quarta-feira, 30 de novembro de 2005

O Primeiro de Dezembro de 1640

De 1580 a 1640 Portugal viveu sob o domínio do Rei de Castela. A monarquia dualista dos Filipes, iniciada após as Cortes de Tomar, com a proclamação de Filipe II de Espanha como Rei de Portugal, fez acumular descontentamentos e da freima patriótica dos portugueses resultou a restauração da independência em 1 de Dezembro de 1640.



O tumulto do «Manuelinho» de Évora, em 1637, foi o verdadeiro prenúncio do movimento restaurador. A causa imediata dessas alterações em Évora fora o lançamento de novos impostos. A conspiração de 1640 foi planeada pelos fidalgos D. Antão de Almada, Dom Miguel de Almeida e pelo Dr. João Pinto Ribeiro, não obstante de outros nomes associados que, nesse sábado de 1640 acorreram ao Terreiro do Paço e mataram o secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e aprisionaram a duquesa de Mântua, que governava então Portugal em nome de seu primo, Filipe IV de Espanha. O momento fora bem escolhido, porque a Espanha defrontava os problemas advindos da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) e procurava vencer a revolta da Catalunha.



A 2 de Dezembro de 1640 D. João IV já se dirigia como soberano por carta régia datada de Vila Viçosa, à Câmara de Évora. O caminho a seguir era o da reorganização de todas as forças para o embate que se previa. Assim, resolve criar em 11 de Dezembro o Conselho de Guerra para promover em todos os assuntos relativos ao exército. Vem a seguir a Junta das Fronteiras que haveria de cuidar das fortalezas fronteiriças, da defesa de Lisboa, das guarnições e portos de mar. Dá-se, ainda em Dezembro de 1941, a criação da Tenência para assegurar o artilhamento das fortalezas com o produto das Terças dos concelhos.

Fonte: Wikipédia

PSL

Hiper-mega-stoked

Ontem vi as previsões e não resisti!
Hoje sai de manhã cedo convicto que finalmente ia ser um bom dia de ondas.
Não foi bom. Foi qualquer coisa para a qual não há outra palavra a não ser esta: perfeito.
O swell certo, as ondas com o tamanho certo, o vento a soprar do quadrante certo. As pranchas na agua na quantidade certa. O céu com a cor certa e a maré com o sentido e valor certos.
Agora..., de volta à "prisão" onde ganho para o pão e para a educação aquela esquerda, aquela direita e a outra também; aquela até ao inside e mais a outra a seguir..., ainda partem no beach break da minha memória e enchem o écran da vida de espuma e felicidade.
É tão bom...

PSL

ESPUMAS XX

Irrita-me que os ditados populares sejam tão certeiros, dizia James abrindo os seus longos braços esguios ao mesmo tempo que enchia o copo de uísque a Michael. Como é que o povo, tão supostamente estúpido e analfabeto, consegue acertar tanto com os seus centenários ditos?! O segredo está na união que faz a força, ou seja, é através de um conjunto de pessoas unidas por gerações de hábitos e culturas sedimentadas que se forma um provérbio popular, respondia Michael. Talvez, uma espécie de ciência popular, dizes tu. Há, na verdade, ditados certeiros, defendia Michael, e o meu preferido é pela boca morre o peixe. Como as pessoas também. Só que estas, ao contrário dos peixes, não morrem, continuam a viver, e bem vivas; umas, fantasiadamente bem, outras verdadeiramente mal, outras ainda, ou as duas, ou nenhuma. Quanto mais moral é uma pessoa, continuava Michael, menor a necessidade de ditar regras, impor condutas, restringir atitudes, falar sobre isso e o seu comportamento. Agora, o moralista, a pessoa moralista possui um desvio negativo de carácter acentuado, muitoas vezes coberta por uma paranóia destrutiva do seu ambiente social e, inclusive, da sua própria saúde mental. Sem o saber claro, não é Michael? Sim, sem o saber, recordo-me de uma ex-namorada sua a quem se aplicava esta patologia na perfeição, sem o saber claro. Um dia vai saber, Michael. O meu ditado preferido, ao contrário do teu, é mais prosaico; é um ditado que já era o preferido da minha avó e julgo, não tenho a certeza, que já o era por sua vez da mãe da minha avó. E reza o seguinte: «cada um deita-se na cama que faz». Tão verdadeiro, quanto fatalista! Só que não sossega nada, nem ninguém. E pode ser bom e mau! É através do acreditar e do desacreditar, do alinhar e desalinhar, do agir e reagir que fazemos a nossa cama, não é, caro Michael? Cavamos o nosso inferno ou o nosso paraíso! A nossa sepultura ou a nossa felicidade! Vais comer o resto da torrada? Não, James, podes tirar. Então, que malefício vamos nós atribur hoje, desta vez, a este país pequenino e interesseiro, neste pequeno-almoço com vista sobre a cidade ribeirinha? Agora disseste uma boa verdade, James, interesseiro. Portugal é um país com povo, mas nada do povo, pois ninguém quer pertencer a ele. Todos pensam em ter uma 'quint'a, depois proteger a sua 'quinta' e, de preferência, com o mínimo de 'quintas' à sua volta. Achas que este povo é original, Michael? Não, não é, excepto numa coisa: na cultura temerária. É difícil de explicar, mas, apesar de tradicionalmente aventureiro, este povo parece-me que passa a vida com medo. Medo de viver, de amar, de se expressar, de morrer. Medo, medo, medo! Chama-lhe medo ou receio ou temor, também acho que é um pouco de tudo isso! Têm medo de se deitarem na cama que fazem! Ah, ah, boa...Pois, James, é uma mistura explosiva de facto, quando é o interesse pessoal e o medo de algo e dos outros que comandam as pessoas. Diria mais, Michael, o mal de portugal, país lindo e rico, é estar cheio de portugueses!

