segunda-feira, 11 de maio de 2009
domingo, 10 de maio de 2009
PALETA DE PALAVRAS LXXII
"Signs" - de Patrick Hughes
N MÚSICAS LXVI
"Pontes Entre Nós" (2007) - Pedro Abrunhosa
Para as elites das elites políticas, para as elites e as baixas elites políticas, para os cidadãos representados e não representados politicamente e para aqueles que se estão a lixar para a política, sem metáforas.
Para as elites das elites políticas, para as elites e as baixas elites políticas, para os cidadãos representados e não representados politicamente e para aqueles que se estão a lixar para a política, sem metáforas.
N PUBLICIDADE XXI
O novo filme do Channel n.º 5, com Audrey Tatou
Para que tudo fique na mesma...?
Diz Luís Filipe Vieira: "Vai haver mudanças".
Foi tão boa a festa, pá!
sábado, 9 de maio de 2009
À escuta
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Terreiro do Paço
Em conjunto com mais alguns elementos do Fórum Cidadania Lx, hoje assino um artigo de opinião no Público sobre o Terreiro do Paço.
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sexta-feira, 8 de maio de 2009
Os médicos e os políticos
A TVI está atransmitir uma reportagem em que exibe fotografias e o programa de um "congresso" de obstetrícia e ginecologia em Kuala Lumpur. Pela análise do programa nenhum dos médicos pôs os pés em qualquer congresso. A TVI transmitiu algumas conversas telefónicas com médicos meramente identificados com uma inicial (Dr. S., Dr. F., etc.).
Pergunto: tratando-se este um caso de fumos de corrupção, se em vez de médicos fossem políticos, quanto é que apostam que os nomes não seriam divulgados?
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Tourada e Aborto
Há uns tempos, aqui e aqui, tive oportunidade de manifestar a minha estranheza pelo facto de - em regra - os defensores do aborto serem adversários das touradas, como se pudéssemos dividir a vida em compartimentos estanques, sendo que num estaria a vida intra-uterina e noutro a vida taurina.
Uns autarcas por esse país fora resolveram declarar que, ou proibiriam ou não licenciariam touradas (a tauromaquia é legal em Portugal) nos seus concelhos. Vai daí a associação Juntos pela Vida resolveu pedir aos mesmos autarcas que não licenciam touradas para não licenciar estabelecimentos onde se realizem abortos.
Para demagogo... demagogo e meio!
quarta-feira, 6 de maio de 2009
A lata descomunal
Ao mesmo tempo que pede a renacionalização de uma das (pouquíssimas) seguradoras de crédito que actuam em Portugal, a AEP critica o Governo por ter aumentado a função pública (facto que puxa os salários do sector privado) por afinal a inflação ser mais baixa do que se previa.
A AEP afirma que «a moderação salarial é uma exigência absoluta» para defender a competitividade.
Bem, além de qualquer merceeiro (sem desprimor para estes) saber que a competitividade não se mede pelos salários mas pelas opções de negócio que se toma quando se investe assumindo o risco inerente, é preciso uma lata descomunal para - ao mesmo tempo que se pede a moderação (i.e. congelamento ou redução) dos salários dos trabalhadores, se pedir a nós todos que asseguremos o seu risco.
É o neo-conservadorismo devorista e rentista no seu melhor! De facto, a AEP com líderes deste calibre bem pode migrar para paraísos da moderação salarial...
segunda-feira, 4 de maio de 2009
A Dama de Ferro enferrujado
«Decorria o quarto dia do mês de Maio do ano da graça do Senhor de mil novecentos e setenta e nove, quando foi eleita Chefe do Governo Britânico, Margaret Hilda Thatcher, a primeira e única mulher a alcançar esse desiderato. Seguiram-se onze anos que marcaram o Reino Unido e a história universal.
