Sabem o que é ter um mês inteiro de ferias? Mais propriamente trinta e um dias inteiros de férias; ou melhor trinta e dois contado com o primeiro de Janeiro?
Duvido que saibam. Eu também não sei. Mas lá para inicio do próximo ano talvez possa saber dizer se é bom, mau ou assim-assim.
Sinceramente parece-me um privilegio incalculável, descabido até, que no actual estado das sociedades um cidadão trabalhador possa estar ausente do seu local de trabalho por tanto, tanto tempo.
Alias, como já devo ter escrito algures, desde tenra idade que algo me faz confusão: como é possível uma pessoa trabalhar onze meses (em bom rigor é bastante menos que isso…) e receber catorze meses de vencimento?
É sem duvida bastante estranho; um mistério.
Resta-me aproveitar tal regalia, de um sistema que assim descrito parece utópico.
Aproveitarei pois para os prazeres: leituras, ondas, viagens, outros locais, outras gastronomias e gentes; um natal que promete no mínimo ser pouco ortodoxo - trocarei o frio, o bacalhau, o bolo rei e os cânticos natalícios, por muito sol, calor, picanha e algum tango.
Muito lazer e rica vida, mas também algum efectivo trabalho académico que francamente, no actual estado da arte, faz mais parte dos prazeres do que das obrigações.
Salvo raras excepções - talvez algumas notas de viagem e pouco mais - deixo assim durante cerca de um mês, o comando desta barca arcadina (ou arcadica ou arcadiana, sei lá) aos Nunos, meus companheiros nesta fabulosa jornada blogosferica.
PSL
quinta-feira, 30 de novembro de 2006
Anda um gajo a conter-se...
Narciso e Valentim, esses grandes ícones da ética republicana, vão espalhando brasas a ver se lume em que está metido o Metro do Porto toca a mais gente e (em consequência) deixe de os queimar: já está Fernando Gomes metido ao barulho.
Narciso diz que o cartão de crédito servia apenas para pagar despesas ao serviço do Metro (transportes, alojamento e refeições), afirmando que terá gasto, em média, 206,40 euros por mês, pagando 40% desse valor em IRS, do seu próprio bolso.
Valentim diz que o seu cartão de crédito tem um plafond de 1250 euros por mês, pagando 40 por cento para IRS, sendo por isso, "o valor real de 750 euros por mês".
3 Questões:
Porquê um cartão para transportes? Não têm "passe" do Metro?
Por que razão querem a nossa simpatia pelo facto de pagarem IRS "do seu próprio bolso"? Todos nós o fazemos! Será que nas outras instituições onde esses senhores também prestam trabalho a 100%, não são eles a pagar o respectivo IRS?
O valor real do vencimento é o bruto, por que razão quer o Sr. Valentim fazer-nos acreditar que só recebe 750 euros por mês através do seu cartão?
Narciso diz que o cartão de crédito servia apenas para pagar despesas ao serviço do Metro (transportes, alojamento e refeições), afirmando que terá gasto, em média, 206,40 euros por mês, pagando 40% desse valor em IRS, do seu próprio bolso.
Valentim diz que o seu cartão de crédito tem um plafond de 1250 euros por mês, pagando 40 por cento para IRS, sendo por isso, "o valor real de 750 euros por mês".
3 Questões:
Porquê um cartão para transportes? Não têm "passe" do Metro?
Por que razão querem a nossa simpatia pelo facto de pagarem IRS "do seu próprio bolso"? Todos nós o fazemos! Será que nas outras instituições onde esses senhores também prestam trabalho a 100%, não são eles a pagar o respectivo IRS?
O valor real do vencimento é o bruto, por que razão quer o Sr. Valentim fazer-nos acreditar que só recebe 750 euros por mês através do seu cartão?
Assim sim
É sintoma de uma democracia evoluída e moderna a comunicação social assumir frontalmente as suas posições.
Frase(s) do dia
Ainda é cedo para fazer um balanço. Mas, so far so good. A visita papal à magnífica Turquia está a ser um sucesso enorme a todos os níveis maxime no campo político.
Henrique Raposo escreve hoje dois excelentes textos no blogue da Revista Atlântico sobre os trabalhos turcos de Bento XVI. Cito, porque não posso estar mais de acordo.
A entrada da Turquia na UE é uma questão política. O constante enfoque na religião serve para desviar as atenções do essencial: a Turquia, dentro da UE, teria tanto poder como a França. Este é o ponto.
