quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Abram a pestana

Estes são os meus mais sinceros votos para o ano que agora começa!
Em 2009 os portugueses terão uma enorme responsabilidade: vão ter de escolher, vão ter de votar. A culpa do mau governo não é (só) do Governo (aqui em sentido lato) mas sim de quem escolhe. Como já tenho escrito noutras ocasiões, a cultura a-liberal de deresponsabilização individual, filha de uma tradição Católica Apostólica Romana, impede os portugueses, de uma forma geral, de reconhecerem os seu próprios erros, deixando (sempre) para os "outros" a culpa das suas escolhas.
Em democracia os administrados escolhem a administração. Não queiram pois os meus amigos ser culpados da má administração, do mau governo, da hipocrisia, da trapalhada, da asneirada e, acima de tudo, da degradação da Liberdade.
Em 2009, os meus mais sinceros votos, a todos sem excepção, é que abram a pestana. Antes que seja tarde. E não venham com o estafado latim de que " não há alternativa". Nesta vida, há sempre alternativa. Só a morte nos impede de escolher.

Um bom 2009 de combate...

... contra a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania!

Abanar a anca cinco minutos por dia nem sabe o bem que lhe fazia (XVIII)

Das bandas que fomos prometendo por aqui (link), vir a tornarem-se grandes durante o ano que termina, houve uma que transformou-se em mais grande que maior: planetária. De Lisboa a Brisbane, os MGMT, não pararam de tocar no meu rádio. E esta musica em particular, uma das favoritas das rádios australianas, foi uma banda sonora perfeita para os momentos de road trip que a recente viagem ao outro lado do mundo teve.
Este é ainda um vídeo perfeito para encerrar um ano blogosférico de muito post musical. Vejam porquê; volume ao alto que hoje é dia e noite d’anca abanar.

MGMT - "Kids"

Sobre o tempo que passa

Pacheco Pereira escreveu lá no seu diz que é uma espécie de blogue que "a blogosfera está cada vez pior". Ainda bem que o fez; pois se não o tivesse feito nunca teríamos lido este (link) post absolutamente extraordinário de Pedro Mexia.

Por falar em prosas absolutamente extraordinárias, leiam esta (link) do Miguel no Combustões sobre o Grande Juiz.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Balancete

O Corta-fitas pede-nos um breve resumo da matéria dada em 2008. Com todo o prazer:

Figura Nacional do Ano: feliz ou infelizmente, Cristiano Ronaldo;

Figura Internacional do Ano: Henry Paulson;

Acontecimento Nacional do Ano: nenhum, nada, zero. Só quem anda muito distraído é que pode pensar que neste pântano à beira mar abandonado se passa algo de relevante;

Acontecimento Internacional do Ano: dois, a eleição norte americana e os Jogos Olímpicos na nova China. Ou melhor, três, a crise financeira e economica a nivel mundial.

Frase Nacional do Ano: Uma das mais belas pérolas do PREC, “O Povo é sereno”. Proferida pelo Almirante Pinheiro de Azevedo (aka Pinheiro maluco) no verão quente de 1975 do alto de uma varanda do Terreiro do Paço. Perfeitamente actual, desde esse dia, nada mais se disse por cá com relevo. “O Povo é sereno”, cada vez mais.

Frase Internacional do Ano. “Yes we can”, o slogan que levou Obama à vitória;

Melhor Blogue do Ano: na impossibilidade de eleger o Corta-fitas, E Deus Criou a Mulher.

Melhor Blogger do ano: como não posso escolher o Pedro Correia, voto no João Gonçalves.

A tradição é o que o Homem quiser, o Natal não

Afinal a Sofia é mais paciente do que eu julgava. Não só teve a paciência necessária para ler isto com atenção até ao fim, como ainda teve a paciência de me responder, resposta essa em que apenas hoje (ontem) reparei [shame on me].