Conta-se que no início da sua governação terá atirado para cima da mesa de uma reunião do "Shadow Cabinet", "The Constitution of Liberty", de Friedrich Hayek e exclamado, "This is what we believe". Mito ou não, o certo é que seguiu a obra de Hayek ao pormenor, sendo para os não crentes, prova viva do quão errada é a sua teoria. Entre as primeiras medidas contam-se a abolição do salário mínimo, a redução dos serviços sociais, o fim da distribuição gratuita de leite nas escolas e um plano de recuperação económica através da redução da intervenção estatal e de um ambicioso programa de privatizações.
Se esta era a forma de reduzir a galopante inflação britânica, conseguiu-o durante um ano. Depois duplicou para os 20%, acompanhada de um desemprego multiplicado por três e de uma profunda recessão económica em 1981.
Em 1982 surge a sua tábua de salvação, a Guerra das Malvinas. A vitória, muito à custa do apoio militar americano, levou-a à reeleição com maioria em 1982. Era o orgulho nacionalista britânico a fazer esquecer os estômagos vazios. Ainda obteve outra reeleição, desta feita sem maioria.
Em 1987 cria o famoso poll tax, imposto regressivo que taxava mais quem menos ganhava. Enfrentou então a ira popular que lhe contou os dias à frente do Governo Britânico, despedindo-se do cargo sem a glória que chegou a alcançar.
Ronald Reagan chamou-lhe "O Homem Forte do Reino Unido". Para a história ficou como "Dama de Ferro".»
Conta-se que no início da sua governação terá atirado para cima da mesa de uma reunião do "Shadow Cabinet", "The Constitution of Liberty", de Friedrich Hayek e exclamado, "This is what we believe". Mito ou não, o certo é que seguiu a obra de Hayek ao pormenor, sendo para os não crentes, prova viva do quão errada é a sua teoria. Entre as primeiras medidas contam-se a abolição do salário mínimo, a redução dos serviços sociais, o fim da distribuição gratuita de leite nas escolas e um plano de recuperação económica através da redução da intervenção estatal e de um ambicioso programa de privatizações.
Se esta era a forma de reduzir a galopante inflação britânica, conseguiu-o durante um ano. Depois duplicou para os 20%, acompanhada de um desemprego multiplicado por três e de uma profunda recessão económica em 1981.
Em 1982 surge a sua tábua de salvação, a Guerra das Malvinas. A vitória, muito à custa do apoio militar americano, levou-a à reeleição com maioria em 1982. Era o orgulho nacionalista britânico a fazer esquecer os estômagos vazios. Ainda obteve outra reeleição, desta feita sem maioria.
Em 1987 cria o famoso poll tax, imposto regressivo que taxava mais quem menos ganhava. Enfrentou então a ira popular que lhe contou os dias à frente do Governo Britânico, despedindo-se do cargo sem a glória que chegou a alcançar.
Ronald Reagan chamou-lhe "O Homem Forte do Reino Unido". Para a história ficou como "Dama de Ferro".»
André Couto, no Delito de Opinião
domingo, 3 de maio de 2009
Um partido político positivo, por favor! (2.ª parte)
A política ainda é feita e avaliada pela marcação das agendas internas e pessoais, e segundo os timings e padrões mediáticos, delineados segundo a segundo, palavra a palavra, postura a postura. Aquela não reflecte o que o país pensa, nomeadamente no que respeita aos jogos da oposição e da desvalorização do adversário. Não conheço nenhum cidadão "apolítico", desde os menos instruídos aos desinteressados, que não defenda a verdade e transparência que acima referi, ou que não gostasse de ver realizada uma valorização desinteressada dos adversários, sem reservas ou minorações personalizadas. Esta realidade fáctica não deve, contudo, omitir a idealidade política, pois o objectivo puro e ancestral da política é o poder, ou seja, ganhar eleições e não propriamente cidadãos ou militantes. Com esta táctica limitadora, os não praticantes da política raramente ganham eleições, quanto muito contribuem para a selecção dos eleitos. O processo democrático ou político, incluindo os seus críticos, enquadra-se, cada vez mais, num sistema autopoiético da crítica ao exercício do poder: uns, queixam-se de que não conseguem chegar ao topo dos partidos; outros, supondo um sistema fechado e maratonista de contorcionismos ideológicos e pragmáticos rejeitam à partida qualquer cumplicidade formal com os partidos. Mas nem sempre o que parece, é. Recordo uma queixa de António Borges há uns anos sobre a quase impossibilidade de alguém, sem carreira partidária ou política, chegar à gestão de topo partidária. Pois bem, desde o ano passado que este senhor é vice-presidente do maior partido da oposição, estando, portanto, num excelente posicionamento para ser membro do governo, ou mesmo chefe de um futuro governo, no caso, do PSD. Outros casos de mobilidade política partidária, como os renegados, os expulsos ou mesmo os “trasladados” políticos, por vezes na condição de deputado, são casos reais da política portuguesa. O sistema é, assim, retro-alimentado, notando-se um fio condutor dominante e hegemónico: a (pequena e deslegitimada) elite.