Não deixa de ser curioso observar a incoerência francesa. Quando olham para ocidente, criticam o fanatismo obscuro da religiosidade americana. Quando olham para oriente, afirmam que a Turquia é de outro espaço religioso e que, por isso, não cabe na Europa. Mau Maria. São jacobinos de manhã e católicos à tarde.
As pessoas esquecem-se que o Vaticano tem a escola maquiavélica no sangue político, apesar de ter uma retórica moral anti-maquiavélica, claro.
Henrique Raposo escreve hoje dois excelentes textos no blogue da Revista Atlântico sobre os trabalhos turcos de Bento XVI. Cito, porque não posso estar mais de acordo.
A entrada da Turquia na UE é uma questão política. O constante enfoque na religião serve para desviar as atenções do essencial: a Turquia, dentro da UE, teria tanto poder como a França. Este é o ponto.
Não deixa de ser curioso observar a incoerência francesa. Quando olham para ocidente, criticam o fanatismo obscuro da religiosidade americana. Quando olham para oriente, afirmam que a Turquia é de outro espaço religioso e que, por isso, não cabe na Europa. Mau Maria. São jacobinos de manhã e católicos à tarde.
As pessoas esquecem-se que o Vaticano tem a escola maquiavélica no sangue político, apesar de ter uma retórica moral anti-maquiavélica, claro.
Campo Contra Campo (LXVIII)
Do nosso amigo Gonçalo Macieira recebi o seguinte e-mail que por direito próprio ascende a essa condição imortal de post.
Leiam com atenção que no final haverá uma pequena questão de resposta rápida.
Caro Pedro,
Devido à minha total falta de jeito para estas coisas, tentei deixar este comentário no teu post “Campo contra-campo”, mas as enigmáticas instruções que apareceram impediram-me de o fazer (não contes isto a ninguém…).
No entanto, já que escrevi esta tanga, gostava, na mesma, de a partilhar contigo.
James Bond – “Vodka Martini”,
Barman . “Shaken or stirred?
James Bond - Do I look like I give a damn”
Com esta frase Daniel Craig elimina, com a sua belíssima HK9mm, e sem silenciador, todos os seus antecessores. Ganhando, por direito próprio, e contra ventos e marés, a sua licença para matar. Não há concessões, este é, mesmo, um novo Bond. Nem sequer há espaço para as eternas comparações com Connery ou Moore. Não há duvida que Pierce Brosnan tem um enorme carisma, mas limitou-se a compor um personagem que mais não é do que uma fusão entre o engatatão de salão de Moore e o agente implacável e cínico de Connery. Craig estranha o smoking, não hesita em abater um homem desarmado, sangra abundantemente, tem um ataque cardíaco, apaixona-se, e propõe-se, mesmo, a acabar com um requintado jogo de poker no casino de Montenegro matando o seu adversário com uma faca de mesa. Muito longe, portanto, do recurso aos sofisticados e inverosímeis gadgets a que estávamos habituados, e que mais não faziam do que provocar, pelo menos, uma gargalhada no espectador. Não, com Craig a coisa é séria, este Bond é mesmo uma arma mortífera ao serviço de Sua Majestade.
Quanto ao "The Departed",é sem dúvida, um novo clássico. Encheu-me as medidas pela forma habilidosa com que mantém a tensão do princípio ao fim e pela qualidade e equilíbrio das interpertações de Damon, DiCaprio, Walberg, Baldwin e claro do nosso Jack. Adorei a o diálogo, quase sempre demencial, tanto entre polícias ou entre gangsters, mas como diz Nicolson no início "quando tens uma arma apontada à cara qual é a diferença.
Conheço pouquíssimos que saibam tanto de cinema como o Gonçalo. Conheço menos ainda que saibam falar, como sabe o Gonçalo, sobre cinema. Agora fiquei (ficámos) a saber que ele também sabe escrever sobre cinema.
A questão: Não devia o Gonçalo partilhar connosco mais vezes esta sua arte e engenho?
Eu tenho a certeza que sim!
PSL
Leiam com atenção que no final haverá uma pequena questão de resposta rápida.
Caro Pedro,
Devido à minha total falta de jeito para estas coisas, tentei deixar este comentário no teu post “Campo contra-campo”, mas as enigmáticas instruções que apareceram impediram-me de o fazer (não contes isto a ninguém…).