Tal como tentei dizer aqui, penso que só existe uma razão valida - ou se quisermos num plano mais filosófico, um elemento teleológico ou um fim último - para as comemorações natalícias (assumam elas formas, ritos e tradições que assumirem): o Natal só é Natal se comemorarmos a natalidade.
Afirma-lo desta forma é mais do que um sinal de pragmatismo. É um sinal de realismo.

Em tudo o mais, faço jus à minha costela liberal. Ou seja, cada um comemora o que quiser, como bem quiser, na medida que quiser, na noite de 24 e dia 25 de Dezembro. Não venha é dizer que está a comemorar o Natal. Porque o Natal não é o que o Homem quiser nem quando o Homem quiser.

O Natal é o natal, no natal.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O Trabalho e a Competitividade

Como os comunistas em 1989, há liberais financeiristas que ainda não repararam que outro muro caiu. Defendem que a competitividade se faz à conta dos trabalhadores atacando o chumbo do aumento do período experimental para trabalhadores indiferenciados para 6 meses e o horário de trabalho semanal para mais de 60 horas.
Percebe-se: como a realidade se encarregou de demonstrar que Hayek e Friedman são tão "úteis" como Louçã ou Cunhal, procuram a todo o custo empurrar as culpas para o falhanço do "neo-liberalismo" para cima dos trabalhadores, como os comunistas procuram distribuir culpas pela queda do Muro de Berlim.
A verdade é que tanto o chumbo do aumento do período experimental para trabalhadores indiferenciados para 6 meses, como do aumento do horário de trabalho semanal para mais de 60 horas, são sinais de que a economia pode de novo ser colocada ao serviço do Homem.
Sublinhando a superioridade na criação de riqueza do capitalismo temperado pelo socialismo democrático, ou social-democracia, termino citando o papa Paulo VI, na encíclica Populorum Progressio, de 1967:
Este liberalismo sem freio conduziu à ditadura denunciada com razão por Pio XI, como geradora do "imperialismo internacional do dinheiro". Nunca será demasiado reprovar tais abusos, lembrando mais uma vez, solenemente, que a economia está ao serviço do homem. Mas, se é verdade que um certo capitalismo foi a fonte de tantos sofrimentos, injustiças e lutas fratricidas com efeitos ainda duráveis, é contudo sem motivo que se atribuem à industrialização males que são devidos ao nefasto sistema que a acompanhava. Pelo contrário, é necessário reconhecer com toda a justiça o contributo insubstituível da organização do trabalho e do progresso industrial na obra do desenvolvimento.

Henrique Calisto Vs Carlos Queiroz

Ao invés do que o lado lunar do Ocidente proclama, não deve de haver povo mais imbecil neste nosso planeta do que os vietnamitas. Acho que já viajei um pouquinho e de todos os locais do mundo que visitei há um único sitio que não desejo nunca mais voltar: o Vietname. O país é belo, o clima aceitável; mas os vietnamitas são porcos, andrajosos, intrujas, aldrabões, gatunos. Numa palavra, mais de noventa milhões de filhos da puta.

Mas houve um português que os conseguiu fazer esquecer o seu egoísmo e exacerbado individualismo. Henrique Calisto, que para quem não sabe ou já se esqueceu por cá nunca passou de treinador medíocre de equipa esfarrapada da segunda divisão ou do fundo da tabela da primeira, consegui o aparentemente impossível. Conduzir a selecção nacional de futebol daquele patético país a uma vitoria numa competição internacional de futebol ao vencer ontem a Taça do Sudeste Asiático, qualquer coisa como "o europeu" daquela zona do globo.

Po cá, hoje, Carlos Queiroz faz, com uma entrevista, a primeira pagina do paquim nortenho "o Jogo". Na manchete escreve-se: "Batia-me menos se falasse com sotaque". Não é a primeira vez que este medíocre "retornado" tem "saídas" vagamente xenófobas. Queiroz, enquanto treinador principal de futebol (excluindo as vitorias no mundiais de juniores há cerca de 20 anos - num tempo em que o futebol mundial era substancialmente diferente), para além de nunca nada ter ganho, sempre viu os seus projectos resultarem em verdadeiros fracassos. Mas, como sempre, insiste em espalhar cortinas de fumo e culpar terceiros.

