A coisa fica vista nos primeiros cinco segundos...
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Congresso da Administração Pública do INA
Ontem terminou o 5.º Congresso da Administração Pública organizado, como sempre, pelo Instituto Nacional de Administração. Só fui lá no primeiro dia, 2.ª Feira, mas li todos os títulos, li na diagonal todos os resumos e na totalidade muito poucos artigos. Parece coisa pouca, mas deu para retirar uma conclusão: com raras excepções, este Congresso é, na generalidadede, uma pobreza atroz. Sobretudo por 3 razões.
Primo, a razão privatística. O Congresso foi inundado de pessoas ligadas ao mundo da consultoria, nal guns casos, aos próprios funcionários públicos. Verberreiam obras, conceitos e metodologias sem uma noção adequada ao mundo (jurídico e humano) da administração pública.
Secundo, a razão narcisística. Muitos dos oradores são deveras repetentes e fico até com a sensação de que alguns trabalham todo o ano para apresentarem algo neste tipo de congresso. Isto, sem esquecer porventura casos em que a própria instituição não promova ou sancione os funcionários que não tenham «algo para dizer». Para dar exemplos desta ordem de razão, há Institutos que estiveram 7 vezes representados, em apresentações diferentes (!), outros que tiveram mais de 10 funcionários seus em diversas, e, aind amais surpreendente, houve vários casos em que realizaram 3 ou mais comunicações(!). Muito se pode retirar destes factos, mas deixo as restantes considerações a quem as ler e quiser pensar nelas.
Tertio, e por último, a razão financeira. Uma inscrição neste Congresso custava aos serviços (e porventura a alguns funcionários) a, como se costuma dizer, módica quantia de 450€ (!) Isto na véspera, porque no dia custava 525€ (!) Sortudos eram os estudantes que pagavam 250€(!) - (O mais ridículo foi a oferta de um "buffet" a preço amigo de 16€! Mais palavras para quê?!)
Conclusão, pode-se facilmente concluir para quem está este Congresso vocacionado: para empresas, consultores e dirigentes (os que autorizam a despesa, claro está), e ter-se-á uma amostra da imensa minoria. Da Administração Pública é, tenho dúvidas é que seja para ela, na sua maioria abrangente.
Como propostas, defendo a redução de todos os preços pelo menos para metade (com os apoios privados que há e a publicidade que existe nas malinhas-oferta não vejo como não seja viável); limitar uma intervenção por pessoa (a pessoa poderia enviar as comunicações que quisesse, o que até seria de louvar, mas só falava uma vez); distinguir as sessões das empresas, das sessões dos serviços e funcionários; e que a avaliação e selecção das comunicações fosse feita por uma comissão independente, ainda que devesse integrar funcionários públicos, obviamente, para que o Congresso não resvale para o amiguismo (que é notório) e o excessivo carácter pragmático e casuístico das comunicações. são tão 'práticas' e tão concretas, que não se aplicam a mais nenhum outro serviço de tão centrada é a comunicação. Continuando na generalidade, que é o que falta a este Congresso, o problema de fundo é a universal (ou pós-modernista) moda da fuga da teoria...por isso, tanta gente tem sempre medo de mudar.
Primo, a razão privatística. O Congresso foi inundado de pessoas ligadas ao mundo da consultoria, nal guns casos, aos próprios funcionários públicos. Verberreiam obras, conceitos e metodologias sem uma noção adequada ao mundo (jurídico e humano) da administração pública.
Secundo, a razão narcisística. Muitos dos oradores são deveras repetentes e fico até com a sensação de que alguns trabalham todo o ano para apresentarem algo neste tipo de congresso. Isto, sem esquecer porventura casos em que a própria instituição não promova ou sancione os funcionários que não tenham «algo para dizer». Para dar exemplos desta ordem de razão, há Institutos que estiveram 7 vezes representados, em apresentações diferentes (!), outros que tiveram mais de 10 funcionários seus em diversas, e, aind amais surpreendente, houve vários casos em que realizaram 3 ou mais comunicações(!). Muito se pode retirar destes factos, mas deixo as restantes considerações a quem as ler e quiser pensar nelas.
Tertio, e por último, a razão financeira. Uma inscrição neste Congresso custava aos serviços (e porventura a alguns funcionários) a, como se costuma dizer, módica quantia de 450€ (!) Isto na véspera, porque no dia custava 525€ (!) Sortudos eram os estudantes que pagavam 250€(!) - (O mais ridículo foi a oferta de um "buffet" a preço amigo de 16€! Mais palavras para quê?!)