NCR

terça-feira, 29 de novembro de 2005

Está a chegar o verdadeiro feriado...



Quadro de Veloso Salgado (1864-1945), representando a aclamação de D. João IV no Terreiro do Paço, tendo o Tejo como fundo, e os chefes da conspiração em frente do novo rei.

Óleo sobre tela, 325 x 285 cm
Museu Militar, Sala Restauração, Lisboa, Portugal

PSL

Há dias assim na blogosfera...

Tristes!
Há pouco menos de um ano, quando decidimos acabar como o ad libitum, vocês (link) protestaram até mais não. Quero retribuir esse protesto elevado à decima potência. Se há coisa estúpida na Blogosfera é um dia clicarmos num dos linkes do nosso blogue e...., darmos com as ventas numa mensagem de despedida. Já não é a primeira..., nem há de ser a ultima vez..., mas não me consigo habituar. É sempre uma sensação estranha e amarga. Habituamo-nos a “ler as pessoas”, a conhece-las através da escrita. Acompanhamos os seus passos. As suas vitorias, os dias aziagos e de repente as pessoas dizem que vão embora. Não é justo!
Um grande abraço a todos vocês! Muita saúde..., e que concretizem todos os sonhos. Todos mesmo.
Já agora. Viva o Benfica. O sol e as Ondas!!!

PSL

Rolo de 36 14/36

As "ferias grandes" de 2005

plitvica6

Croacia - Plitvica Jezera, Agosto 2005. Elementos III.

PSL

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

Meio caminho andado...

Hoje, os Correios de Portugal, são de longe o pior serviço publico que temos por cá.
Sem querer ser “bota de elástico” a verdade é que dantes ir a uma estação dos correios era um acto quase solene. Havia funcionários bem preparados e profissionais que nos atendiam com prontidão e rigor. Eram tempos que os correios eram isso mesmo, local onde se expediam cartas, documentos e volumes. Um serviço publico no qual tínhamos a máxima confiança e nutríamos enorme respeito.

Hoje as estações de correios são uma verdadeira bandalheira, onde tudo se vende e nenhum serviço digno desse nome se presta. Qual “loja do chinês” de tudo “há” nos CTT: lápis de cor, canetas idiotas, t-shirt´s ranhosas, canecas para o leite, literatura de cordel e toda uma panóplia de objectos inúteis.
No meio de todo este caos organizado, como é evidente o essencial perde-se. Tal como se perdeu uma carta registada que hoje tentei resgatar das mão dos incompetentes.
O resultado é o incomodo que a situação causa, a perca desse precioso bem denominado tempo, uma “carga de chatices”, a paciência que é preciso gastar para aturar gente mentecapta e incompetente.
Hoje “metermo-nos com os correios” é meio caminho andado para o aborrecimento...

PSL

Viva a República!!!

Este sim é o candidato a candidato que Portugal merece.



PSL

Amar é não ter que pedir...

...a frase que mais ouvi hoje de manhã, decorrida da apresentação na Radar de um novo filme francês. Boa frase, mas má para se ouvir logo pela matina. Sobretudo porque faz pensar, e normalmente pensar à hora do cantar dos galos dá mau resultado. Todavia, de certa forma esta frase obrigou-me a pensar. A princípio gostei e até concordei com ela, pelo menos durante vários longos minutos. A final, como agora, tinha muitas dúvidas. E as perguntas, como já é patológico, vieram em catadupa. E se para quem ama, pelo menos para uma delas, o pedido é condição desse Amor? Será menos Amor? O amor não começa sempre com um pedido? Quando se ama e não se tem vontade de amar, por medo, sofrimento, insegurança, deverá haver um pedido para se amar? E quando se desconfia incessantemente desse amor, não é ususal ao desconfiado exigir esse pedido? E a verdade, essa maldita arma do desamor! Não começará a fazer alguns estragos, questionando o amor, o amar, o pedido? E será verdadeiro o amor de ambos os amantes? Terá que ser igual? Será que pede-se cada vez mais porque as pessoas enganam outras, por vezes durante meses e meses? Ou porque que há interesses superiores como o dinheiro, a influência familiar, a defesa contra os problemas emocionais e de desequilíbrio interior, a ilusória ultrapassagem de amor pelo amor, a defesa contra si própria?