De certo modo, portanto, as oportunidades políticas e partidárias existem no sistema português. O sistema político português, sendo um sistema híbrido de várias matrizes políticas regimentais oferece essa virtude. O sistema partidário, dada a pressão/exposição da comunicação pública e o fornecimento de nova "matéria-prima" como condição de uma politica renovada do candidato partidário eleito também funcionam como válvulas de abertura e de um limitado "rejuvenescimento" de mérito, designadamente da sociedade civil profissional, artística ou desportiva. Mas não deixam de resultar em soluções artificiais, temporárias ou de expectativas frustradas. Funcionando como meros "jokers" ou cartadas "fora do baralho", dificilmente acabam por ser relevantes para os diversos jogos partidários que exigem outros trunfos.
Concluindo, para já, a característica falta de iniciativa política interventiva portuguesa, bem como a habitual manutenção dos velhos esquemas e mecanismos de organização, funcionamento e participação partidárias, assim como a dependência destes em relação ao Estado, não oferecem as melhores condições para termos partidos políticos “positivos” e participados com cidadãos militantes heterogéneos e desformatados da realidade intra-partidária. Quando a política não imita a vida de uma sociedade, ela acaba por ser o reflexo de uma minoria que se auto-alimenta por regras próprias e um “código de carreira”, típicos de uma elite política gasta, incapaz de se renovar ideologicamente e de criar líderes globais, estratégicos e universais. Um mal democrático menor, é certo, mas com uma cara factura democrática e governativa a pagar pelos legítimos soberanos.
De certo modo, portanto, as oportunidades políticas e partidárias existem no sistema português. O sistema político português, sendo um sistema híbrido de várias matrizes políticas regimentais oferece essa virtude. O sistema partidário, dada a pressão/exposição da comunicação pública e o fornecimento de nova "matéria-prima" como condição de uma politica renovada do candidato partidário eleito também funcionam como válvulas de abertura e de um limitado "rejuvenescimento" de mérito, designadamente da sociedade civil profissional, artística ou desportiva. Mas não deixam de resultar em soluções artificiais, temporárias ou de expectativas frustradas. Funcionando como meros "jokers" ou cartadas "fora do baralho", dificilmente acabam por ser relevantes para os diversos jogos partidários que exigem outros trunfos.
Concluindo, para já, a característica falta de iniciativa política interventiva portuguesa, bem como a habitual manutenção dos velhos esquemas e mecanismos de organização, funcionamento e participação partidárias, assim como a dependência destes em relação ao Estado, não oferecem as melhores condições para termos partidos políticos “positivos” e participados com cidadãos militantes heterogéneos e desformatados da realidade intra-partidária. Quando a política não imita a vida de uma sociedade, ela acaba por ser o reflexo de uma minoria que se auto-alimenta por regras próprias e um “código de carreira”, típicos de uma elite política gasta, incapaz de se renovar ideologicamente e de criar líderes globais, estratégicos e universais. Um mal democrático menor, é certo, mas com uma cara factura democrática e governativa a pagar pelos legítimos soberanos.
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