terça-feira, 11 de setembro de 2007

Correspondência total de ADN

Diz o Público que a Polícia Judiciária «desmente coincidência total com ADN de Madeleine».
Tal afirmação da PJ não me surpreende. É que - ao que julgo - um teste de ADN nunca dá um resultado totalmente coincidente entre os objectos comparados.
Há tempos fui advogado num processo de averiguação oficiosa de paternidade. O resultado do teste, que comparou o ADN da criança em causa e do homem que pretendia ser reconhecido como pai, não foi de 100%. O Instituto de Medicina Legal apresentou um resultado de 99,9999999% de compatibilidade.
Isso mesmo: noventa e nove, vírgula sete noves!
Apesar disso a conclusão do IML foi a expressão oracular "paternidade praticamente provada".
Assim, a divergência nas declarações entre a PJ e os media ingleses pode não passar de uma mera questão de... semântica...

Leituras soltas, blogosfericamente soltas, que gostei de fazer

Olha, olha, quando são os Uvas e os Tomaz a jogar já defendem o serviço público, por Pedro Sales no Zero de Conduta;

Carlos Anjos, por Carlos, na Grande Loja do Queijo Limiano;

Maddie: breve nota impressiva por Coutinho Ribeiro n’O Anónimo;

Onde está o Serviço Público quando eu deixo de ser liberal? Por Daniel Oliveira no Arrastão;

…mas sobretudo:

flores aqui, moita ali por Fernanda Câncio no Cinco Dias;

O Comunismo como seita pelo Miguel no Combustões (onde nas colunas toca um tango dos Deuses);

Os Tugas (31) por Pedro Correia no Corta-fitas.

Onde é que estavam no 11 de Setembro de 2001?

A verdadeira dimensão desse momento sente-se não no plano económico ou político mas sim social. Nesse dia tinha ido trabalhar num horário dito de "trabalho normal". Regressei logo após o almoço ao local de trabalho para dar uma volta na net, antes de voltar a pegar no trabalho. Nessa época a blogosfera ainda era uma miragem. Contudo, eram muito populares as mailing list os fóruns e outros locais de discussão. Numa das mailing list de que era há época assinante, varias pessoas demonstravam o seu medo e espanto com um "acidente" de avião no centro de Nova Iorque. Procuro melhor informação num qualquer motor de busca nacional quando me lembro que aquela hora, perto das duas da tarde, ainda os noticiários da hora do almoço estariam no ar. Quando chego à primeira televisão que encontrei, deparo-me com o departamento em peso a assistir ao imprevisível caos. Furo para a primeira fila e assisto a um Paulo Camacho, na SIC, mais "às aranhas" que todos nós juntos. Minutos depois repetem-se as imagens do segundo avião que choca com a Torre 2. Dentro em breve todos haveríamos de ver em directo e a cores aquela torre a ruir em segundos. O resto da historia todos conhecemos. O século XXI tinha enfim começado.
E vocês, onde estavam no 11 de Setembro de 2001?

CRONOS XX

"Buffalo Stance" - Neneh Cherry (1989)

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Entre o N MÚSICAS e o CRONOS

Sétima Legião na Estufa Fria em 1985


A descoberta de hoje foi extraordinária. Não é que me lembre de ver este concerto, pelas más razões mas isso não interessa agora, porquanto não pude assisti-lo dada a minha tenra idade de 13 aninhos. O problema estava na idade, mas também na hora, pois claro, porque, para um aluno do Maria Amália, não conhecer a Estufa Fria era sinal ou de mariquice ou de virgindade:-)...
Agora os tempos mudaram, todavia, ir a um concerto em 1985 ver uns mânfios a tocar música esquisita não eram criminosos, mas mereciam estar na cadeia (e estes até eram anjinhos comparados com outros não muito violentos, por exemplo, para terem uma ideia simples, como os G.N.R.: bem me lembro da minha santa avó os mandar trabalhar enquanto os ouvia, involuntariamente, pelo meu gravador de cassetes, que ficava bastante concorrido na altura das festas de Verão!). Portanto, a idade é um condicionante natural no tipo de música que se ouve.
Desde os tempos mais recentes que, no que respeita à zona Parque Eduardo VII, os preconceitos e os conceitos são outros: paradoxal e provavelmentemente, actualmente,quem vai à Estufa Fria à noite, das duas uma: ou é virgem ou é homossexual! Quanto ao conceito, ele está na insegurança do dito e suposto objecto sexual. É que o género acompanhou a transmutação dos tempos, daí que, vai lá vai, todo o cuidado é pouco. Neste particular, desculpem a voz da reacção, belos os tempos do antigamente, porque já nem os mânfios conseguimos discernir.