Amar é, de facto, não ter que pedir, por muito que não custe pedir quando se ama profunda e verdadeiramente. Mas pedir é, também, amar. Sobretudo, pedir perdão. O pedido dos pedidos. Pedir perdão e saber perdoar são os dois pratos de uma balança a quem muitos chamam amor. Até na desilusão. Até na traição. Amar é, assim, mais do que não ter que pedir... como em tudo que dependa da imperfeição.

NCR

sábado, 26 de novembro de 2005

Expresso da Meia Noite

Repete hoje às 16H. Tema: As "malvadas" das escutas telefónicas.
Painel: Mª. José Morgado, Paulo da Mata, Nuno Magalhães e Sofia Pinto Coelho.
É um painel giro, pois é. E um tema ainda melhor.
Vale a pena ver - eu já vi mas vou ver melhor. Pois varia entre o idiota, o patético e o circense.
É o que dá quando põem pessoas a falar do que não sabem (o único que dá uns "toques" é o Prof. da Faculdade de Direito de Lisboa).
Mas claro se as pessoas só falassem do que sabem…, ninguém diria nada a ninguém.
Agora a serio: Não percam a repetição do programa, hoje às 16h.

PSL

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

Perfect Day



Como será um dia perfeito?
Será imagem ou será senso?
Será pequeno ou grande?
Será em terra ou no mar?
Será de dia ou de noite?
Será um dia de sol ou de chuva?
Far-se-á de brisa ou de vento?
Estarei presente num dia assim?
Estarei bem?
Estarei sozinho ou acompanhado?
Saberei reconhecer um dia perfeito?
Será luminoso ou invisível?
Há alguma terra dos dias perfeitos?
Será acessível a quem o procura?
Poderei levar alguém?
Precisarei de abrir os braços?
Falará português?
Simplesmente falará?!
Será quente ou frio?
Estará vestido ou nu?
Será fofo como a lã?
E será bébé ou criança?
Será menino da Mamã?

E Hoje, é um dia perfeito?
Se ele aparecesse, lá do mundo do além,
não seria em festa, nem em vão,
dir-lhe-ia, sem grande defeito, mal ou bem,
Bem-vindo, Dia Perfeito! Aparece sempre!
Mas aparece a toda a gente,
porque este é o mundo da imperfeição!
Aqui, a hora é diária, o dia é horário,
o corvo é negro, a mariposa temporária.
Bem-vindo, Dia Perfeito, hoje até está sol!
.


NCR

Bom fim-de-semana.

Foi (apenas) há 30 anos...

Manhã de 25 de Novembro
Na sequência de uma decisão do General Morais da Silva, CEMFA, que dias antes tinha mandado passar à disponibilidade cerca de 1000 camaradas de armas de Tancos, paraquedistas da Base Escola de Tancos ocupam o Comando da Região Aérea de Monsanto e seis bases aéreas. Detêm o general Pinho Freire e exigem a demissão de Morais da Silva. Este acto é considerado pelos militares ligados ao Grupo dos Nove como o indício de que poderia estar em preparação um golpe de estado vindo de sectores mais radicais, da esquerda. Esses militares apoiados pelos partidos políticos moderados PS e PPD, depois do Presidente da República, General Francisco da Costa Gomes ter obtido por parte do PCP a confirmação de que não convocaria os seus militantes e apoiantes para qualquer acção de rua, decidem então intervir militarmente para controlar inequivocamente o destino político do país.



Tarde de 25 de Novembro
Elementos do Regimento de Comandos da Amadora cercam o Comando da Região Aérea de Monsanto.

Noite de 25 de Novembro
O Presidente da República decreta o Estado de Sítio na Região de Lisboa. Militares afectos ao governo, da linha do Grupo dos Nove, controlam a situação.
Prisão dos militares revoltosos que tinham ocupado a Base de Monsanto.

Fonte: Centro de Documentação 25 de Abril

PSL

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

Campo Contra Campo (XXVIII)

Elizabethtown, **

No fim de semana passado foi ver Elizabethtown. Pura. Perca. De tempo. Nem sei por onde começar o index de misérias...
Num argumento ridículo vamos viajando pelas tristezas alheias. Ao invés do que alguém disse “por ai” aquilo não está cheio de vida coisa nenhuma. Está cheio de artificialidade.



O que mais me incomodou no filme foi o amadorismo com que algumas cenas são filmadas, anotadas e depois montadas (vg as sequências entre os protagonista, primeiro no avião e depois no salão da festa de casamento daqueles patetas americanos). Sendo para mim cinema sinónimo de plasticidade, então na “arte do invisível” este filme é uma chaga.



Safa-se, nos últimos quinze/vinte minutos quando o disparate se transforma em “road-movie”, e a banda sonora dispara em direcção ao céu.
A parte gira disto tudo é que existe uma culpada. A Izzolda e o seu post (link) elogioso sobre o filme. Lamento!
A parte gira disto tudo (II), é que o filme tem sido muito referido na Blogosfera e como (quase) sempre não concordo como o homónimo Mexia (link) e vá lá..., desta vez estou com o Ivan (link). Há dias assim...

PSL