Em bom rigor, Portugal tem a liderar a sua equipa nacional de futebol quem merece. Ora…, já se viu, por exemplo, ter um português sério, competente, responsável, honesto, trabalhador, vencedor (mas sem ser "fashionable") como são casos de Henrique Calisto ou Manuel José, a liderar a selecção?
Obviamente que não.

Como estamos em tempo de votos aqui vão alguns: não tendo nada contra a pessoa Carlos Queiroz, desejo-lhe com sinceridade as piores derrotas profissionais possíveis, os maiores fracassos desportivos imagináveis. A ele e à equipa de jogo da bola que dirige.

Superdragões desde pequeninos...

«No Norte acontecem sempre coisas no último dia de aulas»
Margarida Moreira, Directora Regional de Educação do Norte, a propósito do caso da pistola de plástico na Escola do Cerco, no Porto

Quem vai à guerra dá e leva

A política internacional é coisa complicada:
A Autoridade Palestiniana declara o fim do cessar-fogo contra Israel.
A Autoridade Palestiniana passa a lançar diariamente ataques contra alvos civis em Israel.
Israel responde.
A culpa é de quem? Dos judeus... sempre dos judeus...

domingo, 28 de dezembro de 2008

Da ética

Há cerca de uma hora atrás a SIC-Notícias transmitiu um reportagem sobre o encerramento da Woollworths, uma das principais cadeias de distribuição do Reino Unido. No fim dessa reportagem, um economista qualque dizia que o melhor era mesmo deixar falir essa empresa com 27.000 trabalhadores porque assim surgiriam novas empresas mais capazes, revitalizando o mercado.
A cartilha de sempre, portanto: as falências só são boas se não forem de bancos...
Sobre esta ideologia que estabelece o primado do dinheiro sobre a vida humana, veja-se a crónica de Miguel Sousa Tavares no Expresso (roubada do Jumento):

«Há milhares de empresas, grandes, pequenas e gigantes, espalhadas por esse mundo fora, onde a gestão é bem feita, o trabalho é sério, a produção é de qualidade e a comercialização é adequada. E, todavia, estão à beira da falência, suspendendo a produção, fechando para férias não desejadas nem previstas ou suplicando a ajuda dos governos. E, porquê? Porque o mercado não quer os seus produtos, porque não são concorrenciais? Não, porque o mercado não tem dinheiro para comprar o que produzem. E não tem, porque as poupanças médias foram sorvidas, melhor dizendo, roubadas, pelo sector financeiro especulativo. Não há dinheiro na mão dos consumidores porque os Oliveira Costa, os Rendeiros, os Madoff deste mundo agarraram nas poupanças que lhes confiaram e desbarataram-nas de duas maneiras: ou aplicando-as em pura especulação, sem qualquer critério de prudência e boa gestão; ou, pura e simplesmente, roubando-as, em benefício próprio.

Bernard Madoff representa o ponto extremo do capitalismo de sarjeta tão caro ao espírito «laissez faire, laissez passer» que os liberais dos tempos modernos nos venderam como cartilha tão infalível quanto a do marxismo-leninismo. Ambas têm em comum a capacidade notável de conduzir as nações à ruína, em benefício de uma restrita elite: a da casta dos «play-makers» da alta finança ou a dos quadros do Partido. Nicolae Ceausescu, que chefiava uma nação comunista e miserável, vivia rodeado de mordomias só comparáveis às dos marajás da Índia imperial: mas era tido e louvado como um ‘revolucionário socialista’. Bernard Madoff, que simbolizava exemplarmente o sonho americano de vir do nada até ao infinito, era cativante, ‘moderno’, filantropo, sócio do Palm Beach Country Club, garantia de seriedade e profissionalismo: um génio da finança, que se dava ao luxo de não aceitar qualquer cliente para a sua ‘grande mentira’. Com uma diferença: Ceausescu só enganava quem se queria deixar enganar; Madoff enganou todos, ao longo de trinta anos, e, entre eles, os melhores bancos do planeta, a fina flor dos analistas financeiros e as autoridades de suposta vigilância dos mercados americanos. Ah, e outra diferença: Ceausescu acabou preso e executado; Madoff está em casa, de pulseira electrónica e rodeado de luxo. Dir-me-ão que Ceausescu foi responsável pela morte de milhares de pessoas e Madoff não. Até certo ponto: Madoff levou e levará milhares de pessoas ao desemprego, milhares de famílias à miséria, dezenas de organizações de beneficência ao fim, alguns, mais desesperados, ao suicídio. Estou como o dr. Mário Soares: terá de haver sangue. Mas, forçosamente, suor e, desejavelmente, lágrimas.