Conclusão, pode-se facilmente concluir para quem está este Congresso vocacionado: para empresas, consultores e dirigentes (os que autorizam a despesa, claro está), e ter-se-á uma amostra da imensa minoria. Da Administração Pública é, tenho dúvidas é que seja para ela, na sua maioria abrangente.
Como propostas, defendo a redução de todos os preços pelo menos para metade (com os apoios privados que há e a publicidade que existe nas malinhas-oferta não vejo como não seja viável); limitar uma intervenção por pessoa (a pessoa poderia enviar as comunicações que quisesse, o que até seria de louvar, mas só falava uma vez); distinguir as sessões das empresas, das sessões dos serviços e funcionários; e que a avaliação e selecção das comunicações fosse feita por uma comissão independente, ainda que devesse integrar funcionários públicos, obviamente, para que o Congresso não resvale para o amiguismo (que é notório) e o excessivo carácter pragmático e casuístico das comunicações. são tão 'práticas' e tão concretas, que não se aplicam a mais nenhum outro serviço de tão centrada é a comunicação. Continuando na generalidade, que é o que falta a este Congresso, o problema de fundo é a universal (ou pós-modernista) moda da fuga da teoria...por isso, tanta gente tem sempre medo de mudar.
Agora em 97.8…
Curiosamente, fez ontem exactamente vinte e seis anos que foi lançado. A não perder no “Álbum de Família” de hoje Architecture & Morality dos Orchestral Manoeuvres in the Dark. Vejam e oiçam como a génese do electro-pop foi uma coisa tão linda.
Uma boa resposta
Portugal gasta 4025 euros anualmente com cada aluno que frequenta o ensino
básico. No secundário esse valor sobe para 5655 euros. Digamos que este valor
dividido por 12 corresponde à mensalidade de muitos colégios.
Este parágrafo da crónica da Helena Matos de hoje no Público, apesar de não precisar o valor das mensalidades dos colégios privados, tem tudo a ver com a questão que levantei aqui.
Já agora, gostava que a Helena Matos (que escreve das melhores crónicas do Público) tivesse ligado a capacidade dos portugueses para pagar os duodécimos que referiu ao facto de dois milhões de portugueses terem um rendimento mensal inferior a cada um desses mesmos duodécimos...
a fiscalidade das famílias
Recebido por e-mail:
Exmos Senhores
Junto se envia estudo que mostra os enormes ganhos que um casal obterá se se separar!
Não é necessário sequer divorciarem-se. Basta declararem que, em 31 de Dezembro, estavam na situação de "separados de facto"!
Neste estudo, calculou-se o IRS que casais com 1 a 3 filhos, rendimentos totais entre 18.000 e 48.000 EUR, e na situação de 1 e 2 titulares, pagariam no estado de casados e na situação de separados, usando o simulador do Ministério das Finanças, conforme explicado em detalhe em http://www.forumdafamilia.com/peticao/simulacao.asp.
No caso de separação, cada um fará a sua declaração em separado, obtendo o resultado total mostrado.
Os cálculos detalhados são mostrados na folha "Cálculos" e mostrados sob a forma gráfica na folha "Gráficos".
Neste estudo, considerou-se apenas os benefícios resultantes da pensão de alimentos, não se entrando em linha de conta com outras deduções, que aumentarão ainda mais o lucro resultante da separação.
Como se poderá ver, separando-se:
Muitos casais deixarão de pagar IRS, recuperando a totalidade dos valores descontados ao longo do ano;
O seu rendimento poderá aumentar em mais de 10%, num valor médio superior a 2.000 EUR, e que pode ultrapassar os 5.000 EUR.
É esta a proposta bem tentadora que o Estado, há anos, faz a todos os pais casados!
Não é este o caminho que recomendamos, razão pela qual lançámos a petição http://www.forumdafamilia.com/peticao.
Aguardamos, serenamente, o final do debate do OE 2008 para sabermos se o Estado vai, ou não, continuar a seduzir os pais casados a declararem-se como separados ou a divorciarem-se ou, pelo contrário, aceitar a nossa proposta de acabar com esta discriminação, sem qualquer impacto nas finanças públicas, fazendo com que todos os pais, independentemente do estado ou situação civil, possam deduzir metade do valor que, actualmente, é apenas reservado aos que não estão casados ou viúvos.