No entanto, já que escrevi esta tanga, gostava, na mesma, de a partilhar contigo.
James Bond – “Vodka Martini”,
Barman . “Shaken or stirred?
James Bond - Do I look like I give a damn”
Com esta frase Daniel Craig elimina, com a sua belíssima HK9mm, e sem silenciador, todos os seus antecessores. Ganhando, por direito próprio, e contra ventos e marés, a sua licença para matar. Não há concessões, este é, mesmo, um novo Bond. Nem sequer há espaço para as eternas comparações com Connery ou Moore. Não há duvida que Pierce Brosnan tem um enorme carisma, mas limitou-se a compor um personagem que mais não é do que uma fusão entre o engatatão de salão de Moore e o agente implacável e cínico de Connery. Craig estranha o smoking, não hesita em abater um homem desarmado, sangra abundantemente, tem um ataque cardíaco, apaixona-se, e propõe-se, mesmo, a acabar com um requintado jogo de poker no casino de Montenegro matando o seu adversário com uma faca de mesa. Muito longe, portanto, do recurso aos sofisticados e inverosímeis gadgets a que estávamos habituados, e que mais não faziam do que provocar, pelo menos, uma gargalhada no espectador. Não, com Craig a coisa é séria, este Bond é mesmo uma arma mortífera ao serviço de Sua Majestade.
Quanto ao "The Departed",é sem dúvida, um novo clássico. Encheu-me as medidas pela forma habilidosa com que mantém a tensão do princípio ao fim e pela qualidade e equilíbrio das interpertações de Damon, DiCaprio, Walberg, Baldwin e claro do nosso Jack. Adorei a o diálogo, quase sempre demencial, tanto entre polícias ou entre gangsters, mas como diz Nicolson no início "quando tens uma arma apontada à cara qual é a diferença.
Conheço pouquíssimos que saibam tanto de cinema como o Gonçalo. Conheço menos ainda que saibam falar, como sabe o Gonçalo, sobre cinema. Agora fiquei (ficámos) a saber que ele também sabe escrever sobre cinema.
A questão: Não devia o Gonçalo partilhar connosco mais vezes esta sua arte e engenho?
Eu tenho a certeza que sim!
PSL
quarta-feira, 29 de novembro de 2006
Gostava de ter escrito isto
Pedro Adão e Silva, no Canhoto escreveu:
p.s.: A este post, reagiu uma pessoa da área da educação, qualificando Pedro Adão e Silva como um ignorante que arrota postas de pescada. Isto porque o que estaria em causa na reportagem do Expresso era um exemplo de contrato de associação entre o Estado e uma Escola Privada, através do qual esta, a expensas daquele, lecciona ensino recorrente.
Bem, lendo a citação do Expresso, não se percebe onde é que está a divergência entre o que diz o post e o respectivo comentário: o que é posto em causa é a aparência de gratuitidade genuína do comportamento do Colégio S. João de Brito, quando o mesmo tem uma natureza contratual com o Estado...
Ainda por causa do caso Luisa Mesquita
O Pedro Correia do Corta-fitas gostou de ler o meu post Lenine está vivo e habita em São Bento e concorda com as minhas palvavras.
Mas o Afonso Gregório Campino, de quem não se conhece a morada, já não está de acordo connosco, e fez um corte na caixa de comentários do Corta-fitas: "Eu, e ainda bastantes portugueses, achamos que quem escreve e apoia isto é que não merece o 25 de Abril e a democracia pela qual o PCP tanto lutou e tantos homens e mulheres deram a vida, o conforto e a liberdade".
Caro Afonso. Em primeiro lugar, o PCP nunca lutou, não luta, nem nunca lutará pela democracia nem pela liberdade, mas sim pela SUA ideia de Democracia e pela SUA ideia de liberdade. Se alguém morreu pela liberdade e pela democracia na luta comunista morreu enganado. Mais valia estar quieto. Hoje (e sempre, alias) o PCP é uma aberração num sistema demo-liberal. Repito: devia ser ilegalizado, já!
Em segundo lugar, quem é o senhor para dizer o que eu mereço ou deixo de merecer? Está a ver os tiques totalitários à flor da pele?
Eu não quero nunca viver num sitio onde alguém julga que acha o que eu mereço. Quero ser eu, sempre e nos limites da lei, a decidir o que mereço!
Entende?