Brutos e cavalheiros



Não deve ter havido muitas semanas como a que passou e a que decorre no que respeita à simultaneidade de selecções portuguesas a jogar em altos campeonatos, i.e., europeus e mundiais. São três, pelo menos, as selecções - de futebol, basquetebol e rugby - que jogam a camisola portuguesa. Todavia, e ao contrário do que seria expectável, ou talvez não, é a selecção profissional de futebol que demonstra menos força e garra (com muito poucas excepções, refira-se) e é a amadora (sem estrelas) que está a guerrear que nem lobos contra a sua presa. É esta selecção que dá o exemplo de tenacidade, de talento natural e de dedicação à causa que, por sinal, ainda é um pouco incompreendida dentre as modalidades designadas de amadoras, em rigor, não profissionais. E, diga-se, com imensos sacrifícios pessoais e materiais - não ganham pelo ganho sacrificado e não ganham mais dinheiro por jogarem mais ou melhor, jogam por eles, pelo seu orgulho no rugby e pela sua pátria (já alguma vez viram uma selecção de futebol a cantarem e a sentirem colectivamente o hino português daquela maneira?).

Para quem jogou rugby na adolescência e no início da sua idade adulta, sabe da força, dedicação e motivação necessárias para o praticar com regularidade; um desporto imensamente competitivo e desgastante fisicamente. Eu próprio tive a minha conta dessa natureza: entre outras mazelas, mesmo com a boqueira posta, parti dois molares durante um jogo amigável contra uma equipa inglesa. Mas não houve violência desportiva, porque o soco (end off) está inscrito nas regras do rugby. Respeitando-se as regras, não há abuso legal. Violento desportivamente é (as)sim o futebol, um jogo onde os pontapés na canela, as estaladas, as cabeçadas e as cotoveladas são vistas em quase todos os jogos e, segundo sei, não são permitidas pelos regulamentos de qualquer país. Por isso que, na minha época, costumava-se dizer que o futebol era um jogo de cavalheiros jogado por brutos e o rugby um jogo de brutos jogado por cavalheiros. Quem jogou rugby compreende bem a escola que é a prática desta modalidade, escola para a pessoa e para a vida. Porqu~es? Sobretudo porque durante 80 minutos se convive com a adversidade pura e dura e para a enfrentar é condição de sucesso disciplinar o medo. Foi uma das grandes lições que aprendi: a disciplinar o medo e a força.


Portanto, pode dizer-se que é normal num jogo entre profissionais e amadores que estes joguem com maior motivação, é legítimo dizer-se que o rugby assusta, ainda, muita gente com a sua suposta violência física e é banal afirmar-se que nenhuma modalidade iguala o futebol no apoio à seleccção por parte do seu 'povo', mas estas duas semanas têm algo de original: a diferença da atitude colectiva de uma selecção portuguesa em campo. Com atitudes destas, venham as derrotas. No final, só reforçam a nossa nacionalidade.


Adenda:
A minha tese sobre o comportamento das massas desportivas é simplista e de base meramente empírica, mas é esta: é o respeito pelos valores e regras, não os valores e as regras da modalidade per si, que moldam o comportamento do público; e o contrário não se verifica.

