Brasil de futebol-universo. Aliás..., por cá, já tudo anda histerico com o Mundial e depois do passe magico de Ronaldinho Gaucho, que valeu a vitoria do Barca em Milão, as tv's ja perguntam se ele é o Pelé. Reparem, não se trata de saber se é melhor ou pior. A pergunta era se Ronaldinho é o Pelé!
Mas tambem há tanta..., tanta coisa boa. O clima, as gentes, o ritmo de vida, a comida e os precos dos restaurantes; as praias, o mar. E..., claro aquilo que todos estão a pensar neste momento.
É bom é!
PSL
Há coisas que detesto no Rio. A inseguranca vem no topo da piramide. A poluicão..., sonora, paisagistica, atmosférica. E tambem (alguns) Brasileiros..., sempre a tentar extorquir mais algum real. Depois JPP devia de visitar o Brasil e fazer um pouco de zaapping na tv, ou simplesmente passar os olhos pelo jornal. Por certo deixaria de apelidar Portugal de futebolandia..., ou então passaria a chamar o Brasil de futebol-universo. Aliás..., por cá, já tudo anda histerico com o Mundial e depois do passe magico de Ronaldinho Gaucho, que valeu a vitoria do Barca em Milão, as tv's ja perguntam se ele é o Pelé. Reparem, não se trata de saber se é melhor ou pior. A pergunta era se Ronaldinho é o Pelé!
Mas tambem há tanta..., tanta coisa boa. O clima, as gentes, o ritmo de vida, a comida e os precos dos restaurantes; as praias, o mar. E..., claro aquilo que todos estão a pensar neste momento.
É bom é!
PSL
segunda-feira, 17 de abril de 2006
ESPUMAS XXVI
«Ter medo é uma coisa, dizer não é outra. O medo não nos impede de avançar, o não é a decisão de parar.
Não se pode ter medo de amar e depois não acreditar nele para sempre. Isto é uma contradição em si mesmo. Porque quem não acredita numa relação amorosa duradoura, é precisamente aquele que não deve ter medo de amar, alguém para quem a vida é uma vasta terra de pinga-amores. E, inclusivamente, deveria apaixonar-se com mais facilidade, estando, por isso, mais aberto a essa grande aventura que é o amor.
Nas aventuras o medo é essencial, senão não é aventura. Ele é a fonte do prazer, é o que nos faz avançar e desfrutar dessa inebriante viagem dos sentidos. Aqueles que têm medo, raramente se aventuram, logo, não admira a imensa vontade de desejo de liberdade, ainda que ilusória, e o frenético desamarrar das grilhetas onde cai a base das suas vidas. Andarão sempre à deriva e à procura de algo que tudo fazem para não saber o que é. A aventura, no amor, é uma coisa séria, não tem é que ser para sempre. Aliás, só será aventura quando se luta por um amor para sempre. A busca é solitária, interior e Inspirada, nele ou nela, sempre num grande amor. O medo de amar não nos vale, se preenchemos a nossa vida com um conjunto de alguéns, um conjunto de ninguéns para o nosso coração. É duro, mas é o caminho. Até porque a maior solidão é aquela que se sente quando acompanhado.
Nesta busca, a grande questão é esta: alguém aguenta uma vida inteira, nem por um dia, mesmo no fim dos seus dias, jazido algures numa inofensiva cama, sem nunca poder dizer que - contra tudo e contra todos, acima de fundos e mundos -, despediu-se do seu velho corpo, da limitada alma, da anã rotina, e abraçou o que sempre quis e por quem eternamente esperou? Da resposta depende a procura. Da procura constrói-se o passado, o lugar para onde estamos habituados a dirigir as nossas perguntas. Alguém costuma fazer perguntas para o futuro? Claro que não. As perguntas para o futuro vão sempre em forma de desejo, não são verdadeiras questões. Então, perguntemos: quem pode dizer que sofre mais aquele que nunca conseguirá dizer, tranquilamente, que tudo fez para ser feliz pelo menos uma vez?»
NCR
Não se pode ter medo de amar e depois não acreditar nele para sempre. Isto é uma contradição em si mesmo. Porque quem não acredita numa relação amorosa duradoura, é precisamente aquele que não deve ter medo de amar, alguém para quem a vida é uma vasta terra de pinga-amores. E, inclusivamente, deveria apaixonar-se com mais facilidade, estando, por isso, mais aberto a essa grande aventura que é o amor.
Nas aventuras o medo é essencial, senão não é aventura. Ele é a fonte do prazer, é o que nos faz avançar e desfrutar dessa inebriante viagem dos sentidos. Aqueles que têm medo, raramente se aventuram, logo, não admira a imensa vontade de desejo de liberdade, ainda que ilusória, e o frenético desamarrar das grilhetas onde cai a base das suas vidas. Andarão sempre à deriva e à procura de algo que tudo fazem para não saber o que é. A aventura, no amor, é uma coisa séria, não tem é que ser para sempre. Aliás, só será aventura quando se luta por um amor para sempre. A busca é solitária, interior e Inspirada, nele ou nela, sempre num grande amor. O medo de amar não nos vale, se preenchemos a nossa vida com um conjunto de alguéns, um conjunto de ninguéns para o nosso coração. É duro, mas é o caminho. Até porque a maior solidão é aquela que se sente quando acompanhado.
Nesta busca, a grande questão é esta: alguém aguenta uma vida inteira, nem por um dia, mesmo no fim dos seus dias, jazido algures numa inofensiva cama, sem nunca poder dizer que - contra tudo e contra todos, acima de fundos e mundos -, despediu-se do seu velho corpo, da limitada alma, da anã rotina, e abraçou o que sempre quis e por quem eternamente esperou? Da resposta depende a procura. Da procura constrói-se o passado, o lugar para onde estamos habituados a dirigir as nossas perguntas. Alguém costuma fazer perguntas para o futuro? Claro que não. As perguntas para o futuro vão sempre em forma de desejo, não são verdadeiras questões. Então, perguntemos: quem pode dizer que sofre mais aquele que nunca conseguirá dizer, tranquilamente, que tudo fez para ser feliz pelo menos uma vez?»
NCR
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