PSL
Mas o Afonso Gregório Campino, de quem não se conhece a morada, já não está de acordo connosco, e fez um corte na caixa de comentários do Corta-fitas: "Eu, e ainda bastantes portugueses, achamos que quem escreve e apoia isto é que não merece o 25 de Abril e a democracia pela qual o PCP tanto lutou e tantos homens e mulheres deram a vida, o conforto e a liberdade".
Caro Afonso. Em primeiro lugar, o PCP nunca lutou, não luta, nem nunca lutará pela democracia nem pela liberdade, mas sim pela SUA ideia de Democracia e pela SUA ideia de liberdade. Se alguém morreu pela liberdade e pela democracia na luta comunista morreu enganado. Mais valia estar quieto. Hoje (e sempre, alias) o PCP é uma aberração num sistema demo-liberal. Repito: devia ser ilegalizado, já!
Em segundo lugar, quem é o senhor para dizer o que eu mereço ou deixo de merecer? Está a ver os tiques totalitários à flor da pele?
Eu não quero nunca viver num sitio onde alguém julga que acha o que eu mereço. Quero ser eu, sempre e nos limites da lei, a decidir o que mereço!
Entende?
PSL
terça-feira, 28 de novembro de 2006
Mário Cesariny
Consultório do dr. Pena e do dr. Pluma II
Dr. Pena -- Esperava-o mais cedo, meu caro dr. Pluma.
Dr. Pluma -- Sabe lá, tenho estado ocupadíssimo. Resolvi apurar a minha cultura. Tenho ouvido «O gosto pela música», do dr. Freitas Branco, na Emissora Nacional - 2.
Dr. Pena -- Constou-me que falam muito e que aqueles dois locutores interrompem os trechos, são uns tagarelas... É verdade que falam no meio da música?
Dr. Pluma -- Têm esse defeito, mas dizem coisas interessantes, muito profundas.
Dr. Pena -- Por exemplo?
Dr. Pluma -- Não vai sem resposta. Olhe, no outro dia, a locutora, referindo-se a uma peça de Schubert, disse: É uma verdadeira delícia, uma coisa encantadora. Deixe-me ouvir todo o andamento, apetece-me imenso. E sabe? a locutora faz perguntas muito pertinentes. Quer ouvir esta? As sonatas de Schubert são diferentes das de Beethoven, não são? (sic).
Dr. Pena -- Se me permite, eu direi que é uma pergunta impertinente. Até podia dizer que é uma pergunta que não se faz!
Dr. Pluma -- Quem sabe viver é o dr. Gaspar Simões. Nunca pergunta nada. Para ele, todas as coisas antes de o ser já o eram.
Dr. Pena -- Mais duma pessoa me disse isso, mas não compreendi bem porquê?
Dr. Pluma -- Então não ouviu aquela do «nouveau roman» ter existido antes de existir?
Dr. Pena -- Ah sim?
Dr. Pluma -- Nem foram os franceses que o criaram. Foi um português, muito antes. No século XVI ou XVII.
Dr. Pena -- No século XVII? Não acha exagero?
Dr. Pluma -- Pergunte ao dr. Gaspar Simões.
Dr. Pena -- Talvez apresentasse algumas razões, quem sabe?! De tempos e modos nunca se sabe bem, com estes escritores do passado actuais...
Dr. Pluma -- Disse escritores do passado actuais, dr. Pena?
Dr. Pena -- Disse. Nos meus esforços para acompanhar sigo de tudo um pouco; gosto, sobretudo, de estar atento à manifestação das gerações mais novas, não é bonito ficar para trás sem aviso, compreende...
Dr. Pluma (interessado) -- Diga sempre...
Dr. Pena -- Um jovem ensaísta publicou um artigo no jornal Diário de Lisboa...
Dr. Pluma -- Não diga! E quem é que ele alvejava?
Dr. Pena -- Pois isso é que me faz espécie... Não era só a um ou dois escritores que ele destinava a sua diatribe, era a quase todos os que é costume designar como neo-realistas...
Dr. Pluma -- I see... Admito agora aquela sua expressão «escritores do passado actuais»... Mas, c'os diabos, então um escritor não pode mudar de estilo? Adaptar-se a novos modus faciendis? Barbear, pentear?
Dr. Pena -- Todos ao mesmo tempo, talvez não. Parece mal aos que ainda não estão suficientemente maduros para, por seu turno, mudarem também. Mas reconheço que a acusação é um tanto excessiva.