Kid Nation, adulto não entra

Contemporaneamente a televisão tem tido o condão de lançar (voluntária ou involuntariamente) debates interessantes. Foi assim quando a Endemol criou um tal de Big Brother. Foi assim quando mais recentemente um reality show holandês recolocou na agenda mediática o debate sobre a doação de órgãos. Agora, nos Estados Unidos, a CBS coloca um novo limite: quarenta crianças, dos oito anos e meio aos quinze vão algures para o deserto tratar da sua vidinha. Totalmente sozinhas, diz-nos a produção. Sem adultos por perto. O programa ainda não estreou mas, como convém, a polémica já estalou. Assim de repete a coisa parece ser mais do mesmo lixo com que as televisões mundiais enchem o éter. Com uma diferença. Agora as vitimas são crianças. Ora vejam lá o promo:

ArcádiaQuiz (VI)

Eu não gosto de generalizações, tu não gostas de generalizações, ele não gosta de generalizações…, mas certo é que o mundial de Rugby apenas é tema de conversa entre bloggers de direita – quando o é à esquerda é para insinuar patetices como esta (link). Porque será que a esquerda não gosta (e nalguns casos até embirra solenemente) com o rugby:

1. A esquerda é mariquinhas e não gosta de sujar os calções;
2. A esquerda é complexada e não gosta de ver o hino nacional cantado com fervor e emoção;
3. A esquerda nunca perde os preconceitos e pré-conceitos onde vive encarcerada desde sempre e dos quais nunca se consegue libertar por um momento que seja.

domingo, 9 de setembro de 2007

ESPUMAS XXXIX



As calçadas, meu senhor, as calçadas, as lisboetas, já não são o que eram. Suspiram para serem encostadas umas às outras pelo peso do seus massagistas, alheios ao prazer e à dor do seu temporário sustento, essas pedras pobres em leveza e ricas em luz. Não há tempo, meu caro, há muito tempo, imagina os dias previsíveis?, as pessoas são inconstantes, ora se são, por vezes passam depressa, muito depressa, outras vezes param, os mais ousados, os espertalhões, encostam-se, à espera de um sinal urbano de cor negra e de fundo colorido, sem pingo de criatividade. E qual é o melhor caminho calceteiro, oh, meu caro sneho, pergunta divina e diabólica, pergunta o caminho a um português, aqui ninguém conhece a cidade, homem de deus, trabalhará o meu camarada no futebol ou na justiça e saberia-lo com certeza, agora nesta hora do Senhor e neste canto de jangada perdido, meu senhor, como quer que lhe responda, quer de dia ou de noite, mas que raio, faz alguma diferença, toda, pois claro, não havia de fazer nesta cidade morta e cinzenta, com tão pouca vida interessante e cedida ao trespasse. Não lhe pergunto mais, peço desculpa, na verdade até parece que pela Internet darei com o caminho, pois, bem me queria parecer, já nada se faz com o corpo e a alma, tudo agora é com a ponta dos dedos, adeus mundo a nossos pés, como outrora, belos tempos não caro descendente dos grandes descobrimentos, não, homem dos negócios estrangeiros, eu mal dou com o caminho, embora nesta cidade, de tudo se descobre, sobretudo enrolado em tapumes e poeiras, siga o caminho, então, que lhe aprovuver, é isso pois que tentarei, penso que até sei lá chegar, ah!, pergunta por perguntar, está a ficar português, caro negociante estrangeiro, pergunta para confirmar, sinal dos tempos desta era das TIC que no meu tempo eram transportes, pois claro, tudo é acessível por todos e paradoxalmente a insegurança brada os caminhos dessas redes sem fim e sem fios - que saudades da minha velhinha antena - na verdade... oh meu caro bife, desculpe a franqueza, não me venha com pantominices, todos perguntam para confirmar, a confirmação procura-se em todos os lados, nos quiosques, nos amigos, nos médicos, nos advogados, até na televisão, com um telefonema para o consultório, outro para a opinião pública, e tudo se confirma. Bom, tudo não é bem assim, quase tudo, desculpe-me meu caro esta tendência do meu povo, sempre fomos adeptos do absolutismo, portanto, digo quase tudo porque o resto é para se perguntar porque não fez melhor, isto é, para se criticar, de preferência de forma calceteira, pois claro, quem não gosta, ah, ah... Portugal é uma nação antiga, ei, ei, calma!, antiga sim, mas nação?, nação é Lisboa, aqui não há ponta... com calceteiros e aspirantes, e quem não embarca, leva com a calçada em cima, dos pés, porque o povo português, embora não pareça, parece andar com os pés enterrados quando caminha. Nunca se apercebeu? Eu percebo, tem que viver mais por cá e ver mais televisão portuguesa. Aqui fala-se mais com os pés do que com a boca, talvez seja o peso Hstória, ou do orgulho, mas para mim são plumas, meu senhor estrangeiro, como este povo amante da superficialidade, somos plumas da História, meu caro... Tenho que ir andando, peço-lhe desculpa, queria ver a calçada ainda hoje, senhor, senhor lisboeta? Desculpe! Primeiro sou português, depois vem esta terra que piso! Vá lá, encontre o seu caminho, que Santiago não se encontra nas esquinas lisboetas...talvez um Lizarran.