Isto não é apenas uma crise económica, nem o resultado das aventuras criminosas de algumas ovelhas tresmalhadas do rebanho. Isto é, sobretudo, o resultado de uma crise de valores — políticos, sim, mas também éticos. É o resultado de o Estado se ter demitido do seu papel de vigilância e controlo dos poderosos e de a sociedade se ter dispensado de questionar a origem dessas súbitas e espantosas fortunas que cresceram debaixo dos nossos pés. O dinheiro deixou de ser um ponto de chegada para passar a ser um ponto de partida. Dantes, era necessário justificar socialmente a origem do dinheiro e nem mesmo os novos-ricos legítimos eram bem aceites; hoje, é o dinheiro que, por si só, justifica tudo. Lembro-me de o meu pai me contar que, num julgamento onde participava, apareceu para testemunhar um senhor com um ar importantíssimo e cheio de si que, perguntado pela profissão, respondeu: — Capitalista! A sala rebentou numa gargalhada e o juiz interpelou-o: — Isso não é profissão... — Pode crer que é, sr. dr. juiz! — volveu o tipo, sempre seguro de si e da sua importância. Sem o saber, estava, contudo, apenas a antecipar o que viria a ser a regra banal dos tempos de hoje. Nesses tempos de então, o homem mais rico de Portugal, António Champalimaud, detestava que alguém se atrevesse a tratá-lo por ‘capitalista’ e definia-se sempre como um ‘industrial’ — palavra que, a seus olhos, tinha quase uma conotação marxista, de quem se impunha pelo seu trabalho, pelo seu talento, pela obra feita e pela riqueza criada. Hoje, um dos homens que integra a lista dos dez mais ricos de Portugal, entrevistado neste mesmo jornal há tempos, revelava com orgulho que não dava trabalho a mais do que meia dúzia de ‘colaboradores’. Era e é um mero especulador bolsista, aplicando a velha máxima marxista de que o dinheiro gera dinheiro e convencido de que é um génio da finança e da ‘gestão’. Espero que esteja agora afogado nos fundos Madoff ou em barris de petróleo comprados a 147 dólares o barril, enquanto nós e o país sofríamos com os preços inflacionados por estes abutres do sistema...

A crença de que a sociedade e o poder político se tinham desinteressado de questionar a origem das fortunas e a legitimidade dos negócios puramente especulativos levou a uma espécie de embriaguez moral, que corrompeu sem remissão excelentes quadros financeiros, extremosos chefes de família e devotos cristãos sem mácula. Quando leio que as administrações do BCP — esse «case study» da excelência bancária — criaram dezassete «off-shores», que, entre outras coisas pouco recomendáveis, poderão ter servido também para comprar anonimamente acções do próprio branco e assim fazer subir artificialmente as suas cotações (e, logo, fazer empolar os resultados do exercício e os prémios de gestão dos próprios administradores), apercebo-me de que isto, a confirmar-se, é a completa falta de vergonha. Eram os gestores a usarem o dinheiro do banco para, indirectamente, se enriquecerem a si próprios. Ou seja, roubarem o próprio banco que geriam. E ainda querem a prisão preventiva para quem assalta carros?