30 de Outubro de 2007
Pelo Fórum da família
Fernando Castro
APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas
Exmos Senhores
Junto se envia estudo que mostra os enormes ganhos que um casal obterá se se separar!
Não é necessário sequer divorciarem-se. Basta declararem que, em 31 de Dezembro, estavam na situação de "separados de facto"!
Neste estudo, calculou-se o IRS que casais com 1 a 3 filhos, rendimentos totais entre 18.000 e 48.000 EUR, e na situação de 1 e 2 titulares, pagariam no estado de casados e na situação de separados, usando o simulador do Ministério das Finanças, conforme explicado em detalhe em http://www.forumdafamilia.com/peticao/simulacao.asp.
No caso de separação, cada um fará a sua declaração em separado, obtendo o resultado total mostrado.
Os cálculos detalhados são mostrados na folha "Cálculos" e mostrados sob a forma gráfica na folha "Gráficos".
Neste estudo, considerou-se apenas os benefícios resultantes da pensão de alimentos, não se entrando em linha de conta com outras deduções, que aumentarão ainda mais o lucro resultante da separação.
Como se poderá ver, separando-se:
Muitos casais deixarão de pagar IRS, recuperando a totalidade dos valores descontados ao longo do ano;
O seu rendimento poderá aumentar em mais de 10%, num valor médio superior a 2.000 EUR, e que pode ultrapassar os 5.000 EUR.
É esta a proposta bem tentadora que o Estado, há anos, faz a todos os pais casados!
Não é este o caminho que recomendamos, razão pela qual lançámos a petição http://www.forumdafamilia.com/peticao.
Aguardamos, serenamente, o final do debate do OE 2008 para sabermos se o Estado vai, ou não, continuar a seduzir os pais casados a declararem-se como separados ou a divorciarem-se ou, pelo contrário, aceitar a nossa proposta de acabar com esta discriminação, sem qualquer impacto nas finanças públicas, fazendo com que todos os pais, independentemente do estado ou situação civil, possam deduzir metade do valor que, actualmente, é apenas reservado aos que não estão casados ou viúvos.
30 de Outubro de 2007
Pelo Fórum da família
Fernando Castro
APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Urbi et Orbi
Nasceu!
Cerca das 10:30 e quase com três quilos.
Dizem-me que daqui para a frente vou dormir menos. Menos? Às 3 da manhã já estava na maternidade, e ainda não me voltei a deitar...
Ainda assim...
... parece que a Assembleia Geral do Benfica correu melhor que os congressos do CDS-PP...
Assembleia Geral Ordinária do Sport Lisboa e Benfica
A noite de hoje correu muito mal para os órgãos sociais do Benfica, muito por culpa dos verdadeiros adeptos do clube. Cansados de serem mal tratados por esta direcção, os grupos de adeptos mais ou menos organizados do clube surpreenderam a AG e as duas dúzias de apaniguados da direcção useiros e vezeiros das reuniões magnas. O tal "maior clube do mundo" dispôs uma pequena sala aos seus associados, sala essa que rapidamente encheu com cerca de trezentas pessoas. Logo os ânimos se exaltaram. Foi pena. Assim, tais adeptos acabaram por não fazer passar de forma eficaz a sua mensagem chegando ao ponto de tentar agredir a comunicação social que prontamente - ver imagens da RTP -tenta a vitimização do costume.
Numa AG ridiculamente dirigida por Manuel Vilarinho, em resumo, o relatório e contas passou à tangente, a proposta de um tal Henrique Ganadeiro (presidente da PT) passar a sócio honorário foi claramente chumbada, e a direcção ficou com uma ideia da força dos verdadeiros benfiquistas que calcorreiam milhares de quilómetros por ano apenas por desesperada paixão ao clube do seu coração (e ainda são barbaramente acoitados pelo terrorismo oficial das policias!).
Tem de ter cuidado Filipe Vieira e as sanguessugas que o rodeiam no nosso querido clube. Assim que a coisa dê seriamente para o torto em termos desportivos terão as horas contadas.