Dr. Pluma -- Pois é claro que o é; que seria das letras se não as aprimorassem! Se não as fizessem virar do avesso quando o direito deu o que tinha a dar! Até à próxima, insigne rr. Pena! Os meus melhores sentidos ao dr. Pincel!
Dr. Pena -- Serão entregues, meu preclaro amigo! Até para o mês que vem!
in Mário Cesariny, "Primavera Autónoma de Estradas", Lisboa: Assírio & Alvim, 1980, pp. 127-129
Dr. Pena -- Esperava-o mais cedo, meu caro dr. Pluma.
Dr. Pluma -- Sabe lá, tenho estado ocupadíssimo. Resolvi apurar a minha cultura. Tenho ouvido «O gosto pela música», do dr. Freitas Branco, na Emissora Nacional - 2.
Dr. Pena -- Constou-me que falam muito e que aqueles dois locutores interrompem os trechos, são uns tagarelas... É verdade que falam no meio da música?
Dr. Pluma -- Têm esse defeito, mas dizem coisas interessantes, muito profundas.
Dr. Pena -- Por exemplo?
Dr. Pluma -- Não vai sem resposta. Olhe, no outro dia, a locutora, referindo-se a uma peça de Schubert, disse: É uma verdadeira delícia, uma coisa encantadora. Deixe-me ouvir todo o andamento, apetece-me imenso. E sabe? a locutora faz perguntas muito pertinentes. Quer ouvir esta? As sonatas de Schubert são diferentes das de Beethoven, não são? (sic).
Dr. Pena -- Se me permite, eu direi que é uma pergunta impertinente. Até podia dizer que é uma pergunta que não se faz!
Dr. Pluma -- Quem sabe viver é o dr. Gaspar Simões. Nunca pergunta nada. Para ele, todas as coisas antes de o ser já o eram.
Dr. Pena -- Mais duma pessoa me disse isso, mas não compreendi bem porquê?
Dr. Pluma -- Então não ouviu aquela do «nouveau roman» ter existido antes de existir?
Dr. Pena -- Ah sim?
Dr. Pluma -- Nem foram os franceses que o criaram. Foi um português, muito antes. No século XVI ou XVII.
Dr. Pena -- No século XVII? Não acha exagero?
Dr. Pluma -- Pergunte ao dr. Gaspar Simões.
Dr. Pena -- Talvez apresentasse algumas razões, quem sabe?! De tempos e modos nunca se sabe bem, com estes escritores do passado actuais...
Dr. Pluma -- Disse escritores do passado actuais, dr. Pena?
Dr. Pena -- Disse. Nos meus esforços para acompanhar sigo de tudo um pouco; gosto, sobretudo, de estar atento à manifestação das gerações mais novas, não é bonito ficar para trás sem aviso, compreende...
Dr. Pluma (interessado) -- Diga sempre...
Dr. Pena -- Um jovem ensaísta publicou um artigo no jornal Diário de Lisboa...
Dr. Pluma -- Não diga! E quem é que ele alvejava?
Dr. Pena -- Pois isso é que me faz espécie... Não era só a um ou dois escritores que ele destinava a sua diatribe, era a quase todos os que é costume designar como neo-realistas...
Dr. Pluma -- I see... Admito agora aquela sua expressão «escritores do passado actuais»... Mas, c'os diabos, então um escritor não pode mudar de estilo? Adaptar-se a novos modus faciendis? Barbear, pentear?
Dr. Pena -- Todos ao mesmo tempo, talvez não. Parece mal aos que ainda não estão suficientemente maduros para, por seu turno, mudarem também. Mas reconheço que a acusação é um tanto excessiva.
Dr. Pluma -- Pois é claro que o é; que seria das letras se não as aprimorassem! Se não as fizessem virar do avesso quando o direito deu o que tinha a dar! Até à próxima, insigne rr. Pena! Os meus melhores sentidos ao dr. Pincel!
Dr. Pena -- Serão entregues, meu preclaro amigo! Até para o mês que vem!
in Mário Cesariny, "Primavera Autónoma de Estradas", Lisboa: Assírio & Alvim, 1980, pp. 127-129
A frase do dia
Alguém (que mora fora de Portas salvo seja…) muito conhecido nas esferas da comunicação portuguesa, a falar com o seu espelho:
No fundo, sou um Chico Esperto; um Chico Esperto que só tem poder num país onde tudo passa pelos mesmos canais há décadas.