Vi há dias uma manifestação de desempregados do Norte, gente que viu ir à falência uma série de empresas que nem sequer lhes pagaram os salários até ao encerramento. Eram umas duas centenas de trabalhadores, em representação de cerca de 6000 que estão nestas condições e que reclamavam uma coisa muito simples: se há dinheiro do Estado para pagar os buracos dos bancos, por que não há dinheiro para lhes pagar a eles e depois ir executar as empresas? De facto, eles têm toda, absolutamente toda, a razão. Trata-se de 90 milhões de euros que lhes são devidos — em comparação com os mil milhões já injectados nessa vergonha do BPN ou os 450 milhões de aval (obviamente perdidos) nessa brincadeira do BPP. É indispensável que haja um mínimo de moralidade em toda esta escandaleira. É preciso que não sejam os contribuintes e os trabalhadores sem culpa alguma a pagar a factura dos crimes alheios, para que eles fiquem apenas menos ricos e impunes e possam, mais adiante, retomar o «business as usual» e voltar a reclamar os mesmos privilégios, atenções e louvores do costume. Por muito menos do que isto fizeram-se revoluções. » 

Morreu Samuel Huntington

A vida tem destas coisas: um gajo escreve um livro em que prevê o óbvio e toda a gente "importante" lhe diz que é tonto, que não é nada disso, que o seu pensamento é um erro.
Foi o que sucedeu com Huntington. Desprezado pelas "elites" bem-pensantes vê a História começar a dar-lhe razão. Morreu no dia 24 de Dezembro. Paz à sua alma.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Do Natal

Já não passava o Natal em Lisboa entre família há dois anos. Tinha saudades e está a ser muito bom recuperar alguma da tradição inerente à quadra. Alguma.
Entre Festas, sonos trocados e ondas geladas mas bonitas na eterna Caparica, lá fui cogitando estas linhas. Porque desde há cerca de meia dúzia de anos para cá, para mim, o Natal, significa também o momento mais alto de reflexão sobre o Sublime, o Uno, o Valor, o Sagrado.

Só existe uma única razão para festejar o Natal.
Na falta de melhor, como qualquer dicionário apontará, Natal reporta a natalício, nascimento; sendo, mais concretamente, o dia em que se comemora o nascimento de Jesus Cristo. Sublinho: o dia em que se comemora o nascimento de Jesus Cristo.
Jesus Cristo não foi uma qualquer abstracção. Jesus Cristo, para além de um homem que nasceu, viveu e morreu, como qualquer Homem, é antes de Tudo o Mais uma figura histórica.

Só existe portanto uma única razão para festejar o Natal. Tudo o mais, "os sinos que tocam", a "fé na aurora", o papel que se rasga, o presente que não presta, o bacalhau, a rabanada, o arroz-doce, o peru, o borrego, o leitão, o Pêra-manca e o Cartuxa são cantigas. Como são cantigas as linhas que falam no espirito de/do Natal.
Por exemplo, no blogue de uma amiga, leio que ela não fez a arvore de natal mas que carrega consigo o espirito de natal. A "fé na aurora" e o espirito de natal são dimensões diferentes mas idênticas dos natais dos hospitais e dos natais da tertúlia cor de rosa da Fatima Lopes.
Confesso, aliás, que sempre que oiço a expressão espirito de natal fico um pouco aterrorizado. Lembro-me sempre de um tal de Savigny e dos seus discípulos defensores da ideia (nos alvores do século XIX) do direito alemão dever ser encontrado no espirito do Povo (o volksgeist). Esse direito fundado (e legitimado) no volksgeist deu no que deu por volta de 1914, já lá vão quase cem anos.

De facto, "os sinos que tocam", a "fé na aurora" e outras subjectividades/vulgaridades/banalidades como o comum espirito de Natal (sinceramente perdoem-me os meus queridos amigos cujas palavras cito aqui, recordem: estou apenas a tentar discutir ideias que me atormentam, nada mais) não passam daquilo que são porque são o que cada um muito bem entender. Logo Valem (repito Valem) zero.

