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quinta-feira, 12 de junho de 2008

Más notícias

1- A Galp aproveitou a confusão sobre a indisponibilidade de combustíveis e o jogo da selecção nacional de futebol para aumentar de novo os preços;
2- Aguarda-se uma acção paralela da BP e da Repsol;
3- Chegaram ao fim as milhares de paralizações paralelas de camionistas, pelo que hoje mesmo começará o estudo para se localizar onde é que se vai sacar o dinheiro da redução nocturna das portagens devidas pelos veículos pesados;
4- O Tribunal Europeu entende que a exploração das pontes de Lisboa é uma actividade comercial, pelo que o IVA passará de 5% para 20% (acontecerá em Julho), pelo que deve vir aí mais um buzinão...

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Procura-se

Líder da oposição
(não, já não é Menezes...)

O Estado vai nu

Hoje, pela primeira vez na vida, vi-me na necessidade de correr para uma loja e trazer todo o produto que podia e que penso vir a precisar. Por outras palavras, vi-me na necessidade de correr a uma bomba de gasolina e encher o depósito até mais não caber. É grave? Sim. Mas mais grave ainda é não saber quando é que poderei ter o prazer de repetir esse singelo gesto. Por essa blogosfera fora multiplicam-se os relatos de quem começa a ver-se aflito com a infame paralisação dos camionistas labregos.

Ao contrário do que o nosso Santos Silva pensa, o problema não se coloca no plano das ideias, mas sim no plano da acção. Ao contrário do que o nosso Santos Silva pensa, este ainda não é o “buzinão de Sócrates”.

Não é necessário ser cientista politico ou sequer politólogo, para compreender que estamos perante a maior manifestação em Portugal daquilo que algumas correntes sociológicas têm vindo a apontar como a deterioração do Estado ie o seu atrofiamento e enfraquecimento, a sua incapacidade para resolver problemas, enfim, a sua demissão do papel de garante da paz e segurança.

Agora vemos constitucionalistas (diz que são uma espécie de sábios do regime!) sugerir o “estado de emergência”. Para quê?
O Estado de Direito Democrático e Social, desenhado por esses mesmos “paizinhos”, tem mecanismos mais simples para resolver problemas simples. Numa palavra: força.
Este ainda não é o “buzinão de Sócrates” porque Sócrates na sua louca ânsia de se perpetuar no poder nunca despirá o fato de cobarde e tudo fará para não ter de sujar as mãos.
Este nunca será o “buzinão de Sócrates” porque a malta quer comer, beber e encher o depósito. A malta quer que os camionistas labregos se fodam. Quer sangue, carga policial. Porrada neles!

Pior do que entregar a chefia de governo a um paneleiro é ter entregue a chefia de Governo a um maricas. Mas como já disse pelo menos uma vez, a culpa também é vossa. De quem o lá pôs.

O buzinão de Sócrates

À parte as posições partidárias que mudam consoante o vento, cada vez mais o bloqueio dos camionistas aparenta ser o Buzinão de Sócrates.
Foi na estrada e por causa da desconsideração para com o contribuinte que Cavaco acabou por ser forçado ao seu primeiro tabu e à sua primeira derrota legislativa (por interposta pessoa, claro).
Sobreviverá Sócrates?

Especulação dos camionistas

Os liberais andam agora preocupados com os bloqueios promovidos pelos camionistas.
Porém, analisando o fenómeno através da lente liberal que tudo justifica, podemos concluir que os camionistas estão tão somente a intervir de forma paralela no mercado da circulação rodoviária, com o objectivo de, reduzindo a sua oferta, provocar a alteração das regras do mercado vigentes.
Como é óbvio, a circulação rodoviária é um mercado, já que não existe a liberdade plena de circulação (eu não posso passar a pé ou de bicicleta a ponte 25 de Abril...), e as grandes vias que foram sendo construídas nos últimos vinte anos não podem ser utilizadas senão por veículos automóveis e muitas delas foram concessionadas segundo regras de mercado.
Tudo isto significa que os camionistas estão a comprar um risco actual (incerteza quanto aos custos de produção dos seus serviços) para vender uma certeza futura (certeza quanto a esses mesmos custos), o que pretendem obter pelo condicionamento dos governos.
É o mercado a funcionar! Não percebo como é que os liberais andam chateados, deve ser porque não têm nenhum pacote de anglicismos para explicar a situação...
Todos nós fomos apanhados no meio? E não tínhamos nada a ver com o assunto?
Também não tínhamos nada que ver o sub-prime...