Henrique Raposo no Blogue da Revista Atlântico.
PSL
No fundo, sou um Chico Esperto; um Chico Esperto que só tem poder num país onde tudo passa pelos mesmos canais há décadas.
Henrique Raposo no Blogue da Revista Atlântico.
PSL
Campo Contra Campo (LXVII)
Três pequenas notas sobre três grandes filmes
A Prairie Home Companion - Bastidores da Radio, ****
São filmes como este que nos demonstram como é grande o cinema e como sabemos tão pouco sobre essa arte. A derradeira obra de Robert Altman é um estranho e divertido bailado com a morte. Um filme de estúdio, filmado com classe e harmonia impares, sempre em pequenos espaços paradoxalmente atravancados de memórias e alegria de viver. Foi assim, com um meigo sorriso que Altman decidiu abandonar este local. Encenação quase perfeita. Meryl Strip fora de serie…, e tão bem acompanhada. Estranha-se a falta de inteligência dos nossos exibidores: o filme teve uma carreira discreta nas nossas salas e em Lisboa só pode ser visto no decano Quarteto. Imprescindível!
The Departed - Entre Inimigos, ****
007 - Casino Royale, ****
Há muito cinema neste 007. Consistência num filme rodado em meia dúzia de locais diferentes; do estúdio à Praça de São Marcos, das margens do Como, àos luxuosos resorts das Bahamas sempre num verdadeiro bailado de amor e morte.
PSL
A Prairie Home Companion - Bastidores da Radio, ****

São filmes como este que nos demonstram como é grande o cinema e como sabemos tão pouco sobre essa arte. A derradeira obra de Robert Altman é um estranho e divertido bailado com a morte. Um filme de estúdio, filmado com classe e harmonia impares, sempre em pequenos espaços paradoxalmente atravancados de memórias e alegria de viver. Foi assim, com um meigo sorriso que Altman decidiu abandonar este local. Encenação quase perfeita. Meryl Strip fora de serie…, e tão bem acompanhada. Estranha-se a falta de inteligência dos nossos exibidores: o filme teve uma carreira discreta nas nossas salas e em Lisboa só pode ser visto no decano Quarteto. Imprescindível!
The Departed - Entre Inimigos, ****

007 - Casino Royale, ****

Há muito cinema neste 007. Consistência num filme rodado em meia dúzia de locais diferentes; do estúdio à Praça de São Marcos, das margens do Como, àos luxuosos resorts das Bahamas sempre num verdadeiro bailado de amor e morte.
PSL
segunda-feira, 27 de novembro de 2006
JPP igual a JPP
Não faz sentido nenhum falar de JPP num blogue apenas para o citar, pois toda a gente lê o que JPP escreve no Abrupto. Ou não.
Vale pois a pena ler os “…átomos e bits” de hoje. É um agente provocador de classe, este Pacheco Pereira. Bem espalha veneno quem lhe conhece o sabor. Como ele existem poucos. É uma pena…
PSL
Vale pois a pena ler os “…átomos e bits” de hoje. É um agente provocador de classe, este Pacheco Pereira. Bem espalha veneno quem lhe conhece o sabor. Como ele existem poucos. É uma pena…
PSL
E você, já escolheu o seu 25 de Novembro?
Saúda-se o nascimento do 31 da Armada; de tal maneira que até me fez descer as escadas do Stones na passada sexta.
Muito mais que um blogue, o 31 da Armada está fadado ao sucesso. Para já veja-se esta excelente montagem que cruza duas visões do que se passou no 25 de Novembro. Não neste, no outro, de 1975.
Felicidades para um blogue que sem receio ou rodeio se compromete com o lado direito da força!
PSL
Muito mais que um blogue, o 31 da Armada está fadado ao sucesso. Para já veja-se esta excelente montagem que cruza duas visões do que se passou no 25 de Novembro. Não neste, no outro, de 1975.
Felicidades para um blogue que sem receio ou rodeio se compromete com o lado direito da força!
PSL
domingo, 26 de novembro de 2006
N MÚSICAS II
Fui ver o filme ao cinema e vim de lá com esta música de Chris Cornell, aliás, já esperada. E também com Eva Green, lembrando-me da sua densa e intensa interpretação de Os Sonhadores. Daniel Craig convenceu-me.
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