Por exemplo. Das paletes de sms que receberam neste Natal, falou-se concerteza de sapatinho, Pai Natal, prendas, chaminé, esperança, reflexão e até de "putas e vinho verde".
Do menino-Deus, filho do Pai, o Salvador, nada, bola, zero.
De Jesus Cristo, nem sequer falo do profeta, apenas e só do Homem que nasceu, viveu e morreu como qualquer um de nós, que ensinou a quem quis aprender o que sabia (actividade essa tão nobre); de Jesus Cristo essa figura histórica impar, para muitos o verdadeiro fundador dos Direitos Humanos, pura e simplesmente ninguém fala. Abrenuncio, nem sequer uma pequena nota de rodapé o homem merece.

Não se trata sequer de uma questão de religiosidade, de Fé. Trata-se sim de uma simples questão de respeito. De educação.
A fé pode estar abalada, o Divino pode ter-se apagado completamente do nosso espirito, mas nunca, nunca poderemos olvidar a verdadeira (e única) razão que nos leva a cobrirmo-nos de abundância por estas horas que passam. Essa razão, a única razão, é simples e claramente objectiva: aleluia, Cristo, o Homem, nasceu, há qualquer coisa como dois mil e oito anos.

[...na imagem deste post exageradeamente grande que peço que leiam com paciência de chinês, surge a fantástica Natividade do grande Mestre Giotto]

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Feliz Natal

Na noite mais longa, a na aurora.
No breu mais escuro, a esperança na luz.
No frio mais gélido, a caridade que nos abrasa.
É isto o Natal!
Nuno Santos Silva

E a personalidade do ano para a Time é...

Parece que hoje "é" Natal - xuif, xuif…, já com acentos.
Já lá vamos. Ou não. Antes disso há que tirar partido das inúmeras vantagens do jet lag.
Para dizer, por exemplo, que Barack Obama foi eleito a Personalidade do Ano para a Time. Novidade ou supressa pelo anuncio? Zero, Obama, independentemente do resultado eleitoral de Novembro passado, seria sempre a Personalidade do Ano para qualquer pasquim nacional ou internacional que se preze.

Todavia, se é certo que ninguém lê a Time, certo é que ninguém deixa de passar os olhos na edição que faz uma espécie de balanço anual do Planeta. E desta vez, vale bem a pena, entre um sonho e uma filhós - que em bom rigor são a mesma coisa - olhar a Time com olhos de ver.
Por duas razões: primeiro, para ler a entrevista ao Presidente eleito; a Time tem razão quando diz que no passado novembro a América não elegeu um Presidente mas sim um icon. Um icon pop, digo eu. Cujo discurso se assemelha (cada vez mais!) à letra de uma musica da moda - ninguém sabe muito bem o que aquilo quer dizer, mas toda a gente bate o pé, abana a anca, "put our hands in the ar" e "say yehhh!" - yeahhhhh!


Dizia então eu, que vale a pena olhar para a Time por duas razões: segunda e determinante razão, até porque entre uma rabanada e um prato de arroz doce, quem têm vontade para ler muito?
A capa da Time que aqui se reproduz é um verdadeiro espanto. Nesta imagem digitalizada os pormenores esvaem-se. Por isso tentem pegar na revista.
Obama surge impressionantemente retractado algures entre um Messias (ah, afinal sempre é Natal), Martin Luther Kg. e John F. Kennedy; num registo gráfico claramente filho da arte de rua mas também da iconografia Marxista ou mesmo Nacional-Socialista.

É uma imagem mutante, explosiva. Poderosa, que atrai, seduz e induz. É ela própria uma das imagens do ano e merece alguma reflexão radical. Vai uma ajuda?
Quem será - ou quem virá a ser, ou no que se tornará - na sua verdadeira essência, Barack Obama?