[...ver aqui (link) um relato bem mais completo e apaixonado do que se passou esta noite na Luz]
Numa AG ridiculamente dirigida por Manuel Vilarinho, em resumo, o relatório e contas passou à tangente, a proposta de um tal Henrique Ganadeiro (presidente da PT) passar a sócio honorário foi claramente chumbada, e a direcção ficou com uma ideia da força dos verdadeiros benfiquistas que calcorreiam milhares de quilómetros por ano apenas por desesperada paixão ao clube do seu coração (e ainda são barbaramente acoitados pelo terrorismo oficial das policias!).
Tem de ter cuidado Filipe Vieira e as sanguessugas que o rodeiam no nosso querido clube. Assim que a coisa dê seriamente para o torto em termos desportivos terão as horas contadas.
[...ver aqui (link) um relato bem mais completo e apaixonado do que se passou esta noite na Luz]
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
O Men In Black é quem dá cor a isto!
Só mesmo Berardo para desmanchar os merceeiros da banca portuguesa...
Uma leve sensação…
…de déjà vu blogosférico ao ler com alguma atenção este blogue (link).
PALETA DE PALAVRAS LXIII
domingo, 28 de outubro de 2007
Há Liberdade (LXXXIV)
sábado, 27 de outubro de 2007
Campo Contra Campo (XCVII) - DocLisboa 2007
Arquitectura de Peso, ***
No DocLisboa 2007 houve também espaço para a nova extravagância de Edgar Pêra – com o fim do festival a ficar cada vez mais perto, já se nota alguma nostalgia no português. Arquitectura de Peso, cine-sinfonetta muralista (vox populi vivace) este o nome completo do “ovni”. Com Edgar Pêra surge um problema: estamos sempre à espera de mais. Mais diferente, mais interveniente, mais diferente, mais estúpido. Nel Monteiro é uma personagem (como se diz na Argentina), mas não é a voz do povo. O povo é pior que aquilo, mas não é tão escatológico. É mais, digamos, decente(zinho). Pêra já mostrou muito melhor.
Lisboa Dentro, ****

Excelente surpresa. Um filme humilde como as casas que lhe servem de cenário. Mas sincero. Sem pretensão alguma que a de dar a conhecer a realidade. Isento, sem juízos de valor ou outros quaisquer. Não é assim que o documentário deve ser? Eu acho que sim. Infelizmente, como já dei a entender noutros textos sobre este festival, não é preciso ir muito longe, galgar oceanos e desertos, para encontrar pobreza, fome e indignidade humana. Elas estão ai, ao virar de uma esquina mais ou menos escura da nossa querida Lisboa. Que cai…, assim de podridão infiltrada em paredes de madeira. Ao ponto das doutorazinhas da "acção social" que são seguidas pela câmara não conseguirem travar a lágrima sincera de compaixão. Tudo isto existe. E não é fado. É a Lisboa antiga a cair de velha. Lamentavelmente, a cair de velha.
No DocLisboa 2007 houve também espaço para a nova extravagância de Edgar Pêra – com o fim do festival a ficar cada vez mais perto, já se nota alguma nostalgia no português. Arquitectura de Peso, cine-sinfonetta muralista (vox populi vivace) este o nome completo do “ovni”. Com Edgar Pêra surge um problema: estamos sempre à espera de mais. Mais diferente, mais interveniente, mais diferente, mais estúpido. Nel Monteiro é uma personagem (como se diz na Argentina), mas não é a voz do povo. O povo é pior que aquilo, mas não é tão escatológico. É mais, digamos, decente(zinho). Pêra já mostrou muito melhor.Lisboa Dentro, ****

Excelente surpresa. Um filme humilde como as casas que lhe servem de cenário. Mas sincero. Sem pretensão alguma que a de dar a conhecer a realidade. Isento, sem juízos de valor ou outros quaisquer. Não é assim que o documentário deve ser? Eu acho que sim. Infelizmente, como já dei a entender noutros textos sobre este festival, não é preciso ir muito longe, galgar oceanos e desertos, para encontrar pobreza, fome e indignidade humana. Elas estão ai, ao virar de uma esquina mais ou menos escura da nossa querida Lisboa. Que cai…, assim de podridão infiltrada em paredes de madeira. Ao ponto das doutorazinhas da "acção social" que são seguidas pela câmara não conseguirem travar a lágrima sincera de compaixão. Tudo isto existe. E não é fado. É a Lisboa antiga a cair de velha. Lamentavelmente, a cair de velha.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