Então e esta selecção não merece uma bandeirinha à janela? (II)

Andam mais rapazes lá fora a lutar pela vida. Quem viu a estreia da selecção nacional de rugby no Mundial de França, mesmo não percebendo nada de um jogo onde o corpo é uma arma e a bola é oval, não pode ter ficado indiferente à pele que aquela rapaziada deixou em campo. É bom recordar que Portugal é a única selecção amadora no evento e logo no primeiro jogo, com um colosso chamado Escócia, viu um dos seus (Vasco Uva) ser considerado o melhor jogador em campo. A inexperiência e a menor valia técnica fizeram o resultado final mas a coragem e a honra escreveram as linhas do exemplo. Em especial para uns tais putos mimados com putas e champanhe francês - não me peçam para contar o que vi na madrugada do domingo passado no W (não foi por acaso que um certo defesa habitualmente titular ficou no banco) - que com dez milhões a gritar por eles não conseguem mais do que ser uma sombra deles próprios.

PS: …e no basquetebol derrotámos Israel, coisa impossível ainda há meia dúzia de anos, o que coloca Portugal na luta pelo acesso aos quartos de final do Europeu. Vá lá "metam" a bandeirinha à janela…

N PERGUNTAS XXXV

- Pai, porque é que "tudo junto" se escreve separado, e "separado" tudo junto?

Assaltaram um banco? Who cares?...

sábado, 8 de setembro de 2007

A canalha

A canalha não é o povo. A canalha é a caricatura do povo para a televisão. São os que se juntam à saída de interrogatórios e julgamentos para insultar quem está na mó de baixo. Trata-se da mais abjecta espécie de cobardes. É provável que alguns tenham chorado a sorte da Madeleine McCann como se fosse alguém da família. Não, não é compaixão. Vivem a vida dos outros como se vive uma novela. São tudo personagens, motivo de conversa, uma forma de passar o tempo. Amanhã já se esqueceram. Mas hoje insultam os vilões do momento.
Daniel Oliveira, no Arrastão. Cheio de razão.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Há Liberdade (LXXIX)

Então e esta selecção não merece uma bandeirinha à janela?

Apesar de não ser grande adepto de basquetebol, não deixo de me regozijar com a prestação daquela selecção nacional no Europeu em Espanha. O impossível – passar à segunda fase – foi conseguido e o grupo actual até é menos difícil que o anterior. Deixem sonhar os rapazes. Nunca se sabe se aquele Portugal não se assume como a Grécia do balão ao cesto. Todos já vimos coisas piores.

Portugal joga com a Rússia agora às 15h30, sendo o jogo transmitido em directo na 2:.